Além da sala de aula · Alunos · Expressão · opinião

Sobre viagens e viajantes

Por Luísa Moreira

Há épocas da vida em que me questiono muito. Geralmente, sempre antes de dormir. Como agora, por exemplo.

Desta vez o questionamento foi, como o próprio título nos diz, sobre viagens e viajantes. É um dos assuntos do momento. Viajar é fácil, é barato, é rápido, é bom. Pessoas afirmam, sem cessar, o quanto conhecer lugares novos é legal, como morar fora é maravilhoso ou demonstram seu anseio em largar tudo e dar a volta ao mundo! Desprenda-se das amarras! Deixe ir! Eles dizem.

Entretanto, por que viajar é bom? Por que a absoluta maioria das pessoas com quem converso tem esse desejo maluco de conhecer o mundo?

Hoje, chego à conclusão de que existem dois tipos de viajantes: aqueles que viajam devido ao desejo de conhecer idiomas, culinárias, culturas diferentes e aqueles que viajam para fugir. Não de uma perseguição, mas da vida.

Às vezes me ponho a pensar que essa enorme vontade de se estar fora daquele ambiente onde se vive mostra o quanto a vida que se leva desagrada. Em outras palavras, denota o quanto se é incapaz de encontrar felicidade no lugar onde se está.

Já sei o que está pensando, Leitor. Provavelmente, sou uma senhora idosa de 95 anos, gosto de fazer tricô em frente à TV e detesto sair do meu habitat natural. Errou feio. Errou rude.

Um dos grandes objetivos da minha vida é poder visitar os lugares onde e quando eu quiser. Imergir em outras culturas, falar outros idiomas, experimentar pratos diferentes, avistar paisagens exóticas, tudo isso me fascina enormemente. No entanto, creio me enquadrar no primeiro tipo de viajante. Sou feliz onde moro. E você? Onde se enquadra?

Ora, Leitor, nada disso é verdade absoluta. Não se trata de algo do qual você não possa me convencer do contrário com um bom diálogo. Tratei apenas de uma reflexão tida na noite de hoje. E a conclusão a que chego é: quem muito deseja o que está do lado de fora não está satisfeito com a casa que tem.

Boa noite.

Luísa.

Um comentário em “Sobre viagens e viajantes

  1. Leva-me a pensar sobre a percepção fragilizada da vida que muitas pessoas levam, em função de escolherem o caminho mais fácil (a fuga) do que o enfrentamento real (em que há, vez em quando, dificuldades insondáveis) de seus problemas. As implicações dessa forma de agir ecoam em diversos setores nos dias de hoje. Analisando apenas um aspecto, que é aquele do ponto de vista da autoanálise do sujeito: observo grande dificuldade nas pessoas, hoje, em proceder a um ato de reconstrução de suas próprias perspectivas quando a elas são direcionadas críticas intelectualmente honestas (e que também são raras nos dias de hoje!), já que é imensamente mais cômodo simplesmente tomá-las como pessoais, retirando-lhes a carga de validade. Pensei, também, em outra questão: a proliferação das ”soluções fáceis” para diversos problemas sociais, políticos e econômicos, sem a devida imersão intelectual no assunto que se está a debater! A falta de vontade/disponibilidade em estudar com o devido aprofundamento um assunto específico pode ser sintoma da doença da preguiça. Onde erramos? Porque nos encaminhamos por essas veredas? A superfície deveria ser apenas o ponto de partida para os problemas humanos, achar que a solução está nela é um erro…

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