Edição 14 · opinião · x

Queridos Homens,

A pessoa que escreveu o texto preferiu não se identificar.

Eu não quero ter que explicar didaticamente para ninguém que tipos de violência uma mulher sofre. Vocês já deviam ter entendido. Acontece debaixo dos seus narizes, com a garota que você julga mal por sempre se irritar com qualquer piada do professor. Acontece com a funcionária da limpeza acuada pelos comentários machistas na porta do banheiro. Acontece com a caloura do primeiro ano que você não tem ideia porque deixou de sair com seu amigo.Acontece com a menina do quarto ano que desapareceu da faculdade depois de uma festa.Acontece. Todo dia. Por conta de caras como vocês.

Violência sexual, violência física, violência moral, violência psicológica. Eu tenho certeza que você acredita que nunca foi o cara que fez alguma coisa desse tipo. Ah, mas você fez. Vocês fizeram. Quando toda vez que a beijava só queria fodê-la. Quando segurou o braço dela com força para evitar que ela saísse do carro no meio de uma discussão. Quando disse para os outros que ela era louca e que as decisões que ela tomava eram pessoais e infundadas. Que sai cantando os pneus após um desentendimento. Que a proíbe de sair. Que se irrita sempre, que diz que ela não é boa o suficiente, que não atinge as suas expectativas. Quando tentou constrangê-la e intimidá-la com a sua presença. É escroto quando manda pedidos de desculpa depois do constrangimento proposital que a fez passar. Você é escroto na aula, no corredor,nas festas, nos churras, no JJ, no Caipirusp. Você é agressivo, é invasivo, incapaz de entender que a violência causada por você reflete nela todos os dias, psicologicamente,emocionalmente.

A agressão não se resume ao momento. Ela é contínua e impossível de esquecer, e não vai ser o seu “sinto muito” que resolverá. Nenhuma das suas atitudes “pró-feminista” ou nenhum arrependimento muda o fato de que você é machista. Eu vou te dizer mais, você é machista por achar que nós não podemos falar que você foi o cara mais escroto que apareceu nas nossas vidas, ou porque não entendemos, compreendemos mal as suas intenções ou porque estamos te expondo. Por achar que isso é exposição. Eu, elas, nós todas não nos importamos para a exposição que você acha que sofre. Eu quero ver sentir na pele toda essa tortura psicológica que nós sofremos quando pensamos em você, quando falamos com você, quando temos que compartilhar o mesmo ambiente.

Nós não queremos as desculpas, que fique tudo bem, que nos cumprimente nos corredores, que procure os nossos amigos. Nós só queremos que você, vocês, desapareçam e assumam o tamanho da violência que causam, constantemente. Cara, você é a porra de um homem machista. Dentro da universidade, eu, ela, nós, somos oprimidas, violentadas, agredidas, por caras como você. Pensem.

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