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Sobre fases

 

Por Naíma G.

É engraçado (e, de certa forma, também irônico) como as coisas acontecem, na nossa vida, exatamente no momento em que precisam acontecer.
Vou me explicar melhor. Às vezes, passamos horas e horas, noites, dias ou até semanas tentando entender o por quê de tal coisa acontecer com a gente, bem naquela fase da nossa vida. Podemos até chegar a uma conclusão, mas ela nunca parece boa o suficiente para nos convencer.
Acho que eu finalmente concluí que, na verdade, o que de fato existe na vida (e aquilo pelo o que sempre estamos passando, ao longo do tempo), é exatamente isso: são fases.
Tudo são fases, e a única coisa que precisamos fazer é compreendê-las para, então, aprender a lidar com as mesmas. Um passo de cada vez, dia após dia, lentamente, ou então, rapidamente! – tudo depende da fase da vida pela qual você está passando.
Existem aquelas fases em que seu corpo até treme, de tanta ansiedade; A mão treme (e sua, também, diga-se de passagem), as pernas tremem, as extremidades ficam geladas.
Aquelas em que se entra numa bad profunda, que não se quer saber de mais nada além de se trancar no quarto, deitar na cama, colocar aquela sua playlist deprê do Spotify – pensada e elaborada milimetricamente para aquele momento -, botar o foninho de ouvido (parça de todas as horas) e apenas residir ali, bem quietinho, curtindo aquela vibe que bateu (brisa errada?), mas que, como tudo, logo passa…
Tem fases em que você só quer sair, ir a todas as festas. Beber todas, zuar todos, sair distribuindo trotes em todos (que errado!), seja para afogar as mágoas e esquecer tudo por um tempinho, seja para apenas sair de casa, porque sim! Os olhos até mudam de cor, tamanha é a agitação do serumaninho. Afinal, estudar pra quê, não é mesmo?! (rs)
Outras em que você, realmente, só quer ficar na sua. Aproveitar a sua companhia: você consigo mesmo. Ler aquele livro novo que ganhou de presente mas ainda não teve tempo de abrir, reler aquele preferido, ouvir e incrementar aquela playlist mais alternas, experimentar looks novos com roupas já manjadas (quem nunca?), se maquiar apenas para tirar foto, assistir aquela série amorzinho no Netflix, ir ao cinema para assistir aquele filme de ação e se empanturrar de tanta pipoca amanteigada e Coca-Cola (eca, coca dá câncer, fica a dica).
Em todos esses períodos, porém, é importante (indispensável, eu diria) recolher uma porçãozinha mínima de nomes para ter com quem contar em todas e quaisquer fases da vida. Ter aquela amiga querida que vai te levar chocolate na porta do seu quarto quando te ouve chorando ao brigar com o namorado pelo telefone (); aquele amigo bobão e retardado que te faz rir em momentos impróprios, mas que te traz o bom humor de volta quando você mais precisa; aqueles amigos parças e tão (pre)ocupados que te buscam em casa só pra você não dormir sozinha quando está assustada e te emprestam um colchão na sala e doam uma parte do tempo precioso deles pra te ouvir reclamar (lê-se: chorar) da vida; aquela amiga que te dá um ‘chega pra lá’ como forma de aviso, do tipo “presta atenção no que você tá fazendo com a sua vida, mina” (mas que você entende porque sabe que foi feito de coração, pensando em você e em nada mais); aquela pessoa diferenciada, que detecta a sua vibe só de te olhar, e que, por mais que seja a pessoa mais ocupada e envolvida em entidades que você conheça, SEMPRE vai dedicar muitas horas da vida dela com você, quando achar necessário; e aquelas pessoas com quem você divide seu apê, pra te dar aqueles toques padrões e dividir os chocolates e doces ganhados na Páscoa… O que seria do nosso mundo sem os nossos amigos pra nos acordar pra vida?!
Ainda sobre as fases, e sobre a sorte (ou azar?) de se ter uma mãe psicóloga (ela deve fazer análises 100% do tempo e duvido que tenha descoberto um padrão de comportamento muito bem definido em mim, rsrsrs): minha mãe é dessas de fazer surpresinhas com os pequenos detalhes da vida (acho que já sei com quem aprendi a gostar das pequenas coisas ). Uma vez, de volta à Ribeirão, abro a minha nécessaire e encontro um bilhete amorzinho, que se encaixou exatamente naquela fase da minha vida – só para variar, porque nós duas temos muito dessas coisas de ler o pensamento uma da outra, de adivinhar o que vamos falar a seguir, o que pretendemos fazer, etc. Deixo aqui a citação transcrita no bilhete:
“A vida é um processo contínuo de mudanças. Nesse processo, não se incluem intenções, nem valores. Procure, no processo de sua vida, incluir propósitos e valores, de forma a torná-la melhor para si mesmo e para aqueles com quem convive.” (Hélio Guilhardi)
Chego aos finalmentes com essa pequena lição de moral: seja qual for a sua fase de vida hoje, é muito errado (ou ruim, apenas) deixar de lado seus valores e princípios, assim como é errado esquecer os seus amigos que acompanham você desde o segundo do seu nascimento (sim, falo da famigerada família de sangue, família adotiva, famílias e afins que não deixam de ser famílias de verdade, etc e tal).
Fico em dúvida se cabe aqui falar, ainda, sobre espiritualidade. A fé é uma coisa que sempre me ajudou a passar por todas as minhas fases, e nunca a abandonei, nem pretendo fazê-la tão cedo… então, fiquem com esse feeling de #descubra para que sirva de reflexão sobre o que a fé significa para vocês. Lembrando que não se tem fé só quem segue alguma religião, não é mesmo?
Não sei se tenho muito mais o que falar desse assunto, provável que sim – mas não quero tornar esse texto maior do que ele já está, por motivos de: queria que vocês tivessem a sensação de que eu passei só para dar um recadinho (ai, que coisa de tia, porém é real). Fica aqui para vocês, então, esse pedacinho de vida (que entre uma ressalva e outra, feitas entre parênteses, já resultou em vários parágrafos, rs) sobre o que eu passo agora. Tão importante quanto se dar conta de que se passa por fases divergentes, é conseguir, de alguma forma, desabafar e organizar seus próprios pensamentos sobre isso (como uma boa virginiana faria, mesmo que depois de algum bom tempo).
Acho que agora já sei a causa da minha tão detestada insônia – a mesma que, por outro lado, me rende muitas reflexões especiais… 😊🌸

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