Edição 15 · x

As entidades

Por Eduardo Cañada e Marcela Saddi

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            O contexto da extensão universitária traz para a sociedade grande importância e contribuições, afinal, apresenta o contato dos acadêmicos com o público em geral, onde as teorias aprendidas em sala de aula se concretizam. É graças à extensão que o pedagógico ganha sua dimensão política. Nessa perspectiva que surgiram as entidades da FDRP.

            As primeiras duas turmas se incumbiram de criar a Bateria, o Centro Acadêmico e a Atlética da faculdade.  Para isso, tiveram que contar com aquele brilho nos olhos e a paixão típica das turmas ingressantes. Nas palavras de Américo Espallargas, a ideia da criação da Atlética foi um movimento natural, praticamente orgânico.  Já no primeiro ano, a faculdade tinha times de futebol masculino, handebol feminino e futsal feminino – o que ajudou a FDRP a ser vista como parte integrante do campus. Obviamente, foi um movimento encabeçado pelos alunos, mas contou com a ajuda de funcionários da faculdade – como a presença do então diretor da FDRP, Ignácio Maria Poveda Velasco, na “foto oficial” do primeiro time a representar a faculdade em um torneio universitário ou o apoio do Prof. Gustavo Saad Diniz, que assinou o estatuto para que fosse levado a registro. A bateria também foi criada por iniciativa de alunos e já passou por algumas gerações de mestres: Montanha, Gard, Hidd, Toba, Zaca, Love e atualmente a Biby, que ganhou o título de melhor mestra do grupo ascendente  da TABU (Taça das Baterias Universitárias). A Estouro já chegou a conquistar o terceiro lugar do desafio das baterias do Caipirusp.

            O Centro Acadêmico, entidade que se origina a partir de uma necessidade assinalada pelas diretrizes normativas da USP, recebeu o nome em homenagem ao Professor Antônio Junqueira de Azevedo, ilustre pesquisador e sem o qual não seria possível edificar o que hoje chamamos por Casa. O CA, então, centraliza as atividades políticas e de representação discente: a instituição que ouve, mas principalmente fala em nome das necessidades e interesses de todos nós.

                        Dessa maneira, surgiram outras entidades. A Juris teve como inspiração a Poli Jr e contou com o apoio da Empresa Junior da FEA, da Faculdade de Direito da UFBA, o pessoal da IRIS (Psicologia) e principalmente com o Núcleo USP Jr. De acordo com o criador da entidade, Caio Henrique a EJ proporciona uma liberdade criativa que não é facilmente encontrada em outros locais como estágio e até mesmo depois de formado, pela grande hierarquia existente nos modelos tradicionais de escritório, além de ser um diferencial no currículo.

            A Extensão Solidária veio em 2011, em uma ideia dentro do CAAJA. Naquela época, a intenção inicial era criar um projeto de alfabetização de adultos, mas ao chegar na comunidade (Parque Ribeirão) e fazer alguns eventos de ambientação, percebemos que os adultos não tinham tanto interesse nisso e que o apelo de um projeto social seria mais forte entre as crianças, que não tinham no bairro um lugar que as recebesse e se dedicasse a elas durante os fins de semana. Em 2015 o projeto se tornou oficialmente uma ONG. Atualmente, o Projeto Extensão Solidária está em um processo de consolidar a Inscrição Municipal, em busca de um maior apoio governamental.

            O Ócios de Ofício surgiu a partir da necessidade de uma ferramenta para levar informação interna e externa a toda a comunidade da FDRP. Além disso, era preciso um espaço para que aqueles estudantes das primeiras turmas, recém-saídos ou ainda em período integral, pudessem se expressar e escrever sobre qualquer coisa que não fosse direito.

            O Núcleo de Assessoria Jurídica Popular de Ribeirão Preto (NAJURP), existente há pouco mais de cinco anos na FDRP/USP, é um projeto de extensão universitária de assessoria jurídica e educação popular em direitos. Durante esse período, a ação do grupo tem buscado se pautar nos marcos teóricos e metodológicos que fundamentam a atuação das Assessorias Jurídicas Universitárias Populares (AJUPs) existentes hoje em diversas universidades do país. Quando se pensa no significado do NAJURP vislumbra-se um lugar em que as energias de indignação, de resistência e de criatividade podem ser fortalecidas, no sentido de projetar os sujeitos no mundo, com o mundo e de transformação do mundo. Como diria Paulo Freire, não é no silêncio que as pessoas se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.

            Quanto ao Canto dos Famintos, surgiu com inspiração de grupos teatrais de São Paulo, nos quais as pessoas ficaram muito amigas; a ideia era que isso acontecesse por aqui também. Ainda em 2011, o teatro estava no comecinho, e nesse começo os encontros discutiam teatro em geral, arte, e o que gostariam de encenar. Um grande marco do amadurecimento artístico foi a peça “O Horário” de Heiner Muller, apresentada até em São Paulo, no encontro dos teatros universitários. O fato do Canto dos Famintos ser um grupo, e não uma entidade estruturada hierarquicamente, desafia o contexto imperativamente competitivo de uma faculdade de direito, colocando a união e integração acima das habilidades individuais. Ninguém faz teatro sozinho.

O Cursinho Popular, por fim, teve seu esboço mais primitivo em uma reunião do Centro Acadêmico, no início de 2014. Há muito tempo já se idealizava um projeto desse tipo nos corredores da FDRP. O primeiro grande desafio foi tirar o sonho do papel. Isso só foi possível passando por etapas extremamente burocráticas, como a elaboração do Estatuto e a regularização da entidade perante a faculdade. Depois, com o início das aulas, as dificuldades passaram a ser as mesmas enfrentadas por outras escolas e cursinhos, como disciplina e frequência de alunos, além do controle das matérias dadas em sala pelos professores.

            Seja através da integração ou do dinamismo proporcionado pelas entidades, observa-se que a extensão funciona como mediação de retorno dos benefícios do conhecimento à sociedade e exige da comunidade universitária imaginação e competência voltados para a elaboração de projetos como canais efetivos para esse retorno. Assim, caminhando a passos largos, nossa faculdade já se mostra muito além de mero repasse de informações, mas um espaço de formação pedagógica, numa dimensão própria e que vai evoluir muito mais.

Esse texto não seria feito sem a ajuda das seguintes pessoas:

 Américo Espallargas, Andre Simionato Castro (Montanha), Bruna Castro, Caio Henrique, Cristiano da Dalt Castro (Graveto), Felipe Ferreira (Gafanhoto), Isabela De Siqueira Barbosa (Piah), Isadora Ozelim Michelotto‎ (Leidilau), Letícia Zaffalon (Crash), Maurício Buosi Lemes, Rafael Suzuki e Ricardo Vidigal.

 

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