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“Reina, mas não governa”

Por Saulo Simon Borges

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A Faculdade passa por um momento peculiar: a série de votações para os cargos de Diretor, Chefias de Departamento e Presidência de Comissões. Anteriormente, as votações eram feitas de forma esparsa e fechadas na reunião da Távola Redonda, também conhecida como Congregação.

Este ano, por uma iniciativa de parte dos Docentes, iniciou-se um processo de discussões das gestões começando pela apresentação dos balanços dos mandatos, que deve ser feito dia 13 de setembro às 14:00 em uma reunião aberta da Congregação, passando pela intenção de se discutir um plano de desenvolvimento institucional para a unidade e, finalmente, na apresentação de cartas-programa dos candidatos.

Aproveitamos para destacar que a prática da apresentação de projetos de mandatos já era frequente no Movimento Discente em que as chapas concorrentes para o CAAJA sempre os apresentou. Mais recentemente, os concorrentes para a representação discente da Congregação também apresentaram suas cartas-programa e esperamos que essa onda se propague para todos as outras representações.

 Já nas instâncias formais da FDRP essa prática era inexistente. Até este ano. Após os contos de horror escritos pelos candidatos à Diretoria da unidade que formos obrigados a ler, tivemos a oportunidade de acompanhar os documentos redigidos pelos candidatos à Chefia do Departamento de Direito Público (DDP) e Departamento de Filosofia do Direito e Disciplinas Básicas (DFB). Quanto ao DDP, só podemos tecer elogios para o esforço dos candidatos que se preocuparam em elaborar propostas e discuti-las em um processo completamente fomentado e frequentado pelos estudantes.

 A monarquia começa quando os candidatos resolvem que não têm que prestar qualquer satisfação com a comunidade que se relacionam. Primeiramente, as candidatas ao DFB apresentaram uma carta-programa que contém uma repetição de aproximadamente 80% de uma das chapas do DDP e depois não foram e nem justificaram a ausência ao debate, em que poderíamos solucionar esta dúvida do porquê as propostas são idênticas.

 Em segundo lugar, os candidatos do Departamento de Direito Privado e Processo Civil (DPP) nem apresentaram suas propostas e nem compareceram ao debate. Para dizer o mínimo, desrespeitoso.

 Talvez seja importante lembrar, Professores, que não mais vivemos em um sistema absolutista. Hoje, os ocupantes de cargos não são ungidos pela graça divina ou detentores de poderes inerentes a suas personalidades. Antes disso, visceralmente conectados com a comunidade que se relacionam e da qual saíram e a qual precisam prestar toda atenção quanto for necessária.

 Para além da questão da legitimidade, a apresentação das propostas pode ser entendida como uma publicização de um planejamento previamente feito do que se pretende desenvolver no cargo que virão ocupar. É uma técnica de gestão que permite aferir a efetividade dos seus próprios métodos na busca dos seus objetivos.

 Fomos desrespeitados. Estamos desapontados. Estamos apreensivos. Mas estamos mobilizados. Se a teoria ensinada em sala não é interpretada na realidade, ainda assim estamos aproveitando este espaço para também aprender e continuar nossa luta por um Brasil mais legítimo e eficiente. Desculpem o texto, mas a decepção que me causaram é maior do que qualquer medo que insistentemente nos incutem do poder que vocês podem ter sobre nós.

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