Expressão · x

Eu, autoritária?!

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Júlia Arrais (Pitó) – TX

Enfrentar o desafio de ocupar um cargo de liderança tem sido, para todos aqueles que se propuseram, um marco divisor de águas. Para mim não foi diferente. Ser representante de turma da TX e, recentemente, ter lançado a candidatura para presidência do Centro Acadêmico dividiu opiniões e fez com que boatos corressem pelos corredores. Dentre eles, o que mais me surpreendeu foi o comentário machista: “ela é autoritária”.

Ocupar um cargo de liderança significa três coisas: tomar decisões difíceis, delegar tarefas e cobrar resultados. Do primeiro fator gostaria de ressaltar: se todas as decisões fossem fáceis, qualquer um poderia tomá-las, além do fato de que elas dividem opiniões (daí o fato de serem difíceis) e não são populares. É uma questão de exposição, defender aquilo que acredita. Sobre delegar tarefas e cobrá-las surge outra problemática: nossa sociedade machista odeia ter a orelha puxada por mulheres. Ser uma líder mulher e competente virou sinônimo de estressada, mandona e autoritária. Mas pasmem: um homem na mesma situação não seria taxado de nada disso. Muito pelo contrário: pulso firme, eficiente e espírito de liderança.

Exemplos práticos têm sido vividos por mim durante esse ano, e mais intesamente no último mês. Primeiramente, todas as vezes que alguma pessoa (mais especificamente, homens) procuravam a chapa da qual participo, eu nunca era abordada: sempre um homem que era procurado. Eu DUVIDO que se fosse ao contrário, um homem enquanto presidente, eu seria contatada. Procurar um homem como primeira opção para conversar é afirmar que uma mulher não possui capacidade nem competência para diálogo ou para ser presidenta.

O próximo exemplo é para mostrar que qualquer pessoa que possui algo contra mim, seja pessoal ou “profissional” tenha a coragem de se dirigir diretamente a mim, para que eu possa me defender e procurar entender o posicionamento, ao invés de ficar espalhando comentários infudados pelos corredores. Após o debate entre as chapas, na quarta (27), um colega de chapa (novamente outro homem) foi procurando por uma pessoa que disse que ficou positivamente surpresa com o meu desempenho no debate, porque achava que eu ia “explodir”. Bem, eu sou uma pessoa, e não uma bomba para explodir.

É problemático estarmos inseridos em uma faculdade que questiona, diminui e desacredita mulheres que lideram (sejam elas alunas ou professoras), a partir de pequenas atitudes carregados de machismo velado. Pior ainda quando elas são competentes e mostram ao que vieram. As três últimas presidentas do CA foram acusadas (pelos corredores) de serem autoritárias. Quantos homens que ocuparam o mesmo cargo anteriormente foram chamados da mesma maneira? E isso não é restrito à representação de turma ou ao Centro Acadêmico, é visível o quanto essa mentalidade também está permeada nas outras entidades e ambientes de convívio da faculdade.

Por fim, gostaria de dizer para que aqueles que não me conhecem, que me conheçam, e para aqueles que fazem comentários machistas e covardes às minhas costas, que tenham a decência de me procurar para conversar. Como eu já disse: não sou bomba, sou Júlia, sou Mulher. Aos que me chamam de estressada, mandona e autoritária eu digo: pulso firme, eficiente e espírito de liderança.

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