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MOTHER!

Por Thainara Sayane – TVIII

(ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS)

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O filme Mother possui diversas interpretações, como já foi comentado em várias críticas. Mas um sentimento comum que perpassa todas as pessoas que veem o filme é a claustrofobia e a sensação de impotência que a mãe (Jennifer Lawrence, que aqui será tratada como mãe) sofre. O filme Mother é carregado de simbolismos e, afora a ideia bíblica, nota-se como o machismo é essencial para construir um sentido no filme. Isso porque a ideia do filme não faria sentido algum se quem interpretasse Deus fosse uma mulher e quem interpretasse a mãe (mãe natureza, no caso) fosse um homem. As cenas se esvairiam de sentido e se tornaria inverossímil. A sensação de ter sua voz tolhida e sua opinião não levada em consideração não conseguiria passar por algo acreditável se o papel de mãe fosse realizado por um homem. Nem Deus passaria por um personagem verossímil se fosse uma mulher que num casamento tolhesse a fala de seu parceiro. Não somente isso, a mãe precisa ser uma mulher devido a ideia de representar a mãe natureza, simbologia de dar vida, como a mulher dá a luz. Para isso, a mãe natureza é considerada acolhedora, pura e no filme para representar o ápice da pureza utilizam-se uma atriz branca.

Além disso, a mãe natureza deve assumir uma postura virginal, antes de atingir sua função (quase que) última que seria ser de fato mãe. Nesse ponto, mais uma vez o machismo é usado como se para a mulher a sensação de completude e sua função só seriam cumpridas quando tem um filho. O ar virginal da atriz é contraposto com suas roupas (calcinhas que não devem chamar a atenção), e com sua atitude contrapondo a de Eva, que tem sua sexualidade mais aflorada. Até por que, uma intenção do filme seria mostrar os seres humanos em seus pecados, no caso, Eva com sua sexualidade exacerbada e enaltecer a mãe por não ter essa sexualidade aflorada (aumentando a sensação que temos de a mãe parecer mais feminina durante o filme). Obviamente durante Mother, ela demonstra o desejo sexual, mas não como forma de exercê-lo, apenas como meio para cumprir sua função que seria ser mãe. Além disso, devemos considerar que durante todo o filme, ela possui sua fala não levada em consideração por Deus. A exceção seria numa cena em que há uma discussão entre os dois e ela revela o desejo de ter um filho dele. Nessa cena, ela abandona o ar virginal e surpreende as pessoas que assistem inclusive por utilizar o termo “fuck me”, que não pareceria que sairia dela, devido a sua máxima representação de feminilidade e pura. Não raro, Deus realiza a sua vontade, mas numa cena de estupro, pois a força a beijá-lo de forma completamente agressiva, até que ceda. Extremamente simbólico o fato de que para sua vontade ser realizada uma única vez no filme, tenha sido de forma extremamente violenta e, ainda assim, em última análise sobrepondo a vontade masculina.

 Ainda, no filme, nota-se que a necessidade de ser mãe durante o filme é ainda visando o marido, na visão de que a mulher deve completar a vida do seu marido e se não realizar isso, não está fazendo sua função. O filme aborda essa ideia na visão de amor, quando Eva sempre diz que a mãe ama demais o seu marido e por isso não gosta de saber que não é suficiente para ele. Entretanto, por trás dessa ideia do amor, há a intenção de mostrar que a mãe não sente sua função como mulher cumprida com o fato de Deus não se sentir completo com a família deles. Até mesmo o sonho de ter um bebê, para a mãe, é a esperança de dessa forma realizar sua função de dar a sensação de completo para o seu marido. O que não acontece, sendo que ela deve, no fim, se entregar e morrer para ele, dando seu coração. Numa cena que retrata a realidade de muitas mulheres que ainda morrem devido aos caprichos de seus maridos e devido ao sentimento dos homens de que não estão realizando suas funções como esposa. O filme é repleto de simbolismos relacionados a religião, a natureza e a destruição da mesma pelos seres humanos, mas o que parece gritar são as palavras ditas pela mãe que não são de fato escutadas por ninguém.

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