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Nós, que aqui estamos, por VOZ esperamos

Representação discente

Por Claudia Elias Valente – TVII

O último dia 10 de novembro sinalizou algo que já vinha acontecendo com o Movimento Estudantil da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto: quando se defende um processo democrático, coeso e organizado o medo de quem se desnuda do véu da hipocrisia se instala nas reuniões da Congregação.
Para quem não acompanhou as discussões, na ocasião da votação e cômputo dos votos dos presidentes das Comissões, os Representantes Discentes e funcionários abriram seu voto. Digamos que o voto não foi aberto, foi escancarado. Um dos RD’s e a representante dos funcionários na Congregação pediram a palavra e comunicaram que haviam seguido a deliberação das respectivas assembleias convocadas para consultar as pessoas acerca do assunto.
A diretora, usando um eufemismo capenga, pediu a palavra. Afirmou que a atitude era contrária aos preceitos estipulados, que afirmam que o voto “é secreto”. Outros membros da Congregação vieram à sua defesa, afirmando que “se TODO voto tiver que ser revelado, como faremos?”. Enquanto me remoía pensando em como a justa bandeira do voto secreto está sendo usada para escamotear um discurso roto e oportunista, fiquei me perguntando o motivo de a revelação do voto ter causado tanto alvoroço. Dentre tantos possíveis questionamentos, uma coisa é certa: mesmo construída a partir da negação, essa fala demonstra que os membros ali presentes atribuem vinculação às nossas atitudes.
Na prática, escancarou o desespero de quem nega a nossa força, mas em sua negação, teve que inclinar em reverência a ela. É como o túmulo de Napoleão Bonaparte, que se encontra num piso abaixo do piso de visitação, para que todo mundo que quiser vê-lo tenha que se curvar. É isso: se curvar, seja para glorificar ou para invalidar, ainda é reverenciar.
Na mesma ocasião, um outro membro da Congregação, por seus interesses específicos, concordam com a atitude dos discentes e funcionários. Aliás, as filmagens das reuniões da Congregação viraram um belo palanque de intenções, como são todas as peças de teatro de cartas marcadas que representam as instâncias deliberativas da Universidade de São Paulo. Esse membro afirma que, em segmentos representativos, como o nosso caso, é comum que se abra os votos em razão de consultas realizadas pelos próprios representantes e que, na hora da votação, os mesmos prestem contas das decisões. A fala foi respondida pela diretora, que afirmou que a pessoa estava errada, já que ela era especialista em Direito Eleitoral. Naquele contexto percebi que não existe discurso mais desesperado do que o de autoridade.
Foi nesse momento, também, que percebi que, apesar de sermos o elo mais fraco, já que a hierarquia nos acomete, ainda temos poder. Mesmo que nos neguem fala, que nos considerem novos demais, verdes demais, sem título algum, incivilizados indignos de cortejos em auditórios. Mesmo que só dois. Agora só um. Mesmo que nenhum, batucando do lado de fora, assistindo pela transmissão ao vivo no anfiteatro.
Aquela pedra no sapato, aquela mosquinha na sopa, aquele zumbido no ouvido que só se percebe quando tudo está quieto. Vamos estar lá. E vamos formar novas levas de moscas, de pedras e zumbidos, cujo único e exclusivo objetivo é achar pêlo em ovo. Autonomia discente de cara pro vento, por uma Universidade pública e gratuita.

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