Resenha · x

Shape of Water

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CUIDADO! ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS!

Por Thainara Silva

Aquele momento que você vê um filme que te faz pensar sobre algumas relações humanas, e sente que precisa escrever sobre. Não é um filme perfeito, mas trata sobre algumas questões muito importantes. Primeiro, por ser um filme com uma protagonista muda, que é uma simbologia grande, pois durante todo o filme as pessoas conseguem ter conexões maiores com ela do que umas com as outras. E Elisa, a protagonista tem uma conexão maior com a forma, mesmo tendo uma comunicação extremamente limitada.

O filme trata, entre outros assuntos, sobre solidão. Principalmente a solidão entre os relacionamentos amorosos, pois o Coronel possui um casamento, com uma esposa completamente submissa, baseado principalmente na falta de comunicação e na obrigatoriedade do sexo. Tanto, que ele se sente sexualmente atraído por Elisa por que acredita, erroneamente, que ela não consegue se comunicar. Uma cena do filme em que ela manda ele se foder é extremamente interessante, pois o Coronel que busca a todo custo uma relação sem comunicação se sente confrontado pessoalmente ao não conseguir entende-la.

Além disso, há o amigo de Elisa, que é gay e assumiu sua sexualidade na velhice. Por causa disso, acredita que sua sexualidade foi roubada ao longo de sua vida, e que agora não há mais tempo para exercê-la. Há uma sensação ao longo do filme de que as pessoas são solitárias por terem relacionamentos amorosos em que não estão conectadas uma com as outras. Isso se revela, entre outros momentos, com a amiga de Elisa, no final do filme, na cena com o marido, em que comenta o fato dele nunca falar com ela a vida inteira.

Apesar dessas reflexões pesadas, principalmente quando se trata sobre Giles ter a impressão de não ter vivido a sua vida (ele diz que “nasceu” muito tarde na vida dele) por ser gay e sentir que não conseguiu exercer sua sexualidade. Ao meu ver, não são pessoas de fato solitárias. Todas elas são conectadas profundamente com Elisa que, por sua vez, se sente incompleta.

O filme consegue mostrar essa dualidade de que, apesar de estar imerso em um relacionamento amoroso você consegue se sentir solitário, assim como pode não estar em um relacionamento amoroso e não ser necessariamente sozinho.

Apesar de abordar temas complexos como a situação lgbt e racismo, confesso que senti um pouco que a personagem negra amiga de Elisa foi a que menos teve um aprofundamento psicológico se comparado com o Coronel, Elisa, a criatura, o cientista e o amigo de Elisa. Sabemos um pouco de seu relacionamento pessoal no final, numa cena voltada para ajudar Elisa. O filme dá a impressão de que ela é a personagem utilizada para iluminar e ajudar Elisa, o filme foi racista ao utilizar a atriz na personagem de estereótipo da amiga negra engraçada, e sua complexidade psicológica e formada de forma diminuta se comparada aos outros ou reduzida a episódios de racismo.

É um filme que aborda profundamente sobre o sentimento de solidão de cada um de nós dentro de nossas relações humanas e pode ser interpretado dependendo do conceito de solidão que cada um carrega em si. Para alguns, o filme pode ser extremamente depressivo e melancólico sobre as relações, para outros, pode trazer um conceito novo do se sentir sozinho.

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