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Sutil ou por acaso?

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Por Duda Hidalgo (Moema) – TX

A nova série da Netflix, “O Mecanismo”, trata sobre o caso da máfia dos tempos atuais, a Operação Lava Jato. As personagens fazem referências a figuras reais, que possuem desde trocadilhos com os nomes, até semelhanças físicas e idiossincráticas. Uma boa série, apesar das inúmeras tentativas de criar frases de efeito.

Possui uma trama envolvente, mas cabe aqui ressaltar que esta longe de ser um documentário informativo sobre a Lava Jato. Quebras de cronologia e adaptações são muito polêmicas e desnecessárias, como por exemplo o escândalo do Banestado, que começou durante o governo FHC, não do Lula. Além disso, o João Higino (Lula) fala a famosa frase de Jucá em um dos episódios. Qual é realmente o ponto dessas mudanças? Afinal, poderia ter sido escolhida qualquer outra linha cronológica ou composição gramatical que tivesse o mesmo sentido.

Podemos constatar que houve uma tentativa de ser apartidário. Isso se mostra em vários momentos da série, como quando Ibrahim revela que recebeu dinheiro de ambos os “lados”. Ou no episódio em que o futuro da operação dependia do resultado da eleição, pela candidata acreditar veementemente que nunca fosse ser pega e pelo outro que seria. A pergunta é: se trata de uma tentativa legítima com falhas infelizes ou se esses momentos apartidários servem apenas de máscara para uma defesa política em um cenário brasileiro muito propício? Tendo em vista que há um capítulo relacionado a manipulação da opinião pública em um momento de eleição, em contraponto com a pouca efetividade e do detalhismo desses pontos que geraram polêmicas (mas uma incerteza quanto a isso, já que eu posso ter caído na armadilha da manipulação kkkk) tornaram difícil saber qual foram as verdadeiras intenções de Padilha.

Há vários outros pontos que deram pano pra manga, como o Juiz Sérgio Moro ser representado como alguém com complexo de grandiosidade, que motiva a maior parte das suas decisões, que se distancia da atitude popular de endeusamento do mesmo (tornando-o uma espécie de celebridade). Vale frisar que não cabe a mim fazer um julgamento preciso de qual das impressões é verossímil.

Além disso a série incita conflitos morais, como por exemplo Ruffo, quando se mostra contra a impunidade de um “peixe pequeno” por delatar um “peixe grande”, afirma que para ele não há uma gradação, que são todos “bandidos”. Entretanto, ele se exclui desta classificação, apesar de ter cometido crimes ao longo da série. O que passa despercebido pela empatia que tendemos a criar pela personagem, e pela finalidade ser, supostamente, boa dessas ações. Mas então o que importa é realmente a intenção? Há um grau de aceitação da criminalidade?

Levantando essas questões, podemos notar todas as microestruturas de poder que se estabelecem refletindo uma macroestrutura, o Mecanismo.

Mas e você? É uma engrenagem do Mecanismo?

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