Frames de Ofício

Novo Projeto: Frames de Ofício

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Por Ana Flávia Toller (Curta) – TX

Na minha vida, o Direito, como curso e profissão, surgiu em três fases de sobressaltos. Na verdade, duas, pois a primeira foi aquela, comum, bem hermética, pela qual passamos quando falam durante o almoço de família, ou nas rodinhas de cursinho que o Direito é o curso da retórica, do status, do prestador de concurso ou do ser verborrágico no geral. Além disso temos que ler muito, né?
Na faculdade percebi que nem tudo dentro do estereótipo tradicional era verdade – ou mentira. Portanto, nenhum sobressalto para mim quando tive de lidar com essa faceta da realidade. Aliás, uma das facetas que mais me incomodaram desde o início.
Efetivamente, o primeiro sobressalto foi o chamado sobressalto propedêutico, o qual, surgiu quando me disseram – mais de uma vez – que a sociologia, a filosofia, a história e a antropologia, por exemplo, eram essenciais para o meu curso. Reluziram. Correlacionar tais disciplinas ao direito tornavam-no absolutamente mais necessário e presente para mim; sem o uso da interdisciplinaridade, não assistiria a mim continuar buscando e cavando doutrinas puras do direito. Afinal esse direito de sete-cabeças na verdade ia muito além de empilhar códigos e doutrinas acadêmicas sobre minha mesa de estudos.
Resta que, a medida que fui investigando, descobri que a ciência jurídica, anda por campos cada vez mais ilimitados. A psicologia e o cinema podiam também participar da caminhada. E eu tive, junto com o “susto”, medo; medo disso que parecia inovador e para alguns “forçoso” demais. Enveredar-se por entre temas talvez muito espessos para atravessarem o buraco da agulha do status quo do direito, não é muito intuitivo. Por vezes me encontrei buscando conexões. Felizmente, após o primeiro estopim, as perspectivas não pararam de pulular sobre meus limiares lúdicos e racionais.
Quando me propus a pensar o cinema e o direito dessa maneira, lembrei que a vida imita a arte e a arte imita a vida. É o clichê mais real que vocês poderiam ler aqui. Explico seu uso: DIREITO é vida (nosso cotidiano, nossa realidade) e DIREITO é arte (arte da retórica, arte da argumentação, arte da lógica jurídica); CINEMA é vida (identificação com personagens, com situações; a história contada que perpassa acontecimentos hipoteticamente reais – ou surreais – mas que arrebatam o que temos de mais intenso em termos de sentidos) e CINEMA é arte (genuína forma de expressão que urge pela devoção criativa). O cinema é arte e vida, assim como o direito, portanto.
Em termos práticos, o cinema vem sendo utilizado no Direito, principalmente, como técnica de ensino. Pesquisas indicam que o uso do Cinema e demais recursos audiovisuais alavanca o aprendizado. O estímulo visual dado pelo Cinema o faz ferramenta importantíssima no meio acadêmico. Inclusive, aqui na FDRP, temos uma disciplina, ofertada como optativa, chamada Estado, Direito e Ideologia: Uma visão a partir do Cinema.
Aproveitando o gancho dado pela nomenclatura da disciplina, chamo a atenção para os termos: Estado, Direito e Ideologia. Pois, o Cinema consegue, através de seus diversos gêneros construir narrativas – baseadas em fatos reais ou puramente fictícias – trazendo representações do mundo real, de ideologias, de perspectivas da ação do Estado, inclusive sobre ações de pessoas que o compõem. Enfim, uma série de informações e representações apoiadas em elementos de Teoria Geral do Estado, Economia, Filosofia e Política. Com isso, temos mais um elemento que através do visual, auditivo e, porque não, sentimental, colabora com reflexões e nos traz debates, polêmicos ou nem tanto, assim como visibilidade para algumas questões nem sempre avultosas.
O cinema é uma arte antiga e por isso foi, e ainda é construído e realizado a partir de ideologias, buscando temas polêmicos e preciosos para a época da produção de uma película. O cinema, assim como o direito, acompanha o desenvolvimento da realidade e do mundo, afinal, tanto um, como o outro são feitos por seres humanos, que, independentemente do sobressalto que me causem, com suas teorias, conseguem, por várias perspectivas, criar relações entre matérias, aparentemente diversas e ainda, instrumentalizar tudo aquilo que lhe parece promissor frente à sua própria vida.
Dito isso, venho anunciar que o Ócios receberá colaborações sobre Direito e Cinema, tema do qual tratarei com muito gosto e dedicação. Espero que vocês apreciem.

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