x

É TOCOS!

40631576_1703779666399939_5842506491638054912_n

Por João Pedro Fazoli (Paxão) – T.VIII

Quando conheci e comecei a participar da Estouro – e peço tão logo a licença do leitor para escrever esse texto em primeira pessoa, já que é justamente porque sou supeito para falar que fui convidado aqui a escrever – lá no final do meu primeiro ano de faculdade, todo mundo falava da grande competição entre as baterias universitárias e o quão bom era esse momento de integração: estavam falando do Interbatuc.

E não, não estavam falando de jogos, já que o Interbatuc não tem competições entre esportes de cada faculdade, mas sim uma sessão de dois dias de festa entrecortados com as apresentações das baterias participantes que lá …. TOCAM.

Foi finalmente quando caiu minha ficha sobre o que começavam a falar logo da anunciação da data do evento: NÃO É JOGOS, É TOCOS! (E essa expressão maravilhosa deveria se espalhar para além da Estouro)

Desde então, passei a competir e a frequentá-lo, muito bem acompanhado da minha família de bateção de panela, a famigerada bandinha, a minha tão querida ESTOURO.

Esse sentimento de família se estende a todas as demais participantes, que levam consigo para o Inter a felicidade não só de tocar, mas de estar juntos. Ritimistas, ex ritimistas, os amigos dos ritmistas, a pleteia de onde se vem.

Aí vocês já podem imaginar que não tem como dar errado um momento nesses moldes somados com a estrutura ímpar do INTERBATUC: a tenda, a balada, o alojamento, a praça de refeição, tudo é num complexo só! E normalmente acontece num parque aquático ou em um grande clube que tenha piscina para as pessoas poderem se livrar do calor e se limpar de toda a tinta, toda a sujeira e todo o chorume que tudo indica ser próprio do BATUQUEIRO VAGABUNDO ritimista médio.

O Inter desse ano de 2018 não foi diferente e, falando em plateia, foi possivelmente a maior que já levamos: nossos ritmistas aposentados estavam lá, bêbados e chorando de emoção, nos dando o maior prestígio possível e assistindo à nossa apresentação.

Tocaram nessa edição 22 baterias, que dispensam comentários quanto às suas qualidades, cada uma com as peculiaridades que lhes são próprias, todas carregando consigo o peso da persistência, dos ensaios, dos perrengues do ano todo. Embora todas também imbuídas do prazer em fazer os ritmos acontecerem no palco, fruto da dedicação e do brilho coletivo da união entre os seus integrantes, cada nipe, apito, breque, dança e cor.

Também não consigo aqui deixar de dizer o quão maravilhoso é ver esses méritos mesclados ao longo das apresentações. Num mesmo evento é possível ver o dragão da Ufscar surgir no palco ao som de uma bateria dentro da própria bateria, a criatividade sem fim da Bandida, a perfeição de execução da Infanteria, o atabaque e todas as diversificações da ESPM, isso só para falar das campeãs desse ano, porque se eu tivesse mais espaço aqui, falaria o quão incrível as vinte e duas são.

Por fim, vou finalizar dizendo que a Estouro não escapa desse cenário. Somos incríveis e só a gente sabe o tanto de problemas que enfrentamos para continuar tocando (SOMOS A BATERIA MAIS MATUTINA DESSE BRASIL). O Interbatuc 2018 passou e participamos enquanto bateria e enquanto organização, trabalho de respeito feito pelos nossos atuais diretores. Começou com a garganteria regada à pedrada no ônibus até São Carlos e acabou no domingo, quase logo após nos apresentarmos, com um tempo ainda pra enchermos a cara porque merecemos depois de um dia tenso de espera e concentração.

Tivemos alguns problemas dessa vez? Tivemos, acabamos sendo desclassificados por um erro de burocracia. Mas tocamos felizes e prontos pra seguir em frente, sempre, e juntos, unidos por esse INÊSplicável amor que a gente sente por essa coisa boba que é se unir pra fazer samba e barulho juntos.

POR FIM A FOFOCA

O ócios pediu pra contar, então lá vai: esse ano teve até golpe de hétero ladrão!
O cara simplesmente enganou um de nossos ritmistas, não era adepto dos caminhos do arco-íris e, não contente em ser um embuste gastador de tempo, ainda assaltou o cobertor dele, que o meliante heteronormativo estava usando única e exclusivamente pela bondade e misericórdia de nosso amigo.

Mas é como minha avó dizia: Deus fecha uma porta num dia, mas abre as janelas no outro! E o mundo dá voltas! Cretino.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s