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A demagogia do #elenão e a luta efetiva

Rafael Suzuki – Turma-VII, militante pelo PCO

1) A luta contra o fascismo no Brasil apresenta-se de modo difuso e desorganizado. A esquerda pequeno-burguesa orienta-se à reboque da direita “democrática”, perfazendo a “união” contra o bolsonarismo, o #elenão. O que se pretende colocar para a população é que existe uma luta entre os democratas contra os fascistas, bastando que se vote corretamente para derrotar o fascismo.

2) O que significa o abaixo ao Bolsonaro? #elenão?

Trata-se de uma campanha impulsionada pela direita tradicional que objetiva enfraquecer a candidatura do Bolsonaro, ganhando prestígio sobre essa manobra.

3) Mas o fascismo não é combatido nas ruas?

Sim, pela organização dos trabalhadores, das mulheres e das minorias e não pelo voto a um candidato mais democrático. Os elementos fascistóides da sociedade não desaparecerão com o fim das eleições.

4) E o que é o bolsonarismo?

Ele se compõe de elementos do aparato policial e militar. Então, são setores que estão acostumados com a violência. Servem, então, para impor à força o poder da burguesia, assim sendo, promovem um ataque às organizações de esquerda. O assassinato da vereadora do PSOL, Marielle Franco, os tiros contra a caravana do Lula no Sul e contra os acampamentos Lula Livre em Curitiba, o espancamento de militantes de esquerda expressam a atividade desses grupos.

Importa notar que a direita tradicional manteve-se democraticamente inerte a todos esses ataques contra a esquerda. Para ela, o bolsonarismo, a violência contra a esquerda teve sua serventia até as eleições, porém, pelo presente período eleitoral, a direita opta por rejeitá-lo. Inclusive, importa relembrar, que a vice do Alckmin, Ana Amélia do relho defendeu a chicotada contra os petistas da caravana de Lula que passava no Estado do Rio Grande do Sul. Agora, a esquerda esquece-se desse ocorrido e une-se democraticamente contra o fascismo com elementos apoiadores do fascismo. Isso demonstra a incompreensão da esquerda pequeno-burguesa acerca do bolsonarismo.

5)A luta contra o discurso de ódio é a luta efetiva contra o fascismo?

Não. A luta contra o discurso de ódio faz parte da própria política “democrática” da direita e da esquerda pequeno-burguesa. Para a direita, é um prato cheio, pois não dirige a população a combater efetivamente o fascismo e é demagógico. Para a esquerda, uma política de capitulação.

A esquerda pequeno-burguesa cai no conto demagógico da direita democrática e promove uma orientação política que leva sua base ao matadouro. O PSOL e o PT, quando o Bolsonaro levou uma facada, solidarizam-se com o ocorrido, repudiaram o ato e se posicionaram contra o discurso de ódio. Enquanto isso, em Curitiba, atiraram mais uma vez contra o acampamento Lula Livre e a Guarda Municipal de Curitiba disparou contra o candidato negro a deputado estadual pelo PT, Renato Freitas, enquanto este panfletava nas ruas. Quer dizer que, à época, se solidarizaram com os violentos e agora querem combater os violentos? Isso carece de sentido.

Solidarizar-se com os violentos e lutar contra o discurso de ódio são, portanto,  demagogias.

6) A luta efetiva: formação de comitês de autodefesa.

As organizações dos trabalhadores, das mulheres, dos negros, da comunidade LGBT, da juventude têm por necessidade a formação de comitês de autodefesa para travar uma luta efetiva contra o fascismo a despeito da demagogia inócua propagada pela esquerda pequeno-burguesa desorientada.

A orientação geral para os comitês passa pelo esclarecimento político sobre o que  consiste a luta efetiva e a demagogia.

Construir uma organização capaz  de manter reuniões, imprensa independente para divulgação de material com esclarecimento político e de denúncia, meios de financiamento da organização, por exemplo, pela venda desses jornais e outros materiais, além de promover a expansão dessa organização para diversos setores da sociedade.

7) E as polícias, dá para depositar toda confiança?

Cada caso é um caso, porém, importa trazer alguns exemplos para explicar essa    questão.

A)Recentemente, no campus da USP em Ribeirão Preto, o motorista de um gol branco está ameaçando as estudantes, apontando uma arma e ordenando que as mulheres entrem no seu veículo.

        O caso foi relatado à administração da FDRP e direcionado à polícia do campus.

A resposta da polícia foi que, pela placa informada, tratar-se-ia de um cidadão com     casa e emprego fixo, portanto, de um ‘homem bom’, e que não há com que se preocupar.

B)É oportunidade, também, de lembrar-se de outro caso. Há quatro anos, em 2014, um estudante negro da FDRP estava andando com seus colegas por uma rua do campus quando o motorista de um carro começou a esbravejar xingamentos racistas contra ele. Ao final, o motorista desceu do carro e apontou uma arma contra nosso companheiro que saiu correndo, desesperado, do local. Foi contactada a Polícia Militar e descobriu-se que se tratava de um policial civil, mas nada foi feito contra este elemento fascistóide (vídeo feito pelos alunos da FDRP sobre o caso: https://www.youtube.com/watch?v=JzunbuuC2ZU).

A única conclusão possível é a de que os trabalhadores e a juventude só tem as suas próprias organizações para confiar e fortalecer. Qualquer demagogia não irá prevenir e sequer defender das agressões que sofrem os oprimidos.

Perguntas a um homem bom

Bertolt Brecht

Avança: ouvimos

dizer que és um homem bom.

Não te deixas comprar, mas o raio

que incendeia a casa, também não

pode ser comprado.

Manténs a tua palavra.

Mas que palavra disseste?

És honesto, dás a tua opinião.

Mas que opinião?

És corajoso.

Mas contra quem?

És sábio.

Mas para quem?

Não tens em conta os teus interesses pessoais.

Que interesses consideras, então?

És um bom amigo.

Mas serás também um bom amigo de gente boa?

Agora escuta: sabemos

que és nosso inimigo. Por isso

vamos encostar-te ao paredão. Mas tendo em conta os teus méritos

e boas qualidades

vamos encostar-te a um bom paredão e matar-te

com uma boa bala de uma boa espingarda e enterrar-te

com uma boa pá na boa terra.

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