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O Deus dos Conservadores

Família por Laerte

Por Pedro Liberato (Gugu / Nietz) – TX

No ano de 3021 a sociedade passou por um marco incrível. A humanidade conseguiu estabelecer-se em uma sociedade perfeita e coesa. Não havia mais pobre. Roubo. Choro. Desastre. Dor. Havia apenas paz e harmonia. O homem havia conseguido.
Neste mesmo ano outro incidente ocorreu: o Deus dos Conservadores voltou para buscar seu povo. O Juízo Final começara ali. Após julgar todos os mortos, o Deus dos Conservadores começou a julgar os homens que faziam parte da geração perfeita. O primeiro homem foi Sereno Pinto e esta é sua história diante do tribunal da Santa Inquisição. Perdão! Juízo Final…
– Então.. pelo que tô vendo aqui você vai pro inferno.
– Como é que é?
– Pro inferno… inferno. Inferno, nunca ouviu falar do inferno?
– Sim… mas não faz sentido.
– É que você não fez nenhuma boa ação.
– Mas que boa ação eu ia fazer?
– Sei lá… isso é sua função. Poderia dar esmola para um pobre talvez.
– Mas Deus, acho que o senhor não tá entendendo uma coisa: não tem mais pobre no mundo. A gente criou uma sociedade perfeita. Tá sem pobre, sem doente, os velhinhos não sofrem mais. Não tem quem ajudar.
– Mas aí quebra minha burocracia aqui, entendeu? Eu tô desde Moisés falando da boa ação, ai chega agora em 3021 vocês fazem uma sociedade perfeitinha e querem mudar tudo? Assim não dá entendeu? Assim quebra minha perna.
– Deixa eu ver se entendi: só porque a gente criou uma sociedade perfeita com paz e harmonia em que não precisa mais de boa ação, o Senhor vai mandar todo mundo pro inferno?
– Não é bem assim… Mas raciocina comigo: quando você faz uma boa ação você está colocando um tijolinho no céu, Gandhi mesmo tá com uma puta mansão por lá. Então pra ir pro céu tem que ter construído pelo menos uma casa popular por lá, com uma cozinha decente, um banheiro de boa qualidade, senão vai prejudicar a logística do paraíso, entende? Eu não quero que vocês cheguem no céu e não tenham onde morar. Aí eu tenho que ficar criando Bolsa Paraíso, vai ser uma intervenção estatal pesada que eu quero evitar.
– Você vai mandar pro inferno uma geração inteira que viveu em paz e harmonia? Zero assassinato. Zero estupro. Zero fome. tudo zero.
– Então… tá vendo! Fica querendo fazer as coisas certinhas e dá nisso. Eu tentei ajudar vocês, lembro que mandei um tsunami lá pra criar necessidade. O que aconteceu?
– A gente criou uma tecnologia anti-tsunami em todos os países.
– Tá vendo! Vocês não ajudam a criar a demanda para que possa ter oferta.
– Está dizendo que deveríamos deixar as pessoas sofrendo no tsunami para ajudar uma por uma, ao invés de ajudar todas de uma vez evitando que o sofrimento chegue nelas?
– Eu criei um cara chamado Adam Smith. Você já ouviu falar sobre ele. Essa minha linda criação disse de uma tal “Lei da Oferta e da Procura” e você tem que entender que ela está certa. Vocês precisam praticar o bem, mas aí resolvem diminuir a Demanda, apesar da alta Oferta. Assim não rola. Tem que ter equilíbrio.
– Você tá dizendo que pro pessoal vir pro céu precisa ter gente sofrendo lá embaixo? Porque aí teria Demanda de boa ação pra gente fazer. Isso?
– Sim.
– Tá dizendo que a minha geração errou em ser perfeita?
– Sim.
– Mas por quê?
– Meu filho, se fosse pra ter perfeição lá embaixo eu nem ia chamar vocês aqui pro céu, entendeu? Se for pra ter dois lugares perfeitos vai ter competição, e eu não to afim de livre mercado de paraíso, eu quero monopólio.
– Eu não tô entendendo…
– Deixa eu te explicar: volta pra 2000 em diante. Vamos aí: 2017, pode ser? O que tinha em 2017? Em 2017 o povo ficava cinca horas dentro de carro pra chegar em casa em São Paulo. Era três metros por dia pra chegar no trabalho. Era Ana Maria Braga de manhã. A vida era difícil! Aí chegava domingo, o pessoal ia pra igreja depois de assistir Faustão e acontecia o que? Ficavam imaginando o paraíso, sem trânsito, felizes, com carro do ano na garagem. Aí vem vocês, constroem a sociedade perfeita e acabam com minha logística.
– Então… a intenção não era essa não, a intenção era fazer o que Senhor fala. De amar o próximo e tals…
– Filho, eu botei uma árvore no meio do Éden, com umas frutonas desse tamanho, docinha, e árvore até brilhava! Tocava musica eletrônica naquela árvore, tinha luz neon, tinha até open bar naquela árvore. Aí eu falo pra Adão e Eva não comer. Tu acha mesmo que era pra não comer? Pensa um pouco. Se não come ninguém morre, se não morre vai ter superlotação. Se fila do Bradesco tá grande agora imagina como seria? Tudo tem uma logística pra criar o interesse no consumidor e ele querer o céu! Não é assim do nada “eu quero ir pro céu”.
– Está falando que as cagadas do mundo é pra criar desejo no consumidor?
– Sim…
– Por que isso?
– Quem você acha que é pra ficar me questionando?
– Desculpa… mas é que eu não tô muito a fim de ir pro inferno.
– Você tem moradia no céu?
– O Senhor pode arranjar um pra mim…
– Vem cá, tu tá achando o que? Que eu sou populista? Eu tenho cara de Getúlio Vargas? De Dilmãe? Então saiba que eu sou do time do mérito. Já ouviu falar em Max Weber? Ética protestante e o espírito do capitalismo? Então, eu sou um super fã do Max Weber. Acho que ele tá certíssimo… Curto mesmo é trabalho, mérito, suar a camisa, boa ação, tudo isso.
– Então mas aí fica difícil dialogar contigo porque eu não tô muito a fim de ir pro inferno. Me desculpa aí, porque eu acho até injusto eu ir pro inferno.
– Assim não vai rolar… Não posso te dar passe livre assim entende? Tem que ter feito boa ação.
– Mas você tem certeza? Eu amei o próximo como a mim mesmo…
– Filho, eu não quero idealismo, eu quero trabalho. Você cuidou de algum idoso com caganeira? Você aguentou discurso do Leandro Karnal na TV? Você teve que submeter seus ouvidos ao funk? Então você não sofreu devidamente, não fez boas ações.
– Mas por que tem que ter feito boa ação se meu coração é bom?
– Mais um com essa… Vou te explicar: o Carandiru inteira subiu aqui no céu com essa frase aí. Meu filho, bandido bom é bandido morto. Eu quero mais é que se foda se coração é bom ou ruim. Desde quando coração constrói prédio? Eu quero é gente trabalhadora.
– Então, não rola mesmo?
– Lógico que não. Porra, agora eu vou te explicar bem explicado: tu teve que aguentar viado se beijando na sua frente? Não teve! Teve que aguentar feminista protestando? Porra, você teve uma vida muito fácil! Aí você chega lá no céu acha tudo muito normal e começa a reclamar. Assim não dá.
– Mas não rola do senhor voltar no tempo e criar uma demanda pra gente poder ajudar? A gente tava super a fim de ajudar, mas o contexto realmente não ajudava. Nunca precisou.
– Eu tentei ajudar, mas vocês não aceitaram minha ajuda.
– Tentou?
– Eu ressuscitei o Edir Macedo.
– Você o que?
– Edir Macedo, o bispo da Universal.
– Mas por quê?
– Ele fazia todo mundo dar carro, casa, chacará, mulher, filho, homem, a mãe… aí todo mundo ia ficar pobre de novo, ia ter concentração de renda e criaria uma nova demanda.
– E por que não deu certo?
– Vocês deram estudo pra todo mundo, aí ninguém mais acreditava nele. Por que vocês deram estudo pra todo mundo? Vocês deixaram aquele mundo muito chato! Olha os meus anjos aí, tudo paradão. O Gabriel malhava todo dia, agora nem isso faz mais. E por quê? Porque não tem mais um acidente de carro pra ele ajudar, não tem mais morto na rua, mendigo cheirando cachaça tentando comer gostosa que sai da academia, não tem arrastão, não tem mais nada! Porra, antes Gabriel tinha que ir naqueles concertos de rock ficar cuidando de geral porque dava PT, porque ficava louco. Lembra Gabriel? Aquele show do Slipknot? Aquele foi pauleira… Mas agora aconteceu o que? Tá todo mundo ouvindo Mozart. Esse dias mandei Miguel pra checar como estavam a mente dos jovens e tá como? Todo mundo lendo Dostoiévski, lendo Drummond, lendo Victor Hugo. Onde vocês enfiaram as porcarias? Tá faltando porcaria por lá.
– É que realmente faz bem pro pessoal ler essas coisas… A gente incentivou esse tipo de atividade.
– Cadê as crianças se batendo pra imitar Mortal Kombat? Cadê os tapas na cara? Aí cresce tudo enviadado, um bando de bichas! Aqueles podres daqueles gays que eu odeio, vão tudo queimar rosca no inferno aqueles vagabundos!
– Eu realmente não esperava por essa…
– Tu é gay? Tua geração defende gay? Defende igualdade da mulher? Defende? Se defender vai direto pro inferno.
– Então Deus… só pra saber: quem que vai pro céu?
– Adivinha! Quem fez boa ação entendeu? Quem ajudou pobre. Quem ajudou doente. Quem deu lugar pra dormir pra mendigo. Quem fez essas coisas…
– É que a gente fez tudo isso se for ver. A gente acabou com a pobreza. A gente acabou com as doenças. A gente acabou com a falta de moradia.
– Você não captou o espírito da coisa: não é dar moradia pro mendigo, é fazer ele dormir na sua casa.
– Mas não é melhor dar moradia pra ele?
– Porra, eu tô pouco me fudendo pro mendigo! Não é ele que interessa: é você!
– Que?
– Se fosse dá moradia pro mendigo não vai ter o sacrifício.
– Que sacrifício?
– O de suportar o mendigo… Tem que aguentar o cheiro dela pra valer como boa ação. Tem que aguentar ele cagando no seu banheiro, ele fudendo teu chuveiro de tanta sujeira, tem que aguentar ele olhando tua mulher, querendo comer tua filha. Tem que ter todo esse processo pra ter a validade de boa ação.
– Então pra você boa ação tem que ter sofrimento?
– Sim…
– Por quê?
– Porque eu fico entediado aqui no céu e gosto de ver essas coisas rolando lá na Terra.
– Mas é chato assim por aqui?
– Ah… as vezes sim.
– Mas você podia criar outro mundo. Algo diferente.
– Criar outro? Eu criei vocês, fiz tudo do bom e do melhor, e ainda tenho que ouvir que tudo veio de uma explosão. Isso desvaloriza meu trabalho.
– Desculpa aí…
– Vocês ainda estavam acreditando em Darwin?
– Meio que sim…
– Assim fica difícil… Poderiam ao menos ter usado Lamarck.
– Foi mal…
– Vocês poderiam ter feito tanta coisa… Vocês liberaram o porte de arma?
– Meio que não precisava.
– Como não precisava? Vocês tinham que ter uns assassinos, uns casos de psicose, qualquer coisa. Pelo menos mataram índio?
– Não…
– Por que vocês conservaram índios? Qual a lógica disso?
– Você que fez eles…
– Eu sei que eu fiz, mas eu fiz pra matar. A turma da Europa que foi pra América é superior e tinham que dominar, e pra dominar tudo era nevrálgico que matassem índios.
– Nevrálgico?
– Nem português você sabe?
– Eu sei, mas é que não tem muita necessidade usar essa palavra.
– Tá tentando controlar o vocabulário de Deus?
– Não é bem isso… é que, sabe?, a nossa sociedade não vê muito sentido em usar palavras difíceis só pra aparentar um vocabulário difícil. A gente aprende essas palavras pra ler os clássicos mesmo.
– Quais clássicos?
– Os pensadores mesmo.
– Fala alguns.
– Aristóteles, Nietzsche, Locke, Kant, Focault, Mill, essas coisas…
– Bíblia que é bom nada?
– Tem sim. Aliás a religião que predominou na nossa geração foi o cristianismo.
– E por que não torturaram viado?
– Porque tinha o lance do amor mesmo. Talvez a gente interpretado errado… não sei. Talvez a escrita foi difícil, muito uso da palavra “nevrálgico” ou coisas do tipo.
– Qual time a maioria torcida?
– São Paulo.
– Tá foda…
– …
– Vamos lá: eu não posso fazer nada por você. Você vai para o inferno mesmo.
– Tudo bem, fazer o que? Eu só queria saber uma coisa.
– Fala.
– Quando eu chegar no inferno o diabo vai me perguntar por que eu fui parar lá, certo?
– Sim.
– Eu falo que?
– Fala a verdade ué.
– E qual é a verdade?
– Que você fez porra nenhuma.
Nosso precioso Sereno Pinto desceu até o inferno para conversar com o diabo. Eis a conversa que se ouviu naquele dia.
– Oi.
– Oi.
– Você é?
– Sereno Pinto. Assim me chamam.
– Deixa eu ver aqui… Aqui: Sereno Pinto. Oxe rapaz, aqui tá falando que tu não fez nada de errado.
– É que eu sou dá última geração: aquela que fundou a sociedade perfeita.
– Ah tá… mas então: o que você veio fazer aqui?
– É que Deus não deixou eu entrar no céu.
– Por quê?
– Falta de boa ação.
– Eitah…
– Eitah o que?
– Fodeu pra mim.
– Como assim fodeu pra você? Só eu entrar.
– Mas aí quebra minha burocracia aqui, entendeu? Eu tô desde Moisés falando de pecado, ai chega agora em 3021 vocês fazem uma sociedade perfeitinha e querem mudar tudo? Assim não dá entendeu? Assim quebra minha perna. Raciocina comigo: quando você comete um pecado, você está colocando um tijolinho no inferno, o Lula mesmo tá com uma puta mansão por lá. Então pra ir pro inferno tem que ter construído pelo menos uma casa popular por lá, com uma cozinha decente, um banheiro de boa qualidade, senão vai prejudicar a logística do inferno, entende? Eu não quero que vocês cheguem no inferno e não tenham onde morar. Aí eu tenho que ficar criando Bolsa Capiroto, fica super desconfortável, vai ser uma intervenção estatal pesada que eu quero evitar.
– Eu realmente não sei o que fazer por você. Que tal você marcar uma reunião com Deus? É que vai ter muita coisa pra você resolver com ele. Essa última geração realmente acabou com a logística de vocês.
– Última geração?
– Sim, a geração da sociedade perfeita.
– Ah sim… como vocês fizeram isso?
– Há um longo processo histórico por trás.
– Ah sim… mas enfim, teremos que ver isso. Eu tô com problema de locação de espaço. Só o pessoal da Idade Média veio um monte para cá. Não tá tendo espaço por enquanto. Queria muito te por aqui: Marx mesmo ia adorar te ouvir.
– Marx está aí?
– Sim…
– É verdade, Deus disse pra mim que curtia Weber.
– É isso aí…
– Mas não vai rolar mesmo?
– Eu tô olhando sua ficha aqui: não teve uma orgia, nem mesmo um assassinato, ou mesmo uma mentirinha de leve. Nada de traição. Nada de avareza. Nada de sexo com animais. Nada de votos no PT. Antes Deus mandava pra cá quem assinava Carta Capital, mas agora nem tinha. Eu realmente não sei o que fazer.
– Que tal você me colocar na mansão do Lula?
– Não dá. Deus me proibiu de fazer Reforma Agrária.
– Ah… está explicado. E o que vocês vão fazer com a gente?
– Realmente não sei. Vai ter que chamar Deus aqui pra gente conversar.
Sereno Pinto sentou na recepção do inferno enquanto olhava algumas mulheres dançar. Na sociedade perfeita não tinha puta. Enquanto isso, o Deus dos Conservadores e o diabo começaram a discutir acerca do fim para se dar a esta geração. Aqui consta o relatório da conversa e a conclusão do aue foi feito.
– O que faremos com essa geração?
– Aqui em cima não fica.
– Lá embaixo também não.
– Por quê?
– Porque não tem espaço.
– Aqui têm, mas não posso aceitar. Seria injusto.
– Então… a salvação não era pela fé?
– Como assim?
– Aquela coisa de João 3:16.
– Tá louco?
– É que o Senhor falou isso. Tá na Bíblia.
– Os caras pararam de comer carne de porco? Não. Falaram que era “interpretação”. Então eu posso interpretar isso como eu quiser. Quero interpretar que essa parte não era bem assim, e agora? Eu faço desse jeito e pronto.
– É que aí fica difícil.
– Difícil fica eu aceitar aquele bando de esquerdinha de merda aqui.
– Mas Deus…
– Fala.
– Na sociedade perfeita que criaram tinha desigualdade. Só não tinha pobreza, mas tinha desigualdade.
– Tinha? Tinha. Mas cadê pancadaria? Pra sociedade ser perfeita tem que ter PM batendo em preto. Aqueles preto de bosta que amaldiçoei! A África foi amaldiçoada por mim! Eu queria matar tudo aqueles preto de bosta!
– Então por que criou?
– Ei, eu que sou Deus aqui.
– Tudo bem… mas diga: o que vai fazer?
– Mandar eles de volta para a Terra.
– Como assim?
– Como assim que eles vão voltar para a Terra.
– E vão fazer o que lá?
– Quero criar um campo de guerra.
– Pra que fazer isso?
– Eu quero. Mas não vai ser todo mundo.
– Como assim?
– Eu vou aumentar o tamanho do céu e colocar quem é branco lá. Quem for gay, preto ou mulher vai ficar na terra sem comida até a morte.
– Mas qual a boa ação dos brancos? E qual o pecados dos negros, gays e mulheres.
– Os brancos serão beneficiados por ter civilizado os demais. As mulheres têm que ser submisso ao marido. Mulher só serve pra sexo e elas ficam trabalhando. Negros têm o pecado de serem amaldiçoados.
– E os gays?
– Os gays serão punidos porque eu mandei procriar e órgão excretor não procria.

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