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Quanto a cultura importa para você?

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Duda Hidalgo (Moema) – TX

Apesar de Gustave Fraipoint e os Simpsons terem, supostamente, premeditado o incêndio na catedral de Notre-Dame, o mundo foi surpreendido dez dias atrás. A Catedral de Notre-Dame, em paris, um dos monumentos mais visitados do mundo, ela recebe, por ano, 13 milhões de visitantes, mais do que o dobro do total anual registrado no Brasil. A igreja perdeu parte de seus tesouros artísticos e religiosos por causa de um incêndio que, em 14 horas, pôs abaixo 850 anos de construção.

 O incêndio  foi tratado com pouca importância até o momento em que as chamas tomaram por completo a extensão horizontal do telhado da Catedral, e, as imagens do incêndio já em grande dimensão estavam viralizadas pelo mundo via redes sociais.

Até o presente momento, a hipótese do acidente de trabalho é a única a ser insistentemente privilegiada por toda a imprensa, contudo, há quem acredite que trata-se de um ataque terrorista de baixa intensidade, dentre outras teorias.

Horas depois de um incêndio atingir a Catedral de Notre-Dame, empresas, milionários franceses e até uma cidade húngara haviam se mobilizado para contribuir com a reconstrução do monumento histórico, tendo juntado a quantia de R$ 2,6 bilhões em menos de um dia após o ocorrido. Um grande contraste quando comparado ao incêndio do Museu Nacional, que passados sete meses da tragédia, o museu contabilizou um total de R$ 1,1 milhão em doações para reconstruir o edifício histórico, que serviu de residência para a família real portuguesa de 1808 a 1889 e hoje é considerado o maior museu de história natural e antropológica da América Latina e a instituição abrigava mais de 20 milhões de itens, de relevância mundial.. 90% desse montante veio de doações feitas por pessoas físicas. Apenas R$ 15 mil tiveram origem em empresas. Os maiores doadores foram o governo alemão, com cerca de R$ 800 mil, e o consulado da Inglaterra, R$ 150 mil.

Lado a lado, as situações talvez ilustrem a diferença entre França e Brasil no que diz respeito à valorização de seus patrimônios histórico-culturais, e além disso doações como a de 10 milhões de euros (cerca de R$ 44 milhões) realizada pela bilionária brasileira Lily Safra (família proprietéria do Banco Safra) para a reconstrução da Notre-Dame evidencia a falta de engajamento semelhante na ajuda ao Museu.

A triste realidade é que cada vez mais investimos menos na cultura nacional tendo PIB cultural de 2018 equivaleu a 0,7%, não só para sua preservação, mas também para sua manutenção, gerada pelo pouco reconhecimento da importância de se conhecer e preservar na memória as raízes culturais regionais combinada ao comodismo e esquecimento.

No fim, vemos os projetos culturais morrerem, orquestras encerrando a suas atividades, teatros sendo desativados e mesmo assim quedamo-nos silentes. Mas basta um tragédia acontecer na europa que os brasileiros se mobilizam, postam em suas redes sociais e lamentam as perdas de outrem, por na teoria entenderem a dimensão do prejuízo, mas não reconhecem o que ocorre no seu próprio território.

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