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A ARTE DE DEUS

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Por Pedro Liberato (Nietz) – TX

 

Linda arte é a vida. Seria ela uma arte barroca? Poderia eu classifica-la como clássica, romântica, realista. Ou poderia colocar nela todas as escolas unidas em um único pincel. Na vida há a fiel representação da realidade, há o conflito entre o céu e a terra, há os luares idealizados e as realidades cruéis.
Não são representações da realidade, não são críticas a crueldade, antes é a própria crueldade em sua forma mais pura. Na vida está a indiferença em sua mais simples e encantadora forma. Na vida está a existência. A existência que precede a essência, a necessidade, a lógica. Na vida há a vida na sua forma de vida.
Feito um pássaro queimando que pensa ser fênix o homem corre por este quadro de um lado a outro. Tenta encontrar-se nele, recriar-se, buscar seu encaixe. Sem entender a beleza ínfima, pouca e inútil de ser arte: ser arte é poder ser tudo e nada ser. Este lindo quadro em três dimensões e dinâmico chamado vida para nada serve, é antes a sua inutilidade que o torna passível de se tornar tudo.
Veja a obra de Delacroix: a Liberdade pensa estar lutando, ela cre fielmente que está a conquistar a justiça na França, mas não está. Ela não passa de tinta. Ela, como todas as coisas, são apenas átomo e vazio. Pois o homem, de igual forma, pensa estar cumprindo seu papel, pensa que seu trabalho mudará o mundo.
O mundo, meu caro humano, é um fluxo de matéria que se diverte enquanto você corre. Pois corra! Corra para que alguém do lado de fora se divirta com este quadro que deve estar exposto em algum museu, onde cada deus apresenta seu mundo, sua obra.
Fomos premiados? Ou fomos cuspidos como o pior dos universos já criados? Nosso deus é um bom artista ou um sádico ou apenas uma crítica aos erros de seu próprio mundo? Deixa Deus fazendo seus mundos e Da Vinci fazendo seus quadros, enquanto isso serei apenas um ponto de tinta insignificante neste monstruoso quadro. Ninguém me notará, ninguém prestará atenção em mim, pouco me importo. Sou um detalhe, sou a silhueta apaga que fica na incógnita. Ficarei aqui, no subúrbio da arte, no quarto escuro, cumprindo meu perfeito papel de não ter papel.

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