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Do idílico ao itálico: qual a importância do esporte universitário?

atlética texto 1
Acervo Associação Atlética Acadêmica Casa 7

Por Matheus Scussel (Multa) – T X

O início do esporte minimamente organizado, ponderando-se como tal os Jogos Olímpicos da Antiguidade, teve – muito além do misticismo que envolvia o evento – caráter fundamental para o desenvolvimento de uma paixão comunitária pela competição. Por meio da possiblidade de acompanhar familiares e amigos próximos representando suas respectivas localidades em nome dos deuses, a Civilização Grega fecundava também uma das sementes mais prazerosas do esporte: a representação de um ideário coletivo por meio dos atletas. Ainda que os Jogos fossem uma festa para os deuses, os indivíduos que ali se destacavam eram imortalizados aos olhos divinos, recebendo os louros da fama, méritos que subjetivamente estendiam-se àqueles que o acompanharam numa trajetória idílica de superação.

Dessa forma – em meio a um contexto evolutivo que distanciou gradualmente o caráter místico ligado às competições e agregou ao esporte uma abordagem mais humanista e, muitas vezes, civilizatória – a ocorrência da incorporação da coletividade por meio da prática desportiva, ainda que com breves hiatos de oscilação, perdurou intensa ao longo dos séculos até a Idade Moderna. Prova cabal disso, sem a necessidade de tentar-se resumir milênios de História acerca do tema, foram os diversos conflitos que influenciaram e foram influenciados pelo esporte no Século XX. É impossível traçar uma retrospectiva justa dos maiores acontecimentos esportivos do último século sem mencionar a importância do futebol proletário no início dos anos 1900 para a união das camadas menos abastadas da população inglesa, os ouros olímpicos de Jesse Owens em Berlim (1936), os gritos de “se va acabar, se va acabar, la dictadura militar” no estádio Centenario do Uruguai durante o Mundialito (1981) e a comemoração das mulheres em Teerã – sem burca – pela classificação do Irã para a Copa de 1998 na França.

Percebe-se, portanto, que por meio da sistematização da disputa, tendeu-se à conquista de um satisfatório equilíbrio entre o intenso instinto humano pela competição e a rivalidade civilizada.

No entanto, como nada pode ser perfeito, muitas vezes este equilíbrio se abala pela ambição de alguns indivíduos envolvidos com os bastidores da prática desportiva profissional. Numa procura cega pelos resultados, frequentemente relacionados a interesses puramente particulares, estes recorrentemente escrevem e releem os mínimos detalhes dos regulamentos redigidos em itálico e tendem a abstrair os mais divertidos momentos do jogo, relacionados intimamente com a paixão que uma torcida exprime, por meio de gestos e rompimentos parciais das cordas vocais, pelos times e pelos atletas. Nas palavras de Eduardo Galeano, escritor uruguaio, no livro “Futebol ao sol e à sombra”: “O gol é o orgasmo do futebol. E, como o orgasmo, o gol é cada vez menos frequente na vida moderna”.

Diante desse cenário, qualquer ambiente que apresente a possibilidade de cultivar o referido sentimento de coletividade já se mostra um agradável refúgio aos apaixonados pelo esporte, além de sempre propiciar recepção calorosa aos curiosos pelo que acontece dentro dos limites impostos pelas linhas das quadras e dos gramados.

E é dedutível a dificuldade de se encontrar local mais oportuno para isso do que no âmbito universitário. Defendemos interesses similares, temos espaço para debatermos o que há de incongruência e, assim, podemos entoar um mesmo canto.

Os que já conhecem essa realidade sabem que dificilmente haverá prazer maior na graduação do que representar o nome de nossa faculdade, seja dentro da competição, seja na torcida.

Por causa disso, o presente texto visa inaugurar uma coluna da Associação Atlética Casa Sete em parceria com o Ócios de Ofício que exaltará a importância do Esporte no contexto universitário. Aqui, discorremos sobre o desempenho dos nossos times nos campeonatos atuais, relembraremos grandes conquistas do passado e daremos voz a todas e a todos que conhecem ou visam adentrar este maravilhoso universo.

Que seja dado o apito inicial.

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