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Não existe amor em Ribeirão

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Tamiris – TXII

Desde pequena sempre tive essa adoração pelo mar, talvez por ter me envolvido muito nova com as músicas de Dorival Caymmi ou porque as minhas melhores lembranças de infância são dentro dele. Fazer analogia do amor com o mar não é apenas um jogo de sonoridade, muito menos uma letra de música de Gil, é só minha pieguice unida com minha vontade de falar. O amor, não o amor erótico, ou amor fraterno, só o amor, sabe? Pura e simplesmente esse sentimento meio dicotômico por natureza que alimenta um pouco da humanidade que ainda existe dentro do homem pós-moderno (atraente x repulsivo; perigoso x tranquilo; profundo x raso; quente x frio; vivo x morto). Não há como não amar o mar, e nem não marejar com o amor. Mas…

(Pausa longa e dramática)

– Não existe amor em RP, e como poderia haver? RP está muito longe do mar. Não há geografia o suficiente para levar uma brisa morninha para a nossa Califórnia. Queria eu sentir um pouquinho o cheiro do sal, queria eu me sentir mais aquecida.

Ao chegar em Ribeirão Preto Law School (Fear the Bull!) o que me impressionou foi a quantidade de verde no prédio de arquitetura refinada (nem toda prisão deve ser feia, né?), afinal de contas, não há forma mais sustentável de preencher os corredores com vida. Posso aqui também falar das lágrimas diárias que se vê rolando escondidas pelos banheiros, pelo estacionamento, pela biblioteca, pelas salas… – Confesso, eu menti, há cheiro de sal- E agora, José?

(Pausa curta, personagem com olhar questionador)

– Quantas vezes você já parou para pensar que depois, com o diploma na mão, você irá definir o caminho de vidas tão diferentes, tão multicoloridas, e que, agora, você mal tem a capacidade de estender o braço para seu colega que está em sofrimento? Amor, conhece? Não estou falando aqui do amor de amante, nem de amor de corno, muito menos de amor de comédia romântica, só de amor de gente, amor de mar, daqueles que te envolvem, te abraçam, te confortam, como quando você se deixa boiar sobre a correnteza, sabe? Amor! Essa singularidade compartilhada por todos e sentida individualmente. Essa coisa que faz a gente ser muito melhor do que gostaríamos de ser. Essa parte da alma que a gente mata intencionalmente, todos os dias, em prol de sei lá o quê, em nome de não sei quem, para alcançar objetivos que ninguém sabe de onde vieram.

Não há amor em RP, é demasiado longe… É difícil! Continuemos a estudar. Sem abraço. Sem vida. Sem mar.

 

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