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O diabo veste Prada

o diabo veste prada

Por Flávia Gomes (Dora) – T XII

Se você viu / leu “O Diabo Veste Prada” só por lazer mesmo, provavelmente acha que é só mais um romance sobre uma garota qualquer que trabalha em uma empresa de moda. E, até aí, tudo bem. Mas acredite em mim quando digo que o tema menos principal do livro é esse. Sério.

De início, somos apresentados a Andy Sachs, recém-formada em jornalismo, desempregada, com o sonho de escrever para um jornal sério. Como a vida de todo mundo é cheia de imprevistos, Andy é chamada para ser assistente de Miranda Priestly, editora-chefe da Runway, nada mais nada menos que a maior revista de moda do mundo. É aí que ela é jogada nesse meio que não a interessa, numa revista que ela nunca abriu, sendo assistente de uma pessoa que ela nunca ouviu falar, mas, aparentemente, todos veneram.

No meio de tiradas sarcásticas sobre o mundo ao seu redor, milhões de grifes e mulheres magras, surgem os três assuntos que, para mim, definem o livro: o mundo opressivo da moda, a adaptação ao meio e como as decisões que tomamos afetam nossa história.

É muito claro como tudo no livro se molda a “ditadura de Miranda”: as pessoas vestem o que ela aprova, comem o que ela come, andam como ela e até usam um lenço Hermès pendurado em alguma parte do corpo, como ela. No livro, a ditadura pode até ser de Miranda, mas funciona para o mundo da moda no geral. É toda uma empresa, composta por centenas de funcionários, que se vestem exatamente da mesma maneira, possuem o mesmo corpo, pensam da mesma forma. Andy é, a princípio, o peixe fora d’água que precisa entrar no molde. Em 2003, Lauren Weisberger já denunciava a opressão estética que a sociedade e alguns ambiente, nos impõe.

o diabo veste prada 2

O objetivo de Andy é muito claro: sobreviver um ano na Runway para conseguir a experiência necessária para trabalhar onde quiser. É por isso que ela aceita os pedidos mais loucos de Miranda – desde achar um móvel qualquer em uma loja que Miranda viu quando estava no carro, loja essa que ela não sabe o nome nem a rua que fica, até arranjar duas cópias do novo livro de Harry Potter, quem nem ao menos tinha sido lançado, para as filhas dela. Só que para fazer isso, Andy precisa se encaixar.

E quanta vezes não fazemos isso? Quantas vezes não nos vestimos de certa maneira, nos comportamos de certa maneira, só porque alguém disse que assim devia ser? Quantas vezes não nos calamos diante de situações que não nos sentimos bem, pelo simples fato de querer impressionar alguém? Quantas vezes nos forçamos a nos encaixar em um local, um grupo que não nos faz bem?

Andy se adequa ao meio. Mas se adequa tanto, que chega ao ponto de não se reconhecer. É aí que ela se faz uma pergunta fundamental: toda a mudança vale mesmo a pena? Ter sucesso na carreira compensa perder a si mesmo? Andy chega a conclusão que não, e manda, literalmente, Mirada ir se *****.

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