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Representatividade feminina no esporte

 

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Por Larissa Veronesi (Gafe) – T XI

É certo que, para nós, mulheres, sermos tão bem-sucedidas como os homens ou tão prestigiadas quanto eles exercendo um mesmo cargo, é preciso que nos esforcemos mais do que eles, enfrentando, inclusive, maiores preconceitos e menores salários. Abrimos mão de mais coisas por isso, às vezes, até mesmo de nos casarmos ou termos filhos. E no esporte, a necessidade de maior engajamento da nossa parte para termos maior visibilidade não é diferente, mais ainda quando este é um território socialmente convencionado como “para homens”. A exemplo do que ocorre no universo esportivo, enquanto a primeira copa de futebol masculina teve sua primeira edição no ano de 1930, o mesmo campeonato, em sua versão feminina, foi transmitia pela Rede Globo pela primeira vez neste ano de 2019, com muito esforço, ainda, e quase que com um século de atraso.

O problema não se reflete somente no que se refere às mulheres como atletas. O fato também é presente nas esferas administrativas e técnicas do esporte, espaços ainda bem mais dominados por homens, seja pela sociedade ainda enxergá-los com força de maior autoridade ou por julgar o locus esportivo como algo masculinizado. A emancipação feminina, nesse sentido, ainda tem muito a caminhar.

Por curiosidade e para fundamentar os dizeres, os números estão aqui para confirmar o que é fato perceptível aos olhos. Em 2012, no Comitê Olímpico Internacional, as mulheres respondiam por cerca de 19% dos seus membros, apenas. Nos órgãos executivos dos Comitês Olímpicos Nacionais existentes no mundo, elas ocupavam 20,5% do efetivo e nas federações internacionais esse número era de 17,6%, no mesmo ano.

Indo mais afundo, estudos explicam esse fenômeno pela metáfora do teto de vidro, que corresponde a uma barreira quase que imperceptível e que dificulta a ascensão de mulheres aos cargos de chefia ou hierarquias superiores (em qualquer área), além de mostrarem que a baixa atuação de mulheres no âmbito esportivo no Brasil ocorre devido a um complexo de fatores. Destaca-se como determinantes a falta de oportunidades para inserção e promoção feminina nas carreiras e os obstáculos existentes que incidem na permanência de mulheres nesses postos, como o tratamento preconceituoso.

Depois de contextualizar o que ocorre no mundo, dispõe-se os fatos à realidade federpiana. A Atlética Casa Sete busca tratamento mais isonômico possível, obtendo como resultados um grande desenvolvimento dos times femininos – entre eles, grandes títulos – além de mulheres na gestão exercerem cargos importantes tanto quanto os homens (vale destacar a figura feminina da presidência atual, Plena). O basquete feminino, a título de exemplificação das nossas conquistas, foi campeão do Intracampus em 2018; o futsal feminino obteve o mesmo título em 2015; o hand, por sua vez, fez seus dias de glória em 2014 no Intracampus e em 2018, quando ficou em primeiro lugar da terceira divisão no CIA; até nas modalidades individuais, com o atletismo feminino, que conquistou segundo lugar no revezamento da LUP, e a natação, que obteve o primeiro lugar do revezamento no Intracampus 2018.

No entanto, em meio à minimização da exteriorização do machismo na área, nem tudo ocorre de forma tão perfeita e segundo o planejado. Jogos femininos costumam ser tratados com olhares diferentes, seja por parte da arbitragem ou mesmo de treinadores comuns, junto ao apuro de terem que lidar com comentários depreciativos. Ademais, as partidas masculinas ainda contam com maior participação da torcida, apesar de nossas meninas se empenharem tanto quanto os meninos em prol dos resultados, e faz-se mais alarde quando há o retorno do que tanto se treinou nas equipes masculinas, em comparação do mesmo ocorrido quando falamos das meninas. Os atletas masculinos me parecem ser mais prestigiados pelos alunos em si. Ou seja, há a necessidade, ainda, de dar maior apoio às nossas jogadoras. A faculdade inteira precisaria estar empenhada na busca por mais equidade neste ambiente, valorizando e apoiando o esporte feminino.

E é por isso que se torna importante que nós, alunas, busquemos nosso espaço na área, seja treinando com toda nossa dedicação, ou ocupando cargos administrativos das entidades. Nossa própria representatividade nos dará o poder da mudança que ainda precisa ser feita, e a sororidade para com as companheiras nas quadras e arquibancadas também fará toda a diferença. Esporte é, sim, coisa de mulher, e vamos à luta pelos nossos objetivos.

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