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Resenha: “As Vantagens de Ser Invisível”

as vantagens

Por Flávia Gomes (Dora) – T XII

Se você é/foi adolescente/jovem no século XXI, tenho certeza que, pelo menos uma vez na sua vida (se não muitas), se sentiu dominado pela ansiedade, ou então passou uma semana sem o mínimo ânimo nem para levantar da cama ou ainda sentiu que todo o peso do mundo estava nas suas costas. Tudo bem. Charlie também já sentiu tudo isso.

“As vantagens de ser invisível” nos apresenta Charlie – um típico garoto de 15 anos que não sabe se enturmar direito, está amadurecendo e explorando as possibilidades da adolescência e sofre todos os dias com uma instabilidade emocional pulsante. E é exatamente para tentar se entender e, mais ainda, conseguir colocar para fora toda essa bolha angustiante de emoções que Charlie começa a escrever cartas anônimas para um amigo inexistente sobre tudo que se passa na sua vida.

“Então, esta é minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim.”

É a partir daí que Stephen Chbosky, autor do livro, nos leva a compreender a mente de um adolescente que convive, todos os dias, com traumas, ansiedade e depressão. Não, Charlie não vive triste, chorando por aí ou trancado dentro de seu quarto ou qualquer outro estereótipo que seu cérebro possa imaginar sobre alguém que lida com depressão e ansiedade. Apesar da sua característica anti-social, Charlie convive normalmente com sua família, frequenta o colégio, e, logo no início do livro, acaba ficando amigo de Sam e Patrick.

Charlie é doce, altruísta, um amigo fiel, extremamente inteligente e inocente. E depressivo. E ansioso. E traumatizado – seu melhor amigo se suicidou recentemente e sua tia, que abusava sexualmente dele quando criança, tinha acabado de falecer. Em tempo, a figura do personagem principal nos faz refletir sobre o quão pouco nós sabemos da realidade do outro – pelo o que as pessoas passam, as coisas que os marcam, a dor com que lidam. Mesmo que a pessoa viva sorrindo no dia a dia. Ou respondendo sempre “tudo bem” quando você pergunta “como vai?”. O próprio Charlie pensa sobre isso:

“As pessoas nas fotografias sempre parecem um pouco mais felizes do que você.”

E elas parecem mesmo. Mas nem sempre são. E tudo bem se não forem, também. Tudo bem se você não for feliz sempre, também. Normal. Ninguém é. Charlie nos mostra que mais do que fingir estar sempre bem e feliz, precisamos lidar e lutar contra aquilo que está nos fazendo mal todo dia, até que não precisemos mais fingir por aí. Mais do que isso – Charlie nos demonstra que tá tudo bem em mostrar nosso lado “não tão bem” para os outros, e conseguir ajuda para passar por isso – seja de amigos, familiares, profissionais. Porque todos passamos por subidas e descidas e não tem pra que fingir que isso não acontece.

“Então, eu acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas”.

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