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CRÍTICA DE “APKÁ!”, CÉU

WhatsApp Image 2019-09-26 at 12.09.55.jpegThadeu Vilas (Amante) – TXII

Céu é uma artista que sempre gostou de reinventar sua obra. Passeou pelo brega e reggae nos discos iniciais e chegou na eletrônica inspirada pelo pop dos anos 1970 em Trópix (2016). Em seu mais recente lançamento, a artista paulistana seguiu em uma linha parecida do álbum de 2016, porém ampliando seu campo conceitual.

O disco começa de uma forma simples e tímida com Off (Sad Siri), uma canção que vai ganhando camadas e mais camadas conforme progride e que possui uma poesia mista de sentimentos, em que saudade e ressentimento estão presentes simultaneamente.

Em seguida, somos apresentados a uma das faixas mais interessantes do álbum: Coreto. Com um instrumental composto por sintetizadores precisos, batidas minimalista e um leve ruído, a canção parece ter sido resgatada de décadas passadas. Já sua letra representa as dúvidas de um amor incerto, que ajuda a criar uma atmosfera crescente na música, que explode com a chegada do refrão.

Apesar de o gosto pelo passado ligar APKÁ! à Trópix, o atual trabalho diferencia-se devido a sua versatilidade. Céu flutua por diferentes estilos musicais ao longo do álbum, porém tal variedade não gera a impressão de uma colcha de retalhos devido à presença de certos elementos responsáveis por fazer a coesão entre as faixas {como o sintetizador}. Por isso, a transição do pop rock de Forçar o Verão para a alternativa Corpocontinente e desta para a tropical Nada Irreal não estranha a audição dos ouvintes. Apesar de explorar tantas temáticas diferentes, Céu consegue eficientemente colocar sua imagem em todas elas, porém há aquelas faixas que simplesmente gritam a imagem da cantora, que são Rotação e Ocitocina (Charged). Porém, ainda há espaço para certos experimentalismos, como é caso da última faixa do álbum Eye Contact, que foi produzida por Kondizilla.

Em relação há poesia, assim como os ritmos, Céu não se limitou conceitualmente. Maria passeia por diversos sentimentos, como a dúvida gerada por um amor que não deu certo em Coreto – “Eu prometi não estremecer mais / Teu coração já nos provou não ter sustento / Pra suportar a erupção” -, a saudade de Corpocontinente – “Vai lembrar do que chamamos de ‘nos tornar um’ / E a saudade só se faz / Quando a soma de dois / Resulta em um sentido só pra nós”), a sensação gerada pelo começo de um novo amor em Rotação – “ Quero dançar pra você / Quero girar e sentir / Tudo ao redor se mexer / Quero girar e cair / Sem sentir que isso é perder / Não quero ter que acertar” -. Com algumas poesias mais diretas e outras psicodélicas (como as de Ocitocina e Nada Irreal).

Céu entregou mais uma vez um trabalho completo e delicado, com uma sonoridade capaz de transportar o ouvinte para outra realidade e com letras que podemos nos identificar facilmente. Com algumas pérolas como Coreto, Rotação, Ocitocina e Pardo, “APKÁ!” é uma obra densa, mas muito palatável e capaz de agradar as mais diversas pessoas.

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