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Sobretons sobre a Insônia

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Anônimo

Já faz três dias que não durmo. Antes disso, repousava por algumas horas e levantava em seguida. Estou agitada. Meu cárcere é insuportável, entretanto sempre encontrava um pouco de calma. Nesse momento tudo que escuto é silêncio. Não tenho a menor noção há quanto tempo estou nesse Estado. Está sempre tudo imparcial, claro, inocente… branco. O caos me perturba e eu estou tão cansada, leitor. Tentei me exaurir fisicamente. Mentalmente eu já estou exausta. E não durmo, e não durmo, e não durmo, e os poucos momentos que encosto os olhos tudo grita desespero.  Não tenho o que fazer. Acabaram meus propósitos e tudo está branco. Ansiosamente acordada. Desesperadamente consciente.

Eu não sei se é algo puramente psicológico ou se realmente a insônia anda me perseguindo nessas noites quentes que estamos tendo. Não sei se eu passo por uma fase de incertezas e desequilíbrios nas minhas relações, mas eu tenho para mim que há certos pensamentos que me afligem. Ando pensando muito em reciprocidade sentimental, pensando muito num choque de emoções imensos que não conseguem ser contidas na minha frágil mentalidade de alguém diariamente ocupado. Eu sinto que sou egoísta por me sentir tão sozinho quando sou rodeado por amor genuíno das pessoas que eu também amo.

Acontece que eu tenho pensado em reciprocidade. Eu tenho pensado que estamos sozinhos independentemente de quem nos mima e acaba dormindo ao nosso lado toda noite. Há algumas relações que simplesmente cobram e trazem um peso de responsabilidade que é muito bom, até uma das partes parar de sentir que existe essa responsabilidade. A partir disso, vendem-se as suas forças emocionais que, muito antes de você perceber essa dinâmica, se torna extremamente tóxica e acaba sufocando a parte que mais se entrega ao laço. Perceber é um processo triste, um processo doído que simplesmente não traz nenhum sentido para mim, até porque agora eu percebo que ou levo para frente essa relação e continuo me machucando com os meus sentimentos não conseguindo alcançar o outro, ou eu me afasto. Sinceramente, afastar-me já se tronou algo natural.

Meus argumentos são tão frágeis e eu estou sem condições de fazê-los mais rígidos.

Agora, estou em cárcere no que parece ser minha própria cabeça. Estou presa e não consigo sair do controle dos meus pensamentos intrusivos. Isso me deixa louca. Eu que não costumo sentir saudades, sinto falta da minha liberdade, do sol batendo pela janela que escurecia, de alguma forma, o quarto. Sinto falta de dormir me sentindo segura, sem medo. Sinto falta de escutar música alta enquanto dirijo com um conhecido pela cidade sem ter horários. Sinto falta de escrever em uma sexta feira à noite e de não ter que me esforçar para fazer qualquer coisa, minha vontade trazia tudo que eu precisava em minhas mãos. Sinto falta do amor e do ódio intensos. Sinto falta da poesia que nos meus sonhos construía. Sinto falta da chuva, mesmo que sempre fechasse as janelas quando ela aparecia. Sinto falta de alguém que não consigo nem lembrar mais, alguém me apresentou às canetas tinteiros e aos filósofos humanos desde pequenina. Sinto falta de brigar por motivos fulos com pessoas que se importavam. Sinto falta. Eu me convenci que não precisava de ninguém para viver bem, mas nesse cárcere eu vejo o quanto isso era inverídico. Odeio com todas as minhas células depender de alguém, mas parece ser inevitável. Vivi muito tempo sem razão, mas não sem pelo menos uma pessoa que sabia meu nome. Isso tudo soa sentimental e até contradição ao meu personagem. Talvez seja. Eu não esperava escrever isso em uma hora dessas. Talvez uma força maior queria desabafar através de mim. Nem discuto mais a esse ponto.

O viver em sociedade é exaustivo, mas talvez seja a única forma que o ser humano encontrou de ser racional e não querer se matar a qualquer instante. Aceitar um terceiro não escapa do nosso próprio medo da morte. Peço desculpas pela parada abrupta no seu dia. Não que eu deva satisfações para o leitor ou para qualquer um. Apenas soou adequado.

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