Política nacional · Política Nacional e Internacional

Lula Livre! E agora?

lula

Por Lucca Vinha (Jejum) – TX

Após histórico julgamento em que o STF decidiu que sabe ler, Lula está de novo nos braços do povo! Lula está livre! O que podemos dizer sobre a maior vitória da esquerda brasileira nos últimos anos? A posição do PT de dar prioridade a essa pauta estava mais que correta; essa é uma derrota para a chamada “onda azul” na América Latina tão importante quanto a volta do peronismo na Argentina; a oposição volta a ter liderança.

Desde a prisão de Lula, não é segredo que a pauta principal do Partido dos Trabalhadores é sua liberdade. Esse posicionamento gerou amor e ódio. Amor daqueles que entenderam a conjuntura que o país passava e, portanto, sabiam que a única forma de combater o avanço conservador no país era com Lula nas trincheiras. E ódio daqueles que, se dizendo de esquerda, focavam seus esforços apenas em superar o PT, mesmo que isso significasse fortalecer essa onda conservadora.

“Ficar gritando “Lula Livre!” não leva a nada”, pois bem, Lula, mesmo preso, liderava todas as pesquisas presidenciais, muitas das quais indicando vitória em primeiro turno. A defesa de sua liberdade nunca fora apenas para que ele pudesse sair da prisão, mas para que toda essa força política, do principal agente político do país, estivesse novamente na linha de frente da oposição. É luta para que a oposição possa realmente fazer oposição, colocando pessoas nas ruas, sendo pauta na mídia e nas redes sociais, levando esperança novamente para o país. Lula livre é, e sempre foi, a única possibilidade de a esquerda estar novamente com condições de representar seu papel perante a sociedade.

Apesar das críticas e do desgaste político, o PT nunca abandonou essa pauta, e hoje fica claro que esse foi o principal acerto do partido desde a campanha de 2014. Também fica claro o oportunismo de uma “esquerda” que estava disposta a sacrificar a sua principal arma se isso significasse um pedacinho maior do eleitorado e do seu poder político. São golpistas, lavajatistas e, felizmente, quebraram a cara.

Mas não só de Brasil vive a política! Lula é tão relevante politicamente falando que tudo que diz respeito a sua vida transcende barreiras nacionais. Não é segredo que a esquerda vinha sofrendo derrotas estratégicas na América Latina, movimento que ficou conhecido como “onda azul”, assunto este já analisado nesta coluna. Mas, de uns meses para cá, a esquerda tem se reorganizado e retomado esse espaço perdido. Protestos no Equador e Chile marcaram a luta mais radicalizada contra o neoliberalismo no continente, assim como a vitória do peronismo-kirchnerismo na Argentina sacramentou a primeira queda de governo dessa onda.

A liberdade de Lula é tão fundamental para a retomada do controle da esquerda na região quanto os acontecimentos citados acima. Por quê? Da mesma maneira que o Brasil é o principal país da região, o governo Bolsonaro é o que melhor representa o verdadeiro espírito da onda azul: ultraconservador e entreguista. Logo, temos o pior governo no país mais importante, e temos em Lula a possibilidade de fazer oposição real a este governo. Lula Livre é a principal derrota de Bolsonaro desde sua posse, e isso não apenas desestabiliza esse governo de milícias, como desestabiliza o próprio futuro da ultradireita latino-americana.

A retomada de Lula no cenário político é imprescindível como representação para uma esquerda organizada: viveu-se por esses 580 dias de prisão, uma gravosa falta de liderança no país para a oposição a esse governo fascitoide. Ciro Gomes (que ao perder as eleições de 2018, fugiu para Paris), Guilherme Boulos (que no fundo é petista), Luciana Genro (apoiadora da “Lava Jato”), Manuela d’Ávila, apenas alguns exemplos que não representaram, mesmo com suas tentativas mais desesperadas ou fajutas, o modelo de liderança necessário no contexto da efervescência brasileira assombrada pelo ultraconservadorismo.

Sua prisão arbitrária mostrou a fragilidade do Estado Democrático de Direito. A decisão tomada pelo STF nessa quinta-feira (07/11) marca a história do país, visto que ao decidirem prender Lula, tempos antes das eleições presidenciais do ano passado, evidenciaram-no como preso político. Sua liberdade, por conseguinte, é simbólica para a retomada estratégica da oposição. Diversos setores sociais clamavam por sua liberdade, a própria democracia estraçalhada clamava por sua liberdade, e hoje, o país respira, enfim, um pouco mais leve. É excepcional sua importância para a resistência aos temores causados por este (des)governo vigente, e o silêncio do atual presidente é ensurdecedor – ou eu deveria dizer que, no mínimo, esperado?

Toda essa comoção popular, as enxurradas de manifestações nas redes sociais, na frente da prisão em Curitiba, no ABC paulista: demonstram quão tangível é o impacto de ter de volta a maior liderança desse país, e das maiores da história mundial contemporânea. Nós poderíamos dizer, “o choro é livre”, como dizem os jovens modernos, mas é preferível dizer mais uma vez: livre é o Lula.

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