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Entre os bem-vindos

Resultado de imagem para campanha usp você faz parte de tudo issoTiago Augustini – TX

Das vezes em que pensei sobre como deveria ser a melhor maneira de acolher os recém chegados alunos – bixos, calouros, adentrantes, entrantes, noviços, calouríneos, etc, etc, a capacidade mnemônica veterana é de encher os olhos – falhei miseravelmente. A falha é construtiva, dizem alguns, outros já a ligam ao fracasso, a mim, restou-me a esses pensamentos, pois a questão é de extrema importância, se não, vejamos quanto à dúvida: Como realizar uma bela recepção em que os calouros sintam-se acolhidos e pertencentes à comunidade universitária?

Primeiramente, algo para beber – sempre aconselho o café pela lógica – e algo para escutar – claro, aqueles que gostam de ouvir algo enquanto leem, já Chico Buarque, por obséquio (expressão boa), nunca gostara, dizia o Julinho da Adelaide (deem um google, moçada) que presta atenção na música e esquece o texto em demasia, veja que figura esse Chico – voltando às dúvidas e às pelejas literárias: daí teremos: o hercúleo trabalho de pesquisar os nomes nas redes sociais – Fernanda Paiva, saúdam-na como se assim o fizessem a Marco Polo descobrindo os limites do império Mongol – apresentar todas as entidades, coletivos, repúblicas, realizar os textos de boas vindas, criar os grupos para recepção, criar os kits bixo, realizar a coroação e a festa de interação com os veteranos diretos, enfim, o esforço é enorme e muitas vezes Sísifo.

Mas o que pensam os calouros (aqui uma digressão: eu realmente não entendia absolutamente nada do que diziam-me e me sentia deveras perdido com tantas informações, tímido que sou), a USP é local de estudar muito – sim, é mesmo! – preciso ser legal com todos, são tantas pessoas! Contudo, o conselho que vos entrego – um dentre tantos como estrelas no céu – façam o que quiser, mas sejam felizes!

Vejam, parece ser bobo, mas vamos aos exemplos: histórias de pessoas que fizeram coisas desagradáveis estão em qualquer lugar e inclusive por essas bandas: a atlética já foi promotora de abusos? Já sim! Ela é ainda hoje? Não é! (teremos que falar disso ainda hoje?) Vida que segue. O centro acadêmico já fez terrorismo em coisas ineptas como, por exemplo, não deixar veteranos chamarem calouros de bixos, isso acontece hoje em dia? Não! – Amigos e comunidade federpiana, isso não significa que estão liberados abusos ou qualquer assédio moral ou físico, apenas trata-se de retrato, a vida continua e, como bem sabemos, não há cadafalso ou possibilidades de estigma a entidades em pleno ano de luta contra o terraplanismo olavista e bolsonarista (conservadores são diferentes de bolsonaristas e muito diferentes de olavistas, a história nos redimirá de tanta besteira que temos que ouvir dessas figuras).

Caros calouros, o corredor do primeiro ano é mágico – falando agora de nossa querida FDRP – as aulas são primorosas – aqui recebo reprimendas, eu sei, eu sei, mas voltando ao corredor – aquele caminho nos leva em frente a árvore da sala da Turma A, temos belos bancos numa sombra chamativa para conversas e risadas, mais a frente uma grama com coqueiros que logo convidam para o caminho da fonte, local de tantas conversas, risadas, histórias, apresentações da ilustre bateria e das belíssimas assembléias – ancaps e extrema direita também existem, eles odeiam as assembléias por se verem em menor número na faculdade, contudo, tê-los é de extrema importância – quanto mais diversidade, mais capacidade de crescimento do grupo como um todo – por isso deveríamos aprender a ouví-los com maior carinho – Nelson Rodrigues, em A Cabra Vadia, dizia-se como um “ex-covarde: deixara de ter medo da esquerda e do poder jovem”, resta a nós a dúvida, meros mortais que somos lendo a obra de um conservador brasileiro como Nelson Rodrigues, jogaremos suas palavras no Rio Lete ou passaremos a debater mais a esquerda e o poder jovem que nos permeia e têm tanto pulsar?

Amigos, tanto no estacionamento de cima quanto embaixo há Acácias, floridas são um espetáculo que até Zeus concederia alguns minutos de perdão a Atlas (nós, seres aguçados por novas responsabilidades), deixando o peso do planeta aos pés do titã para poder apreciar a beleza do amarelo, cor essa que Van Gogh nos fez amar. Por esse segundo semestre, também encontramos os lagartos visitando a tão querida fonte, temos a siriema Gabriela, assídua personagem nos ensaios da bateria. Os flamboyans – espetáculo a parte – do estacionamento de baixo florescem por esses meses últimos também, é uma fileira deles que faz uma mescla de cores entre o vermelho/alaranjado que nos deixam embasbacados feito o álamo que Rubem Braga tanto amou em sua casa no Chile – Lara Katz (Neve), veterana direta de vocês, calouros, escrevera poucas palavras, mas de profundidade que a fossa das Marianas a invejaria, sobre como os flamboyans atuam em nossa percepção e como é o papel da amizade sobre ela que, aqui, perdoe-me, Neve, preciso me ater mais um cadim, mas não conseguirei atingir o nível de Lara.

Amizade é o que mais desejo a vocês nesses anos a seguir, pois é o que importa, meus caros e caras, (Montaigne ficaria abismado com minha falta de percepção sobre a amizade: “porque era ele, porque era eu” é tão profundo quanto os flamboyans atuando em descanso mental por segundos) as aulas e a participação de tudo que citei é salutar, diria importantíssimo e fortalecedor, entretanto, é a amizade que fará com que surportemo-nos o dia a dia, a pressão, é essa mesma amizade que tornarão as festas momentos primevos de lembranças que converterão as córneas em charco logo em férias, pois sim, a saudade dos amigos nas férias machuca, eles passam a viver conosco o dia todo. As aulas e os estudos são diretrizes, mas não são a essencialidade de se viver esses anos, vivam a vida de vocês como quiserem e bem entenderem, construam amizades e amores, é disso que precisamos e se para suportar a carga de responsabilidade surgir a necessidade de “criar um Massa” para odiar que façam-no com intuito teleológico à felicidade.

Essa é mais uma aposta frustrada de texto de recepção, como bispam, mas percebi nesse processo de criar o texto que a simplicidade de certos momentos retomam minha memória com maior facilidade (talvez o passar dos anos tolheram boa parte da memória – não contem aos meus inimigos – ou é a simplicidade mesmo que torna a felicidade tão importante, já nem sei mais), a frustração tornou-se fruto, portanto. Teremos que orientarmo-nos a sermos pessoas melhores, líderes melhores, amigos melhores, mulheres, maridos, namorados e namoradas melhores, as aulas não farão isso por nós – talvez deem o caminho, todavia, é nossa vivência, a construção de amizades, conhecimento, lutas, alegrias, tristezas e aprendizado com todos (cada um possui uma história espetacular para contar, deem ouvidos), escutem com atenção a aquilo que enche os olhos e a alma de seu interlocutor – isso é fácil de perceber – e, claro, Bem Vindos aos 5 melhores anos de suas vidas!

M.V.A. 2020

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