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O Estrangeiro

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Frederico Cazu dos Santos Turma TXIII

Eu poderia, com efeito, falar de outra obra de Albert Camus. A “Peste”
parece, a princípio, muito mais condizente com o panorama atual. No entanto,resolvi tecer um brevíssimo comentário sobre “O Estrangeiro”, pois o simples fato de poder ou não estar vivo amanhã, já se faz por si só um absurdo válido de ser comentado.

Conquanto Camus não seja filósofo, evidente é seu desenvolvimento existencialista. Esse mesmo existencialismo, amante dos jovens frustrados e perdidos, que bate na porta do mais simples desengano até a mais enfática desilusão e pergunta: qual o sentido da minha reles existência? A resposta dada pelo autor é peremptória: trata-se de um completo absurdo. Um paradoxo ambulante entre um niilismo recorrente e um súbito instinto de sobrevivência, o qual nega as perdas mais significativas, simplesmente para ignorar a passagem do tempo e continuar vivendo de maneira automática.

Meursualt, o protagonista da nossa trama, é o exemplo mais concreto originado da abstração de um livro, uma vez que demonstra de maneira exímia a visão do autor. Perdera a mãe, mas não de fato sente o luto. Questiona a data da morte ao revés do falecer em si, pede descanso ao aborrecido chefe e inexplicavelmente se desculpas a este, como se a morte de progenitora fosse um fardo e, sobretudo, uma responsabilidade negativa.

O desenrolar desse evento é de se impressionar, não a história desse ínterim específico, porém a estrutura. O escritor mecaniza a leitura de tal maneira que não somente ignora a relevância do episódio, como também envolve o leitor no maquinal decorrer do cotidiano. Exemplo disso seria uma forma sucinta. Cheia de pontos finais. Ao invés de vírgulas. Objetiva. Oposto ao pseudo resenhista a quem vos escreve. Tal recurso flui através da obra, sempre retorna em qualquer momento e desaparece a qualquer hora.
Esse desvio de enredo, meus caros leitores, é pura ferramenta da mai sucinta prolixidade. A obra traz uma reflexão extensa, todavia é demasiadamente curta – isto posto, não estenderei em abraçar os eventos dessa história. O livro é análogo à uma música triste num dia chuvoso, a embriaguez após a decepção. É efêmero, aparentemente prazeroso e, contudo, ocasiona uma ressaca amarga num quadro já melancólico. Não obstante, a realidade faz-se tão inconsistentemente trágica, que o refúgio torna-se concebível.

 
Portanto, tece-se aqui uma glosa absurda. Absurdamente curta. Talvez irrelevante. Absolutamente cansativa. E mesmo consciente disso, pela forma a qual escrevo, leste em totalidade o que fora redigido até o momento. Vê? Perda de tempo absurda causada pela automatização e indiferença. Menosprezo esse pela vida que, na hierarquia de ocorrências, orienta Meursualt a igualar o modo de tratamento de um cão desaparecido a uma mulher espancada. Termino com essa assertiva a fim de instigá-los à leitura.
Será possível um absurdo deste?

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