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A prática do esporte como saúde mental e a prisão nos padrões da indústria de beleza, o esporte como além do culto ao corpo perfeito

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Por Letícia Alves (Brotô) – TXII

343434° dia da quarentena. Vivendo na era da pandemia, nos tornamos escravos de nossos próprios pensamentos e daqueles que nos são apresentados pelos diversos veículos midiáticos. Facebook e Instagram seguem como as principais entidades mentoras da perfeição em todos os sentidos e, através dos influencer digitais, oferecem ao público entretenimento 24 horas baseado na vida perfeita: “gratidão e luz por este momento para repensar nosso antigo estilo de vida”. Sim, repensar. Mais de 15 mil mortes registradas pela peste e, de dentro de casa, somos levados a carregar conosco mais 1 kg pra caixinha da saúde mental, pesada o suficiente para esgotar ainda mais cada um de nós. Como se não bastasse, as tais blogueiras “fitness”, que pregam todos os dias os benefícios da vida saudável, furam a quarentena para luxo próprio e, ao escancarar o descaso real para com a “saúde” em seu termo mais amplo e básico, fazem nascer perguntas fundamentais acerca da utilidade de uma incessante busca por uma vida vendida que, em sua essência, nada tem a oferecer.

Neste mesmo cenário, o culto às cirurgias plásticas tornou-se vil, e a busca pelo corpo perfeito (aos padrões da indústria de beleza) deturpou o conceito de corpo saudável e, portanto, levou o esporte a um patamar totalmente comercializador. Hoje, um corpo saudável deve ser um corpo bonito, o que significa, na verdade, um corpo socialmente aceito pelo status quo. Assim, praticar alguma atividade física virou mais uma obrigação a ser seguida, a fim de se ter a famigerada “vida saudável”, vendida por influencers mundo afora sem considerar quão impactante isto seria na mente de diversas pessoas. Enquanto isso, os propósitos do esporte como símbolo de resistência, válvula de escape, cuidado (real) com a saúde ou mero lazer passaram a ser mais esquecidos pela mídia em prol desse imenso liame atrativo do esporte como molde para “o corpo perfeito e a felicidade”. O que nos leva, portanto, a uma reflexão verdadeiramente válida já que estamos em “lockdown”: e se o esporte retornar para uma posição funcional e efetiva, e não mais como um mero mecanismo exibicionista?

Pois então, para além dos “benefícios estéticos”, a prática de exercícios físicos é bastante eficaz no combate ao transtorno de ansiedade, por exemplo, que vem atormentando diversas pessoas ao longo do mundo e têm piorado em decorrência da quarentena. Por aumentar a liberação de serotonina e endorfina, hormônios ligados ao humor, a prática de esportes pode ser interpretada como uma alternativa natural para reduzir os sintomas de ansiedade – e até os sintomas de depressão leve -, ou seja, um mecanismo dinâmico para suportar os níveis de estresse justamente por ajudar a canalizá-lo. Partindo desse pressuposto, em uma dura realidade onde o espaço de conforto individual passa a ter um caráter de prisão com o passar dos dias no confinamento, manter-se em atividade é, na verdade, um importante agente para a saúde e sanidade mentais, verdadeiras relíquias a serem buscadas por todos nós.

É de suma importância, então, que a autorreflexão a ser feita deva se voltar aos hábitos do que e de quem idolatramos, uma vez que, por trás dos grandes e brilhantes ideais promovidos por influencers e afins, esconde-se um propósito fútil de lucro pessoal. A procura desenfreada pela “vida perfeita” é apenas mais um caminho vazio que apenas degrada, além da figura do esporte, a saúde mental, quando, de fato, deveríamos cultivá la e relembrar o significado relevante que a saúde tem no meio de uma pandemia. São tempos de começarmos a abrir os olhos para o entretenimento que consumimos, e, talvez, questionando-os, podemos finalmente diminuir o culto ao inútil e, até, quem sabe, votar melhor da próxima vez.

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