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Suzanne

Suzanne Elrod... mother of Leonard Cohen's two children and a ...

Pelo heterônimo Sophie Apollon

(Um tributo à musa de Leonard Cohen e a todos que por ela em vão prantearão).

Suzanne estendeu sua dócil mão com as qual afagara os meus cabelos

Em frente àquele rio de sonhos, pelo qual transbordava o mel crepuscular em reflexo

O vento tornou-se estático e só o mar se fazia ouvir ao som dos barcos.

Estava prestes a declarar-lhe não ter por ela amor algum

Quando a musa, em tempestade e ímpeto, declarou-me o inverso.

Confluída sua voz no rio.

Ela disse que sempre me amou.

 

Quero com ela conhecer o mundo

Viajar sem pensar

Quero nela confiar e ser dela o leal confidente

Comer com ela as especiarias da China

Quero tocar seu corpo perfeito e grácil com minha mente

 

Da Galileia de Herodes um fantasma marinheiro chamado Jesus

Andava calmo sobre as águas depois de multiplicar pães e aos doentes curar

Estava tão só em si mesmo

Dizia calmo, desamparado e triste

Só os que andarem comigo se libertarão

Meu reino não é deste mundo, e somente no céu sereis felizes

Ele estava afundando com sua pedregosa sabedoria

Mas falava a um homem de pouca fé para nele crer e seguir

Não tenha medo, Pedro, anda sobre as águas comigo!

Queria que seu discípulo fosse a pedra a edificar A Verdadeira Fé

 

Agora Suzanne tomou-me a mão e me conduziu ao rio

O sol nos deixou com mel sobre o corpo

Minha guia me mostrou para onde eu deveria olhar

Ela me tocou o corpo com sua mente

Eu confio nela

 

Então nós começamos a caminhar sobre o rio

Eu e Suzanne

O céu abriu-se sob nossos pés e começamos a andar no espaço

Nosso reino é desse mundo

Com nosso andar, mostrava-se, prostrado, aquele que outrora acompanhava o Cristo

Ele estava atônito a nos olhar

Não queria mais a pedra fundar os templos

 

Nesse lago está a caminhar das religiões a mais antiga e universal

Hathor, Afrodite, Cupido, Eros Vênus, Freya, Oxum, Isis

Love, amore, amour, liebe, Αγάπη, amor, любовь, kärlec

Seu santuário é o cosmos

 

Pedro viu-me de mão dadas com Suzanne

O descrente viu o amor e curvou-se com fé

Uma pedra caiu no rio

Ficamos os dois a governar os astros e os mundos

 

Sobre as águas que a tudo concebem vida

Ela me dizia que para sempre serei seu amado

Tocávamos os corpos com nossas mentes

Eu quero estar com Suzanne porque ela é louca

Eu sou mais louco ainda por ela

Ela é o centro do meu mundo

Vamos, eu e Suzanne,

Eternamente viver por sobre o espelho crepuscular

Não vamos afundar

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