Coluna Sete · Saúde Mental

#QUARENTREINOCA7: entrevista com os participantes

#QUARENTREINOCA7_ entrevista com os participantes.

Por Amanda Bombardi (Polly) – TXII

Com a chegada da pandemia do COVID-19, nossas rotinas mudaram drasticamente: as aulas presenciais foram suspensas, os treinos interrompidos, nossas vidas reduzidas ao espaço das nossas casas. O mundo lá fora, se já era difícil de digerir, agora está pior. Milhares de vidas perdidas, milhares de corações desamparados, milhares de pessoas desempregadas. Vidas, corações e pessoas; não números. Enquanto isso, aqueles que deveriam nos proteger se mostram cada vez mais avessos aos valores constitucionais que juraram defender. Avessos à própria humanidade. E a desumanidade se escancara todos os dias nos noticiários.

À beira da insanidade, seguimos nossas novas vidas, adaptadas a implacável tecnologia: nunca antes passamos tanto tempo em frente à tela de um computador. Aulas virtuais, trabalhos, estágio. Ensino à distância, amizades à distância, vida à distância. A distância que nos aproxima de voltar a ter uma vida normal, que ainda está longe. Mais um paradoxo dessa pandemia. Como o fato de estarmos em casa o tempo todo deixar nossa rotina muito mais cansativa.

Pensando nos impactos desse contexto para a saúde física e mental dos alunos da FDRP, a Alética Casa Sete, em parceria com o Crossfit BurnFox, realizou uma campanha para incentivar a prática de atividades físicas em casa durante a quarentena. A ideia era promover algo que poderia gerar a sensação de bem estar, importantíssima para lidar com tempos difíceis como este. Além disso, os próprios participantes estariam motivando uns aos outros. Não esperávamos treinos super específicos e intensos, mas o simples fato de desconectar um pouco das telas de computadores e do contexto conturbado que vivemos, para movimentar nosso corpo e nos reconectarmos com nós mesmos. Cuidarmos de nós mesmos.

Para participar, bastava, postar uma foto ou vídeo nos stories com a #QUARENTREINOCA7 e marcar a @aaaca7 no Instagram, e claro: treinar! O prêmio não poderia ser melhor: um convite para o próximo churras de fim de semestre, quando este puder ser feito em segurança; afinal, já estamos sentindo falta de uma festinha aglomerada, não é mesmo?

Nesta segunda-feira (15/06), resolvemos conversar um pouco com alguns alunos que aderiram à ideia e se comprometeram com a prática de exercícios físicos durante a quarentena, aparecendo ritualmente nos nossos stories. Eis alguns relatos.

O primeiro entrevistado não poderia ser outro: Ciroc, da TXII. Dedicado e atencioso em tudo o que faz, Ciroc conseguiu tornar os treinos uma parte imprescindível de seu dia a dia. Postando nossa # diariamente, não poderia ser diferente: venceu o sorteio e ganhou um convite para o próximo churras. Como em muitas situações da nossa vida, o que parece mera “sorte” não exclui toda a dedicação empregada na realização de um objetivo. A vida, como no esporte, é muito mais complexa do que um simples sorteio, não é mesmo?

CA7: De que maneira a prática de atividades físicas durante a quarentena contribuiu para você?
Ciroc: Seria um pouco óbvio dizer, mas com certeza contribui para minha qualidade de vida. Sou uma pessoa muito ansiosa e afobada, então ter começado uma rotina de treinos fixa serviu quase como uma terapia nesse aspecto. Além disso, claro que você se sente melhor consigo mesmo, e feliz por ver alguns resultados (ainda que pequenos).

CA7: Apesar da importância, sabemos que é difícil manter uma boa rotina durante tempos como este. Quais foram suas maiores dificuldades, considerando questões como espaço, criatividade ou desânimo?
Ciroc: Felizmente não tive grandes dificuldades. Meu caso foi muito excepcional porque eu tinha um espaço muito bom pra fazer os treinos, isso com certeza ajudou bastante. Também não exigiu muito da minha criatividade: tendo grande parte dos aparelhos, bastou pegar os treinos na internet. Por isso talvez a maior dificuldade seria lidar com a preguiça e o desânimo de treinar, mas uma vez que você se compromete com uma rotina, com o passar do tempo, fica cada vez mais fácil segui-la.

CA7: A #QUARENTREINOCA7 te ajudou a manter essa rotina?
Ciroc: Com certeza, principalmente pelo prêmio ser uma festa, algo que com certeza sentimos falta durante a quarentena. Embora eu já estava com uma predisposição bem grande pra treinar, saber que eu poderia entrar de graça do churras deu um estímulo a mais kkk.

CA7: O que você diria para incentivar outras pessoas a insistirem em manter uma boa rotina de atividades físicas nesse contexto?
Ciroc: Não sei exatamente o que ajudaria cada pessoa, mas o que me ajudou muito foi assumir os treinos como um compromisso, sem pensar muito se eu estava com vontade ou não de treinar. Com o passar do tempo, se tornou algo como escovar os dentes ou lavar o rosto. São atividades que se incorporam na sua rotina diária a ponto de você sequer parar pra pensar que não está com vontade de fazer.

•CA7: Agora que você já ganhou o sorteio, pretende continuar com a mesma rotina de treinos durante a pandemia?
Ciroc: Durante a quarentena com certeza. Como disse, treinar já se incorporou à minha rotina, tornando-se até um momento de descanso para a mente, então provavelmente vou manter a mesma rotina de treinos, mas dessa vez sem ficar postando toda hora kkkk.

Nossa próxima entrevistada, apesar de não ter levado o churras, também participou com constância e dedicação da nossa hashtag. Letícia, da TXIII, mesmo tendo recentíssimo contato com a faculdade, não se intimidou em postar seus treinos e chegou mostrando muita força de vontade e criatividade (utilizando, inclusive, garrafas PET como peso em seus treinos) – características valiosas para ambos os ambientes acadêmico e esportivo.

CA7: De que maneira a prática de atividades físicas durante a quarentena contribuiu para você?
Letícia: Acho q principalmente como válvula de escape… melhor que ficar comendo ou chorando o dia inteiro né?

CA7: Apesar da importância, sabemos que é difícil manter uma boa rotina durante tempos como este. Quais foram suas maiores dificuldades, considerando questões como espaço, criatividade ou desânimo?
Letícia: Além da #quarentreinoca7, eu fazia os exercícios com a minha mãe então ela não me deixava desanimar e eu também animava ela.

CA7: A #QUARENTREINOCA7 te ajudou a manter essa rotina?
Letícia: Participar da #quarentreinoca7 foi uma das coisas que mais me motivou… Achei muito legal a proposta de animar na quarentena.

CA7: O que você diria para incentivar outras pessoas a insistirem em manter uma boa rotina de atividades físicas nesse contexto?
Letícia: Olha, foi uma das poucas coisas que me ajudou a manter a cabeça no lugar. Nesse momento, além dos benefícios para a saúde, acho que um momento de distração em que você não pensa nem na pandemia, nem nos trabalhos da faculdade faz muito bem.

CA7: Sendo seu primeiro ano na faculdade, e tendo tão pouco tempo de aulas presenciais, você acha que participar de um projeto como esse fez você se sentir mais próxima da FDRP de alguma forma?
Letícia: Com certeza, foi uma das poucas coisas q me deu esse sentimento de pertencimento com a FDRP… Estava sentindo falta hahaha

O último entrevistado, Juninho, da TIX, encontrou seu amor pelo time de futcampo após o fatídico placar de 4×3 contra a FEA em 2016, e desde então veste a camisa deste time. Zagueiro, Juninho representa os atletas que defendem cores da FDRP como ele mesmo zela as imediações da nossa área. Atletas, que tiveram a prática de seus esportes interrompida pela pandemia, e agora buscam alternativas para manterem suas rotinas de treino.

CA7: De que maneira a prática de atividades físicas durante a quarentena contribuiu para você?
Juninho: Praticar atividade física durante a quarentena foi – e continua sendo – meu ponto de contato com a vida antes da pandemia. O exercício físico sempre foi uma constante na minha rotina, por considerar um elemento importante para a saúde física e mental. Manter essas atividades diárias foi um modo interessante de não perder completamente contato com a vida antes da quarentena, permitindo que eu me mantivesse em movimento, motivado e focado nas coisas que preciso fazer

CA7: Você considera que manter algum tipo de atividade física durante a quarentena vai ajudar na retomada do desempenho esportivo quando voltarem os treinos e campeonatos?
Juninho: Com toda certeza. Tenho sempre em mente que o melhor modo de melhoramos em tudo que fazemos é nos manter sempre em movimento – ainda que se diminua a velocidade e intensidade. Não ter parado de praticar exercícios físicos durante a quarentena, com certeza, vai auxiliar a não perder o ritmo totalmente, facilitando a retomada do desempenho esportivo quando os treinos e campeonatos retornarem.

CA7: Apesar da importância, sabemos que é difícil manter uma boa rotina durante tempos como este. Quais foram suas maiores dificuldades, considerando questões como espaço, criatividade ou desânimo?
Juninho: Para mim, o mais complicado foi a questão do desânimo: treinar todos os dias, no mesmo lugar, com espaço limitado, acaba desanimando um pouco. Por outro lado, também me fez perceber que a atividade física é muito mais simples do que eu achava. Antes, pensava que para treinar era necessário ter uma academia e muitos pesos. Em razão da quarentena, comecei a pesquisar sobre formas de treinar sem academia e acabei percebendo que o exercício físico é algo muito mais amplo e cheio de possibilidades do que pensamos. Muitas vezes, apenas o peso do nosso próprio corpo e um pouco de criatividade – ainda que em um espaço muito limitado – são suficientes para um treino eficiente e divertido.

CA7: A #QUARENTREINOCA7 te ajudou a manter essa rotina?
Juninho: Com toda certeza. Quem não quer ganhar uma cortesia do churras de fim de semestre? Kkkkkk

CA7: O que você diria para incentivar outras pessoas a insistirem em manter uma boa rotina de atividades físicas nesse contexto?

Juninho: Manter uma rotina de atividades físicas é extremamente importante para que o corpo e a mente funcionem da melhor forma que podem; além disso, estabelecer uma rotina é importante para manter um certo senso de referência. A pandemia mudou o cotidiano de todo mundo e a perda das referências que tínhamos – em relação aos compromissos do dia a dia e das atividades habituais – pode nos deixar bastante desanimados e perdidos. Não é necessário muito pra treinar: existe uma infinidade de exercícios com o peso do próprio corpo que podem ser feitos em qualquer lugar, sem necessidade de nenhum aparelho ou peso extra, e uma rápida pesquisa no Youtube e um pouco de criatividade podem ajudar a criar uma rotina de exercícios prática e bastante funcional. Sobretudo, manter essa rotina de atividades é uma forma de cuidarmos de nós mesmos, o que é essencial durante esses tempos difíceis.

 

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