Texto da semana · x

Darcy Ribeiro – um Brasileiro

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João Pedro Toledo (Muvi) TXI

Esse é um texto de aviso para minha amada Isabela, que terá que compartilhar meu coração com outra pessoa

 

Recentemente fui agraciado por conhecer uma nova pessoa. Um homem fantástico, inteligente, de espírito jovem e carisma ímpar. Não falo de qualquer um. Falo de uma pessoa conhecida por muitos, mas desconhecido por mim até então. Falo do Brasileiro – com B maiúsculo – Darcy Ribeiro.

Lógico que já ouvira seu nome em minhas andanças pela terra. É um nome muito diferente e ao mesmo tempo muito influente. Um nome que batiza vários lugares no Brasil. Contudo, nunca fui atrás para o conhecer de verdade.

Lembro a primeira vez que ouvi algum trecho de sua vida. Foi no começo de 2020. Estava em um rancho com alguns amigos quando meu companheiro M tirou sarro da minha cara. Suas galhofas partem da minha ignorância de achar que esse tal de Darcy Ribeiro ainda era vivo. Explicou-me que ele morrera de câncer no século passado, quando fugira do hospital para terminar seu livro. Naquele momento já fiquei espantado com um espírito rebelde, mas não o suficiente para pesquisar sua história

Decorridos alguns meses, deparo-me com um vídeo curto onde esse professor fala suas visões da elite paulista. Achei fantástico! A sensação de ver o discurso foi a mesma que tive ao entrar na faculdade. Um sentimento de orgulho, de paixão pelos estudos. Esse homem conseguiu, em cinco minutos expor críticas à Direita e à Esquerda, aos paulistas e aos cariocas. E com um poder de convencimento avassalador.

Uma coisa levou a outra: dessa vez investiguei fundo sobre ele. Enquanto escrevo esse texto, há dois dias que estou em contato com suas ideias. Mas parece que já o conheço de longo tempo. Facilmente ele seria um amigo que eu receberia em minha casa para conversar horas a fio.

Para aqueles que compartilham de minha antiga ignorância, eu consigo pensar sua biografia como um Forrest Gump dos trópicos. Parece que ele estava envolvido em todos os grandes eventos do Brasil do século XX. Criou a UnB, estava no governo Jango no dia de sua derrubada pelos militares, ficou em exílio, voltou ao Brasil como vice-governador do Rio, construiu o mítico Sambódromo da Sapucaí e estava Senador vendo o projeto liberal tomar conta no Brasil em 1990 quando faleceu. Isso tudo sem citar sua vida nas tribos indígenas…

Mas sua carreira brilhante é apenas um reflexo de seu espírito colossal. Ele sim tinha o amor pela pátria. Um amor que muitos jamais sentiram e que outros acham que possuem. Sabia quais eram os problemas do Brasil e queria consertá-los. Não tinha medo das consequências. Fazia as coisas porque achava que era o certo e não se importava com o que os outros iam pensar.

Suas ideias, fortemente ligadas ao trabalhismo e ao brizolismo, eram da mais boa intenção. Mas não confunda com qualquer socialismo. Era um homem prático, que abandonara Marx para melhorar a vida das pessoas no presente. Sabia que os brasileiros passavam fome naquele momento. Como iria prometer ao pobre uma utopia socialista que jamais saiu do papel? Isso não fazia sentido. E por isso que tentou fazer reformas políticas dentro da própria política.

Da mesma forma que rejeitara a utopia socialista, negou até o fim da vida a utopia liberal. Sabia que as engrenagens desse sistema tinham tudo para tornar do Brasil uma colônia. Ele desejava uma nova utopia. Não queria nenhuma sociedade criada por um alemão ou por um inglês. Queria uma utopia genuinamente brasileira, que parta do povo filho de mãe indígena e africana e de pai europeu. Um lugar para o brasileiro se orgulhar, de chamar de seu. Não uma cópia barata da Disney World.

Impressiono-me como ele se perde em suas ideias. Começa a falar e não consegue parar. Não raras vezes ele precisa perguntar ao repórter qual fora a pergunta. Mas esse era o brilhantismo dele. Ele se perdia, mas fazia a plateia se perder junto. Hipnotiza seus ouvintes de tal forma que o tempo parece congelar. E quando acaba, a sensação que dá é de querer mais.

Com seu jeito adolescente, conseguia tirar gargalhadas de todos. Para ele era algo natural. Não era o artificialismo que vemos hoje na Internet. Também não utilizava de palavras de baixo calão ou comparações toscas como um certo Presidente faz. Ele produzia o riso da plateia assim como a abelha produz mel, ou como a vaca produz leite. E eu me deliciei desse mel e desse leite nos últimos dias.

Esse é Darcy Ribeiro. Um herói brasileiro que eu não conhecia e tardei a conhecer. Para aqueles que chegaram ao final, espero que tenham a oportunidade de pesquisar sobre esse homem brilhante. Para aqueles que já o conheciam, que espalhem mais as palavras desse Brasileiro, porque precisamos de mais Darcy em nossa vida.

 

 

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