Política nacional · Política Nacional e Internacional

Reichskolonialbund

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Por Lucca Vinha (Jejum) – TX

Em 1933, Hitler tomou o poder na Alemanha e logo unificou todas as organizações pró-coloniais. O resultado dessa unificação foi o Reichskolonialbund, cujo objetivo era criar condições para a retomada das colônias perdidas pelo Tratado de Versalhes. Os métodos de atuação iam desde a distribuição de jornais e panfletos até o incentivo de manifestações em prol da causa colonial alemã. A Itália de Mussolini foi mais concreta em suas ambições territoriais, expandindo sua presença na África, ao conquistar a Etiópia, e no Leste Europeu, com a invasão da Albânia. Apesar dos métodos e dos resultados distintos, a justificativa era a mesma: somos superiores.

É impossível dissociar o colonialismo do nazifascismo. Além das evidentes pretensões belicosas, que exigiam recursos naturais, territoriais e humanos, o discurso da superioridade apenas funciona quando se tem outro grupo para ser taxado como inferior. E neste aspecto Hitler e Mussolini apenas precisaram adaptar a mesma máxima que é utilizada desde o século XVI com o início das colônias em sua compreensão moderna: o colonizador faz um favor para o colonizado. O povo superior e iluminado guia o inferior a uma vida melhor.

Porém, o que acontece com fascistas que são de países periféricos? Defendem uma expansão de suas nações para guiar outras? Evidentemente que não. Seu objetivo é o inverso: é promover a colonização de seu próprio país. 

Não foi à toa que Bolsonaro bateu continência para bandeira dos EUA, que Guedes tenha aversão à empresas nacionais, que Weintraub impossibilitou a ciência do país, que Salles promoveu a destruição da Amazônia, dentre outras centenas de absurdos e crimes promovidos por esse governo. Em um governo de país periférico que flerta constantemente com o fascismo, governar de maneira real seria negar nossa inferioridade e, portanto, uma inadmissível inconsistência ideológica. O correto seria fazer exatamente o que tem sido feito: desmanchar. Porque o desmanche gera vácuo, e no vácuo uma potência de verdade, superior, vai preencher esse espaço e aí sim seremos guiados para um futuro melhor.

E para atingir isso vale tudo. Afinal, o objetivo é justamente desestabilizar. Declarar guerra institucional aos outros poderes? Claro. Entupir o governo de militares sem qualquer capacitação técnica para o cargo em questão? Por que não? Se omitir perante a maior crise sanitária dos últimos cem anos? Com certeza. Atacar sistematicamente minorias? Óbvio.

Os métodos utilizados pelo Reichskolonialbund podiam ser absolutamente ineficazes nas décadas de trinta e quarenta, mas em pleno 2020, com os adventos da internet, são uma poderosa ferramenta de controle social. Através das redes difamam adversários políticos, propagam notícias falsas, promovem ataque a minorias sociais e confundem os símbolos nacionais com a figura de quem promove a subjugação do país. O que é o gabinete do ódio senão um Reichskolonialbund às avessas? Um organismo não governamental mas intrinsecamente atrelado ao governo que promove a destruição do verdadeiro Brasil. Um órgão ligado ao Presidente da República que propaga o colonialismo do século XXI.

Lutar contra a ideia de que existem grupos superiores a outros é atacar a raiz do fascismo. É destruir aquilo que justifica o ataque aos direitos humanos, às minorias, aos pobres e todos aqueles que sejam colocados como inimigos pelo fascista da vez.

O governo Bolsonaro é um governo neofascista. Já não é mais uma especulação, é um fato. E como todo fascista deve ser combatido, derrubado e destruído. Como todos vocês sabem, o Reichskolonialbund falhou e a Alemanha não retomou nenhuma colônia. Não apenas isso, como o governo de Hitler foi relegado à condição de uma das piores monstruosidades que já ocorreram na História. E essa monstruosidade foi destruída pela esquerda – o que a propaganda dos países centrais tenta há décadas desconstruir, mas que não deixa de ser um fato.

Toda luta anticolonialista é necessariamente antifascista. Não podemos deixar que o Reichskolonialbund, um perverso órgão que funcionava exclusivamente a base da propaganda, se repita. E para isso precisamos defender aquilo que é nosso. O Reichskolonialbund versão brasileira deve ser combatido. Precisamos salvar o Brasil do Brazil.

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