Política nacional · Política Nacional e Internacional · Racismo

Agora que temos vozes, não devemos nos calar

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Por João Neto – estudante da Pedagogia (Unesp Araraquara) e Diretor da UEE de Combate ao Racismo

Chegamos a um dos períodos mais conturbados da história brasileira, um período onde pactos com o povo foram quebrados pela burguesia, novamente com medo da ala militar que sequestra o país de acordo com seus interesses. Feridas foram abertas e pioradas e não será simples ajeitar o Brasil em um arranjo de classes.

O pacto social que resguardava direitos a classe trabalhadora, a classe preta, foi desmontada, em poucos anos perdemos direitos trabalhistas, previdência social e corte nos programas de assistência social. A burguesia está nos atacando e estamos em guerra, alguns trabalhadores junto ao movimento negro estão vendo isso e se arriscando a ir para rua.

A violência policial nas grandes cidades é um humilhação constante para pessoas Pretas independente de classe social, em governos anteriores isso era questionado, hoje defendido até dentro dos partidos de esquerda. O mito da democracia racial foi quebrado pela Elite Brasileira, que não aceita mais a possibilidade de uma distribuição de renda, ou qualquer tipo de justiça social.

O racismo no Brasil começa a ser admitido e escancarado, não é mais “um veneno na sopa”, como já citou Mano Brown, ele está aí na fala de Presidente, Governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores. Muitos se elegem com campanhas que fomentam o racismo, a exemplo clássico do Bolsonaro e sua quadrilha.

Precisamos urgentemente fazer uma autocrítica enquanto movimentos sociais, enquanto partido político, porque não saímos à frente desse debate, porque nos recusamos a enxergar a grandeza do Movimento Negro no Brasil. É momento de muito respeito a todas pessoas pretas que construíram o alicerce para pessoas novas entrarem.

A esquerda não pode usar a pauta racial quando convém, nós não podemos virar as costas aos nosso, ou tratar com deboche. Precisamos minimamente entender às reivindicações, pensar o que representa o Movimento Negro no Brasil.

Não há fórmulas, nem caminho trilhado, buscamos entender ao lado, é essencial o papel que figuras como Benedita da Silva, os Racionais trilham, como figuras como Silvio de Almeida e Djamila Ribeiro tratam os debates e expandem os debates.

Precisamos de menos intolerância para entender o papel da esquerda em tratar uma ferida aberta no Brasil, é momento de muita solidariedade as pessoas Pretas quem morrem em massa na pandemia, temos que estar cobrando saúde, investimento no SUS.

É urgente um plano de ação, que não fiquemos no imobilismo, que a pauta racial possa ser levantada em discussões como outras pautas de direitos humanos são levantadas. Não podemos nesse momento nos calarmos, levantemos o debate e a unidade contra a supremacia branca e burguesa.

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