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Ribeirão Feliz de Novo

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Foto: Weber Sian/A Cidade

Por Lucca Vinha (Jejum) – TX

Você acreditaria se eu dissesse que, em uma cidade que deu 72% de seus votos para Bolsonaro em 2018, uma chapa formada por PT, PSOL e PCdoB teria chances reais de eleição dois anos depois? 

Até algumas horas antes de eu começar a escrever esse texto, também não acreditava. O que antes era para ser sobre as fases da resistência ao governo Bolsonaro (mulheres – estudantes – torcidas organizadas – trabalhadores informais) e fazer uma análise dos métodos, das conquistas e da evolução da oposição, se tornou um diagnóstico de outra forma de resistência: o pleito. A vida, como bem sabemos, está repleta de reviravoltas, ironias e surpresas e, em um desses “plot twists” fui obrigado a mudar o tema da conversa de hoje e escrever sobre as eleições municipais de Ribeirão Preto.

Você deve estar se perguntando o porquê desta mudança abrupta. Tive acesso a duas pesquisas eleitorais, uma de Maio e outra de Julho, e em ambas os candidatos de centro/centro-direita lideram, porém, lideram em queda livre. Já na parte esquerda do espectro político, o cenário é outro, e suas três candidaturas não param de crescer. E crescem sensivelmente, o suficiente para terem vitórias políticas na eleição – lançar nomes para futuras eleições, aumentar o voto em legenda para a chapa proporcional, crescer a relevância política do partido na cidade, abrir novas bases e frentes de apoio -, mas não o bastante para eleger.

Não suficientemente para eleger na lógica de chapas puro sangue (cabeça de chapa e vice de um mesmo partido) e sem coligações, como se pode notar pelo que tem se desenhado até aqui. Todavia, quando somadas em uma única e hipotética chapa da esquerda ribeirão-pretana, colamos no líder.

E não apenas colamos no líder, como nossa rejeição é impressionantemente baixa (novamente, estamos falando de uma cidade ultraconservadora que votou em peso em Bolsonaro). E por impressionantemente baixa eu quero dizer menor que a dos candidatos de qualquer outro espectro político.

Ribeirão Preto é uma cidade que há anos não sabe o que é uma administração minimamente decente. Para constatar isso basta dar uma volta pela cidade: suja; desorganizada; transporte coletivo caótico; ausência completa de zeladoria; esburacada; e ainda por cima, um dos piores manejos da pandemia do estado! A última vez que a prefeitura olhou para seu povo e fez um bom trabalho, foi quando nós ocupávamos o Palácio do Rio Branco. Essas pesquisas mostram que, apesar dos pesares, o ribeirão-pretano se lembra do que já foi feito e sabe quem pode fazer muito mais. Sabe quem pode fazer Ribeirão ser feliz de novo.

Não deixem Ribeirão Preto repetir o que foi feito em São Paulo e no Rio de Janeiro. Onde poderíamos ser imbatíveis juntos, mas escolhemos ser fortes separados. E ser forte, no Brasil de 2020, já não é mais o bastante.

O texto de hoje é um apelo. Um apelo por algo completamente possível. Um apelo para os partidos de esquerda da cidade. Um apelo para que três candidaturas expressivas possam se tornar uma candidatura competitiva. Uma candidatura com cara e jeito de povo. A candidatura que Ribeirão Preto precisa.

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