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Bichinho

Zumbido no ouvido - Portal Luz da Serra

Por autor anônimo

O isolamento social (que, aparentemente, não existe para todas as pessoas presentes no meu instagram) trouxe, para mim, uma imensidão de sentimentos que, nem sempre, são bem-vindos. A insegurança se espalha um tanto (muito) por aqui, como uma mosca chata fazendo um zzzzzzzz eterno ao pé do meu ouvido. Fazer o que? Seja bem-vinda de volta, velha amiga-inimiga.

E é insegurança de tudo, viu? De mim com os outros, de mim com o meu entorno, de mim com essa situação caótica – para dizer o mínimo – onde o medo é constante e a saudade também. Mas, principalmente, de mim comigo mesma.

Viver seis meses trancada entre quatro paredes faz isso. Que me desculpem os “vamos aproveitar esses tempos para cuidar de nós mesmos, fazer uma yoga, um curso, treinar”. Não tá acontecendo assim não. A ansiedade é bichinho chato que me faz ter os mais diversos tipos de teorias da conspiração e, mais ainda, me faz ficar sem vontade de fazer nada. Não me entenda mal — não é que eu não queria fazer nada. O pensamento até existe, sabe? O que falta mesmo é a energia que não chega.

E aí, já era. O bichinho é danado feito carrapato e te suga feito parasita. Tudo, absolutamente tudo, é motivo de insegurança. É a aparência de que deu uma engordada (e aí, já era), ou que deu uma emagrecida (e aí, já era), que ninguém fala com você porque é completamente esquecível (e aí, já era), que não tem mais jeito (e aí, já era), que é sua culpa não conseguir se concentrar nas aulas (e aí, já era), que os outros são bem melhores que você, que passa o dia sem energia para nada (e aí, já era).

Com os meses passando — marçoooooo, abriiiiiill, maio, jun, jul, a (o mais rápido que já vivi) — , a angústia aqui dentro vai aumentando. O bichinho me dá mais uma picadinha venenosa e o sentimento é que não vamos sair desse buraco nunca. Definitivamente, “a gente é fraco, que cai no buraco, o buraco é fundo, acabou-se o mundo”.

Eu sei, eu sei, tem esse blábláblá, que não sei quem foi o infeliz que começou, sobre adaptar-se ao novo normal, aprender com essa situação toda e sei lá mais o que. Bom, não nasci camaleão, então tá difícil se camuflar nessa nova vida rápido assim. Não vejo nada de normal, não. Talvez, precise um grau mais forte. E aprender, tampouco.

A batalha foi, e é, árdua. O pior que o danado do bichinho ainda faz questão de me lembrar que não há previsão para sairmos disso, quanto mais voltar ao normal (o normal, normal, tá? Não esse normal louco e novo aí). Sigo batalhando de cá (siga você batalhando daí).

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