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Do inferno ao céu: a esperança renasce em RP

Por Lucca Vinha (Jejum) – TX

2020 foi um ano horrível. Meu ano começou com memes sobre Plague Inc. E logo esses memes já não eram mais memes e eu estava no olho do furacão. Itália fechada, milhares de infectados e mortos. Pouco tempo depois esse mesmo cenário chegou até vocês, mas potencializado por um governo fascista. Se a Itália parecia o inferno, o Brasil pulou logo para o nono círculo. Afinal, como chamar o que Bolsonaro fez de outra forma além de traição?

2019 foi um ano horrível. Primeiro ano de governo Bolsonaro. Primeiro ano de uma tragédia anunciada. Ataques à educação, saúde, meio ambiente, direitos humanos, soberania… Ataques ao Brasil e ao povo brasileiro. Moro recebe seu pagamento pelos serviços prestados. Retirada de verba da ciência e educação. Fim da fiscalização ambiental e trabalhista. Fim da proteção aos povos indígenas e minorias. Se o Brasil de Temer já parecia o inferno, o Brasil do PSL/Aliança pulou logo para o nono círculo. Afinal, como não chamar o que Bolsonaro fez de outra forma além de traição?

2018 foi um ano horrível. Ano final de Michel Temer. Ano que voltamos ao mapa da fome. Ano de lutar contra o ato final do golpe. Ano que prenderam Luiz Inácio Lula da Silva. Ano que assassinaram Marielle. Ano que um projeto fascista de nação venceu as eleições. Ano que Bolsonaro chegou ao poder. Se o pós-golpe já parecia um inferno, a ideia de Brasil que venceu as eleições pulou logo para o nono círculo. Afinal, como não chamar o que nós fizemos de outra forma além de traição?

2017 foi um ano horrível. Primeiro ano pós-golpe. Primeiro ano de governo reacionário desde 1964. Primeiro ano de validade da PEC da Morte. Destruição dos direitos trabalhistas. Retomada da agenda de privatizações. Aumento do desemprego e redução da renda da população. Moro inventa tipo penal e condena Lula sem provas. Daqui pra trás só temos o Brasil da Lava Jato. Aquele Brasil que nasceu com as fraudes de junho em 2013. Aquele Brasil que pulou de cabeça no nono círculo do inferno. Afinal, como não chamar o que Moro, MBL, Cunha, Temer, Aécio e cia. fizeram além de traição?

2017 foi um ano de muita luta. Meu ano começou com a tão sonhada aprovação na USP. Foi um ano de novas amizades, projetos, objetivos e sonhos. Logo nos meus primeiros meses, fui um dos calouros que propôs a paralisação da FDRP para participarmos da greve geral. Participei da construção da Chapa Sinergia para o CAAJA e ajudei a trazer o Ciro e o Haddad. Neste processo conheci o Nossa Voz, que me apresentou ao movimento estudantil da USP e, poucas semanas depois, ganhamos o DCE Livre da USP. Foi esse o ano que, apesar do inferno que o país passava, comecei a sentir um pouco de esperança. Ah, também foi esse o ano que conheci a Duda. 

2018 foi um ano de muita luta. O DCE sendo reconstruído a todo vapor em toda a USP e especialmente no campus de Ribeirão Preto. Os estudantes voltando a participar na vida política da USP. Foi um ano de eleição e, depois do baque do primeiro turno, não foi difícil paralisar todas as unidades da USP RP para fazer campanha contra o Bolsonaro. Foram duas semanas extremamente intensas. Realizamos dezenas de atividades que iam desde assembleias de cursos até panfletagens e oficinas de cartazes. Perdemos a eleição, mas ali ficou claro que a pauta política em Ribeirão Preto seria determinada pela juventude. E ali também ficou evidente que existia uma voz que se destacava. Uma voz que aumentava minha esperança em um movimento estudantil mais forte em nossa cidade e, consequentemente, ao menos uma pedrinha no sapato dos reacionários locais. Duda foi uma gigante que participou de todas as atividades e mais um pouco. Panfletou, conversou com a população, colou muito lambe e fez aquilo que todo mundo espera do jovem: ousou tentar mudar a realidade a sua volta. Em 2018, lutamos, e muito, contra o inferno que assolava o Brasil. E Duda foi uma de nossas principais lutadoras.

2019 foi um ano de muita luta. Logo no início do ano decidi ir para a Itália fazer intercâmbio – o motivo real foi ficar mais próximo de minha família. Mas evidentemente que o Brasil do surreal não me deixaria ter uma partida tranquila. Em Maio, fizemos uma das maiores marchas da história da cidade. Mais de 5 mil pessoas partiram da USP em defesa da ciência da educação. Quinze dias depois repetimos a dose colocando duas mil pessoas na Praça XV e, em Julho, levamos a maior bancada de cidade do interior do país para o maior congresso de estudantes da América Latina. Ribeirão tomou o CONUNE. Era oficial, a pauta era dada pelos estudantes. A juventude queria voz em Ribeirão Preto. A juventude queria ocupar a Câmara. E quem melhor para representar essa juventude do que a Duda? Lembro de uma conversa que tive com ela em que conversamos pela primeira vez sobre disputar uma vaga no Legislativo Municipal. A resposta? “Jejum, você tá doido!”. Rimos muito, mas a sementinha estava plantada. Duda 2020 já era uma realidade. E eu embarcava para a Itália saindo do inferno de Bolsonaro cheio de esperança por saber que a melhor dentre nós estava na linha de frente.

2020 foi um ano de muita luta. Bolsonaro provou que estava disposto a tudo para garantir seus interesses políticos, inclusive a deixar mais de 150 mil pessoas morrerem. Neste cenário apocalíptico, os estudantes lutaram e garantiram o funcionamento do Bandejão mesmo durante a pandemia. Se organizaram para ajudar famílias carentes por toda a cidade, ajudando a suprir a omissão da administração tucana no município. Se adaptaram às novas realidades de distanciamento social para continuar promovendo as pautas de esquerda que foram tão atacadas desde o golpe de 2016. 2020 foi o ano que nada nos parou. Foi o ano que depois de quatro anos do golpe, e no meio da maior crise sanitária da história, consegui recuperar minhas esperanças no Brasil. Foi o ano que elegemos a Duda.

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