Abertura

Manifesto por um Jornal das e dos Estudantes da USP Ribeirão

Manifesto

Por João Vitor Basso Fabricio (Shade), Editor-chefe do Jornal Ócios de Ofício

Verba volant, scripta manent

Nascida após a dita Revolução Constitucionalista de 1932, como um projeto político e econômico de reconstrução do Estado de São Paulo, a Universidade de São Paulo transcendeu sua função instrumental inicial para se tornar um sonho autônomo, um conjunto de esperanças, um organismo que é uma comunidade desejosa de mudar o mundo. A USP não é burocracia, tampouco é meramente um aglomerado de unidades de excelência. A USP somos nós, um coletivo, uma união de histórias que passa, a partir de intersecções, a criar uma história própria, um verdadeiro corpo. Concretamente, por si só, um jornal não existe, uma universidade não existe, um país não existe; o que se tem, de fato, são pessoas que dedicam suas vidas a construírem entidades, coletivos e projetos, que ganham vida na medida em que cada membro deposita suas esperanças num ideal compartilhado.

Evidentemente, fora do idealismo vão, esse corpo nunca foi harmônico. Ele é um reflexo da estrutura social hegemônica, seja pela manutenção das disparidades de classes, etnias, gêneros, sexualidades, identidades, dentre inúmeras outras formas de opressão e preconceito. A sociedade é o espaço do conflito e cada comunidade é um palco de encenação do que se dá no todo no qual se insere. Entretanto, a constatação dessa instabilidade não tem de ser negativa, ela pode ser o início da dinamitação das barreiras que nos separam, pode ser o meio pelo qual criaremos as novas pontes que nos unirão.

No nosso espaço do campus da USP em Ribeirão Preto, notamos um polo não só de proeminência técnico-científica, mas também de sonhos. Sonhos de dinamizar o interior e de possibilitar a milhares de cidadãos, de diferentes classes, etnias e identidades, o acesso a uma adequada inserção no Ensino Superior. Contudo, sonhos não são estáticos, eles podem ganhar força e gerar aspirações ainda maiores; no caso, criar uma verdadeira comunidade no campus de Ribeirão para nos integrarmos, lutarmos em conjunto por nossas demandas, criarmos laços, e termos nossa própria voz enquanto corpo.

Não é na simplicidade das respostas instantâneas, na tempestade e no ímpeto, que se encontra uma forma de integração, um meio da promoção de uma identidade coletiva. Isso é uma construção gradual e exige um considerável empenho conjunto de toda comunidade do campus, não parte só de uma pessoa ou grupo.

A cultura é produto da união das pessoas e, simultaneamente, é a cultura que promove união.

Há mais de uma década, o Jornal Ócios de Ofício foi criado por necessidade, por um desejo das e dos estudantes da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FDRP-USP) de ressignificar suas experiências não somente enquanto alunos, mas como comunidade. Os estudantes se uniram para criar um meio de integração entre as turmas, uma forma de harmonização da convivência, um registro de suas atividades, um espaço para trocarem ideias, experiências e entrarem em contato com a diversidade artística e cultural de gente de todos os cantos do país. A história do Jornal foi sendo construindo a partir das identidades dos seus integrantes. Foi crescendo, se desenvolvendo e adaptando. Começou com um jornal sendo lançado, em edição física, semestralmente; mas ele tomou novos contornos: passou a ter presença diária nas redes do Ócios, seja no nosso site, Facebook, Instagram e demais mídias.

Além disso, o Jornal se projetou para além de um curso e se fez estar na alma campus. O Ócios não se limita, não se prende, ele é do tamanho das pessoas que se dispõem a construi-lo. O Jornal surgiu numa unidade USP, mas não está restrito a ela, o projeto é um coletivo cultural que é de todas e todos estudantes da USP de Ribeirão Preto. O Jornal se propõe a ser um meio de comunicação, um centro de informações, um espaço de interação entre alunas e alunos de todas as nossas atuais unidades: EEFERP, EERP, FCFRP, FDRP, FEARP, FFCLRP, FMRP e FORP.

O Ócios não é mais apenas um projeto de união interna de uma faculdade, ele é a proposta de união entre as entidades de todos gêneros, de Centros Acadêmicos e DCE às Ligas e Atléticas. Ele é um ideal de aproximação e interligação entre turmas de todas as unidades. Ele está entre todas uspianas e todos uspianos de cada canto do campus.

O Jornal é nosso, ele é o nosso elo comunicacional, nossa divulgação conjunta de informações, nosso espaço de desenvolvimento cultural, nosso projeto de extensão para a comunidade interna e externa, nosso meio de entramos em contato uns com as identidades dos outros e a partir disso criar nossa identidade conjunta para que possamos ter, de fato, nossa voz no campus. Não é instrumento meramente político, retórica vazia e nem um mecanismo alheio a nós; o Jornal tem que ser apropriado por cada um de nós, estudantes da USP Ribeirão. Ele tem de ter nossa cara, nossa expressão e ser o que quisermos fazer dele, pois ele é o recurso para nos fazermos e reconhecermos enquanto comunidade. O Jornal é plural e se conjuga somente a partir do “nós” porque não há figura por trás dele senão um corpo que é constituído por todas e todos nós.

Esse texto não é uma produção individual, mas a síntese, em manifesto, de um sonho conjunto levado há mais de uma década por inúmeras pessoas e que só tende a crescer e aglutinar mais e mais aspirações. Ele não é a apresentação de um projeto já feito, mas sim um que está em construção. Companheiras e companheiros, o Jornal também é de vocês, ele é nosso e podemos escrever as novas páginas do futuro do Ócios de Ofício juntos, venham conhecer e participar do Jornal que é de vocês. Vamos nos unir não só em folhas e em posts, e sim como indivíduos, como a voz das e dos estudantes da USP de Ribeirão Preto.

O Ócios é gigante, o Ócios é USP Ribeirão!

INFORMAÇÕES PARA CONTATO

Telefone para contato
(17) 98191-6640

Face
Ócios de Ofício

Instagram
@ociosdeoficio

Twitter
@ociosdeoficio

Site do Ócios
https://ociosdeoficio.com/


MEMBROS DO CORPO EDITORIAL DO JORNAL ÓCIOS DE OFÍCIO

Ana Laura Assis Mendes 

Ana Luísa Guimarães de Carvalho 

Ana Paula Araújo Alves da Silveira 

Ana Victória Lessa Malheiros 

Beatriz Carneiro Cintra 

Bianca dos Santos Soares 

Bruno Walker Farias Cunha 

Caio Miranda de Polo 

Carlos Eduardo Capelini Eli Lopes 

Daniel Noccioli Sanches 

Eberth Vinicius de Oliveira Silva 

Franciele Santos Amorim 

Frederico Cazu dos Santos 

Gabriela Beatriz Silva Leite 

Gamaliel Gadelha Pinto 

Isabela Silva 

João Pedro Correa da Nóbrega 

João Vitor Basso Fabricio 

Julia Ferreira Gallo 

Kezia Taluany de Souza Silva  

Leticia S. Batista 

Lucca Vinha Vigneron 

Luiza Fernandes 

Maria Eduarda Alencar Hidalgo 

Maria Eduarda Almeida Duarte 

Maria Eduarda Ruas Guimarães 

Matheus Rodrigues Ribeiro 

Nathalia de Oliveira Neves Carvalho 

Pedro Adzgauskas Silva Scannavino 

Pedro Henrique Amorin Silva 

Raphaela Andrade Silva 

Renato de Souza Lago 

Sócrates Thadeu Vilas Boas 

Taís Delazari de Carvalho 

Thaianne Cristine Gadagnoto 

Thamiris Delazari de Carvalho 

Tiago Augustini de Lima 

Victor Azevedo de Aragão 

Ribeirão Preto, 15 de março de 2021

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s