Texto da semana

Sejamos mais Margaridas

Thamiris Delazari de Carvalho (Turma XIII da FDRP)

Há várias coisas a se falar das flores, afinal, são tantas espécies variadas, que vislumbram olhos e corações de céticos a enamorados. Não me cabendo aqui falar de todas elas, me restrinjo a nós, flores nossas de cada dia.

Vinicius* já enunciava a beleza e maestria com que se revela a florida Rosa, de tamanha importância e nobreza diante das demais companheiras. Porém, antes que escolha ou revele sua florescência, adianto que não podemos ser todas Rosas. Dessa forma, se uma de nós a for, e as outras não, cabe à primeira decidir se continuará a se mostrar como Rosa ou abdicar esse título para se aproximar das demais.

Então, serei eu o Girassol, será mais alguém a Hortência, será outro alguém a Tulipa, e será você a Margarida.

E assim, construímos a nossa felicidade depois de ver a alegria no outro. E assim se faz quando deixa-se de ser Rosa.

Escolho as flores para nos representar, porque as flores inspiram alguns belos sentimentos. São doces, delicadas e sempre dispostas a nos despertar um sorriso quando precisamos. Por outro lado, são fortes em cada ciclo, resistentes e singulares. Não há uma flor igual a outra neste mundo. Assim são as flores, e assim somos nós.

As flores são companheiras se você as cultiva, residindo aí uma grande responsabilidade, uma vez que elas se permitem cultivar em maior proporção do que, talvez, consigamos corresponder. Crescendo em jardins ou aparecendo sufocadas através de rachaduras no asfalto, se você as cultiva, continuarão a florir. Mas será mesmo que a facilidade de crescer em um jardim, onde todas as flores são iguais tratadas, compensa a falta de liberdade que aparece quando olhamos para a flor que brota desamparada na vastidão? Não sei, mas também não o saberá a Rosa.

Enfim, que sempre lembremos: não se preocupe em ser a Rosa. Sim, ela é bela e perfumada, mas também é egoísta. Seja a Margarida, que também possui seu encanto e se permite rodear por outras flores, que a cultivam e são cultivadas por ela também. Seja a Calêndula, com suas cores vibrantes e amendoadas. Seja um imenso quintal de flores.

Seja uma flor vívida, habitante nos vasos ou no solo, ao invés de flores mortas oferecidas em sinais, por vezes absortos e contraditórios, de cumplicidade. E permita que suas pétalas cheguem a lugares distantes, permita que outras pessoas ao seu redor também floresçam, e não se esqueça de cada jardim passado, que te inspirou com suas floradas.

*Referência ao poema ‘Rancho das Flores’ de Vinicius de Moraes

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