Texto da semana

Memórias de Ituverava

Por Tiago Augustini (Harden) – TX da FDRP

Embora já tenha escrito sobre o nobiliárquico Conde de Ituverava, nunca havia me passado escrever sobre como conheci a fatídica comarca. Não me vem ao certo quando Petrus Esbernus começou a falar de Ituverava – esse municipalista que é – mas aquilo me intrigou.

Corria na boca dos mais chegados amigos faderpianos que Esbernus era o que os mais antigos denominavam “para-raio de maluco.” Lógico, isso se alterou com o passar dos séculos e hoje o temos como o maior colecionador de “pokébolas” nunca antes visto.  Encabulado com isso, conheci a Ituverava de Petrus e percebi que é dali que saem essas brilhantes figuras e isso explica o apreço do ituveravense às pokébolas. Portanto, cá estamos, meus amigos e minhas amigas. Eis o núcleo duro de pokébolas do país: Ituverava do Imperador, pois vamos a ela. Bom dia, boa tarde, boa noite! Por enquanto!

Foi a primeira vez que visitei aquela nobre comarca em que pisou a Vossa Magestade, o Imperador do Brasil, Dom Pedro II – duvidam? perguntem a Esbernus ou ao Conde da passagem do Imperador àquelas terras e, inclusive, Conde é extremamente acolhedor, enviar-lhes-á áudios magníficos exaltando as belezas da cidade quando não está presente em Terras Brasilis e, quando está, sempre presenteia os moradores que o visitam com garrafas de vinho de sua própria lavra, realmente um nobre de fio a pavio – e já a achei magnífica em termos antropológicos e históricos.

O itinerário a Ituverava se deu da seguinte maneira: Esbernus me convidou para participar de um trote a uma recém aprovada em vestibular, peguei a estrada e lá fui – mais de 400 km em busca da terra prometida – prometida porque o famigerado disse se tratar de verdadeiro céu na terra (que Deus ou o Diabo o perdoe, nunca se sabe ). Eram meados de fevereiro de 2018 – lá chegando obtive boa recepção e, na casa de Petrus, conversamos algumas amenidades e, então, o ituveravenseme convidou para um passeio turístico pela urbe.

Contudo, algo já havia me acabrunhado logo na entrada da urbe, pois ali há a primeira surpresa – achei estranho e suspeito, mas fingi naturalidade – quando percebi que há um pórtico que na verdade é um castelo, com uma torre em cada lado da vicinal e alguns Paulos Kogos em seus alazões perguntando aos que ali transitam se a visita é amigável ou litigiosa, não há precedente disso em outros municípios do país.

– “Certamente amigável, meu amigo! Visitarei um conhecido e amigo, seguramente o conhece. Irei à casa de Petrus Esbernus” – Eu disse com receio, tentando não pestanejar na entonação vocal e olhando para a ponta da lança do templário.

– “Perdão pelo embaraço, nobre cidadão, Petrus é defensor da cidade contra o jogo do bicho e indubitavelmente lhe dará excelente estada. Passar bem e VIVA MINHA ITUVERAVA!” – Assim ele me respondeu e eu só conseguia pensar em que loucura era aquela em que me metia, mas segui adiante.

Já em companhia de Esbernus e após a efusiva receptividade, o prazenteiro me levou para comer carnes exóticas num local que se chama Espeto do Japonês. Ele me assegurou que seria seguro e lá comemos, não aos regalos, pois todo cuidado é pouco em locais desconhecidos. Após os acepipes, tomamos um açaí a caminho da praça central – local solene para os ituveravenses, como dissera Petrus.

– “Aquela praça deveria ser patrimônio da humanidade. Há diversidade cultural e  histórica, uma mistura de monarquia com Marcelo Taz; de MPB com Pedro Álvarez Cabral; de cachoeiras com Gustavo Borges” – Esbernus me dizia com a cabeça baixa, tamborilando em seu espertofone e dando bebericadelas em seu sorvete.

Lá chegando, para meu espanto, era exatamente aquilo que se dizia. Há uma Caravela no meio da praça; há uma cachoeira em que a água que dali verte forma uma raia de piscina olímpica que homenageia Gustavo Borges. Noutro pólo dos jardins, há homenagem a Vitor Martins e Ivan Lins e, noutro canto, uma pedra que relembra tempos áureos da era Imperial Brasileira. Bem, fiquei boquiaberto e Esbernus só dizia – “Bom hein?! Aí Sim! Bom demais! Casquei!”

Depois do passeio e explicações históricas das escolhas arquitetônicas de Lúcio, o Estadista, o antigo prefeito – o ituveravense me levou ao PUB 016 – local de encontro da juventude ituveravense; bem ao estilo dos Pub’s ingleses, Petrus me disse que dali sairiam os novos Beatles ou talvez um Oasis ou Skank, caso sejam os Beatles sonho alto demais – como os anos já me corroem o corpo achei o local hostil, mas, ali, foi onde conheci Cassius e sua história da boca de enguia, que mais tarde poderia vê-la com meus próprios olhos, todavia não me estenderei nela, perderia o fio da meada – e, melhor, perguntem à Júlia Dias – ela ficará feliz em lhes contar.

Andamos por toda a cidade, conhecemos a faculdade local; a escola onde Petrus estudou o ensino médio e voltamos para sua casa para um café da tarde maravilhoso – até esse momento tudo se passou bem, mas nada, absolutamente nada indicava o que viria a ser de mim naquela noite.

Pois estava marcada uma festa na casa de alguém que também havia passado no vestibular, mas não me recordo o nome, peço desculpas àqueles que me leem – ao que tudo indica essa pessoa, naquele momento em felicidade deslumbrante, era a mais sã da trupe de Esbernus.

Chegando na festa, uma moça nos abordou em meio a trancos e barrancos. Havia olheiras profundas, um certo desespero ao falar e Petrus logo a perquiriu sobre seu estado e ela respondeu um pouco espivitada:

“Eu preciso passar na prova da empresa júnior, Petrus, eu preciso passar, essa é minha vida, mais que a própria Ituverava, a empresa júnior é tudo o que há para o futuro, muito em breve o Brasil se tornará uma empresa júnior da FGV. Estou há 5 noites sem dormir, mas ei de passar. Torça por mim, meu amigo” – era Luísa Athaíde, a notícia boa é que ela realmente passou e a ruim é que o país não se tornou uma EJ – viramos uma caquistocracia misturada com magia, obscurantismo, negacionismo e com O Conto da Aia.

Acabei me acostumando a tantas aleatoriedades e nada indaguei a meu anfitriãosobre essa conversa. Logo em seguida fomos a uma roda de pessoas e lá estavam: o Pilotto, seu amigo de faculdade Du, Sofia e Ju Days. A conversa girava em torno de Du.

O amigo de Pilotto, já muito conhecido nas rodas ituveravenses por suas conversas memoráveis em grupos de whatsapp, perguntava a Sofia por que ela não queria ficar com ele. Se ele era muito feio? Ele era muito chato? Ele disse não saber os motivos da negativa de Sofia, pois ele tocava piano e fazia medicina. Sofia apenas respondia que não tinha interesse. Du começou a fazer stories no instagram e começou a reclamar a Pilotto que ninguém o respondia; ninguém queria ficar com ele e as pessoas precisavam ficar com ele. Esbernus tentou ajudá-lo perguntando sobre o Daciolo, o Darcy Ribeiro, o próprio Pazuello, mas nada resolveu e então resolvemos sair com receio de uma catástrofe.

Quando estávamos indo à beira do ringue ali montado, onde Joel Folgado lutava (apanhava) de um ex morador em situação de rua, Dudu Khalil me abordou:

– “Você tem namorada? Cadê ela? Não vai me apresentá-la? Ela é bonita? – As perguntas ficaram distantes em minha mente. Passei a não entender mais o que ele dizia e respondi que não estava entendendo, mas ele insistia e, com medo dele pegar uma lança, logo disse que não tinha namorada.

O restante da noite se deu com um show especial com a fatídica boca da enguia, de Cassius – mais um vez, caso realmente queiram saber, perguntem à Ju Days. Algumas pessoas jogavam notas e moedas como retribuição e Natan, completamente contrariado, emitindo palavras de ordem aos berros e com as mãos em riste, dizia que era inconcebível o pagamento em dinheiro oficial – “o Dinheiro Oficial do Estado é uma afronta às liberdades do indivíduo poder pagar suas demandas com cuspe ou origamis! Abaixo o dinheiro! Abaixo o dinheiro!” – Felizmente ninguém acompanhou sua toada, mas Petrus dizia: “bonzinho de tudo, casquei!”

Meus amigos e minhas amigas, até onde me lembro, foi exatamente assim que ocorreu. Após isso voltei para minha terra, local de espécimes raros, mas não como o Ituveraverso, nome adotado pelos que lá vivem. Assim, passei a entender o deja vu de Petrus para personalidades interessantes. Espero Djulieny chegue a esse final de texto e se sinta contemplada como pokébola. Que saudade!

Ps. quem refutar esse texto possui adornos córneos nos hemisférios cranianos. O que mais me entristece é saber que estou há mais de 2 anos sem visitar aquela urbe (conto a vocês – Conde ficou um período em mora conosco para um almoço em comemoração à vitória de Esbernus contra o jogo do bicho, ainda não ocorreu, mas há de ocorrer, esperamos que em breve e qualquer hora conto a todos e a todas como Petrus derrotou o jogo do bicho estadual). Abraços, minha gente, e lembrem-se: jamais deem ouvidos à qualquer membro da franquia Pockenaro.

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