Frames de Ofício

Dunkirk – Christopher Nolan

Por: Pedro Andrade Salomão (Safa) – TXIV da FDRP

“Dunkirk” é um filme dirigido por Christopher Nolan e que traz uma história de soldados que tentam evacuar a cidade de Dunkirk antes da chegada das tropas alemãs na Segunda Guerra Mundial. Por ser dirigido por um diretor brilhante e por abordar um tema muito interessante, o filme foi rapidamente posto em um lugar de destaque entre os grandes lançamentos de 2017 e um dos favoritos para ganhar o Oscar. Mas o filme é tudo isso mesmo?

Sendo um filme de guerra, há um bom trabalho com os sons – não é à toa que ganhou merecidamente o Oscar de ‘Melhor Mixagem de Som’ e o de ‘Melhor Edição de Som’ -, além de conseguir ter uma fotografia cinza e triste, adequada ao que está acontecendo na trama. Infelizmente, os pontos altos da obra não vão muito além ao meu ver. A narrativa é confusa e a construção das personagens, pobre.

A trama acompanha três enfoques narrativos com núcleos diferentes em tempos diferentes, mas os apresentando com uma montagem sobreposta, dificultando o entendimento do que está acontecendo e aparentemente apenas com esse intuito, de tornar a trama mais complexa do que realmente era – o que me faz discordar com a premiação de “Dunkirk” em ‘Melhor Montagem’ no Oscar. Assim, o telespectador fica boa parte do filme sem entender o contexto geral, esperando esses três enfoques se convergirem para que tudo faça sentido. Ainda sobre esse ponto, destaco as cenas dos aviões que ficam extremamente desordenadas, pois o tempo delas é o mais distante do resto da história e, por isso, muitas cenas ficavam se repetindo ao longo que as narrativas chegavam a um mesmo momento, fazendo com que quem assistisse não soubesse o tempo exato dos acontecimentos.

Em relação às personagens, apesar de interpretadas por bons atores, há pouca ou nenhuma evolução em suas trajetórias, sendo que a que teve o melhor arco foi um pequeno coadjuvante, o único que tem a sua história e sentimentos minimamente explorados. Isso se deve muito porque a trama não foca nas pessoas, mas em acontecimentos gerais. Além disso, a complexidade rasa das personagens é impulsionada pelos poucos diálogos e pela própria falta de importância das personagens escolhidas para serem os fios condutores da trama (com exceção dos pilotos). Assim, o choque de assistirmos a uma guerra não vem de nenhuma atuação, mas de cenas e situações abrangentes, envolvendo uma grande quantidade de figurantes.

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