Texto da semana

Maio Laranja: Por que falar sobre educação sexual nas escolas?

Por: Heloisa Dehn Araujo Quirino – Turma XVIII da Pedagogia

Falar sobre educação sexual, principalmente com crianças e adolescentes, não é tarefa fácil. A propósito, é muito mais do que complicado, já que se trata de algo tão delicado, porque, segundo a Agência Brasil, em média 70% dos casos denunciados são cometidos por pessoas íntimas da família, ou até pessoas da própria família (abuso intrafamiliar). A pauta para naturalização do assunto é urgente, quando consideramos os índices de abuso infantil e infanto-juvenil. De acordo com um relatório da Childhood sobre violência sexual na infância, entre 2012 e 2015, mais de 157 mil casos de violência e abuso foram registrados, isto é, a cada uma hora, há 4 crianças ou adolescentes violentados no Brasil.

Apesar de tornar-se obrigatório o tema da sexualidade (que envolve identidade de gênero, violência sexual e corpo), devendo ser tratado como transversal e não só nas aulas de biologia, o assunto pede projetos, campanhas e o que mais for preciso para que a devida atenção seja dada ao tópico, tendo em vista que as realidades governamentais, como o negacionismo científico, a volta dos ideais do pseudo medievo,- ou seja, a volta de ideias que são tão retrógradas, ao ponto de se alinharem aos estereótipos da Idade Média-, e apenas o que pode ser feito em sala de aula, não são eficientes, suficientes e eficazes em alertar permanentemente ou evitar que crianças e adolescentes sofram violência. É necessário que haja projetos, seja investido tempo e que o assunto seja abordado de várias formas.

Outro tema extremamente importante, tangente à sexualidade, e que precisa ser debatido nas escolas, é o fato de sermos sexuais quando respiramos, comemos, socializamos, etc. (o que na psicologia e psicanálise é tratada como impulso), já que essa instituição tem o DEVER de formar cidadãos (art. 205 CF/88), e com isso, desnormalizar a violência emocional, ensinando que gostar, amar e querer estar junto NÃO viola seus sentimentos e vontades, e que a violência sexual não se trata apenas da violação do corpo, mas também do desrespeito, invalidação e desumanização das emoções do outro. Estudos recentes formulados a partir desta temática apontam que cerca de 70% dos casais adotam como padrão a dinâmica da desvalorização, invalidação, intimidação e desrespeito à autonomia.

Somado a isso, há dados publicados em 2015 pelo Mapa da Violência que mostram que esse tipo de violência e dinâmica tem sido a mais aceita, feita e normalizada, mesmo causando muito mais danos do que a violência física (agressão). Portanto, a realização de projetos com relação a essas temáticas é inadiável. Use esse mês laranja para se conscientizar. Ame de perto com gestos que salvam!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s