Texto da semana

A depressão, a mente e o corpo

Por: Anônimo da FDRP

Desde o começo da pandemia, foi-se orientado para as pessoas do mundo inteiro que fiquem em casa, com o objetivo de conter a disseminação do novo coronavírus COVID-19. No entanto, outros problemas começaram a surgir à medida que a pandemia se alastrava, como os transtornos psicológicos, sendo os mais comuns a depressão e a ansiedade.
Há muitas causas para tal aumento. Ficar em casa necessariamente significa estar consigo e com seus pensamentos muito mais presentes em sua vida, pois no antigo “normal” havia um bombardeamento de informações, pessoas e experiências que tiram o foco da nossa existência sobre nós mesmos.
Agora, como a situação pandêmica já está posta e não há o que fazer perante isto a curto prazo, é preciso aceitar a nova realidade temporariamente e se adaptar. As causas para os transtornos psicológicos são inúmeros, e é impossível explicar esse fenômeno em algumas páginas. Entretanto, um fator determinante para o seu estado mental é a sua relação com o seu corpo, isto é, se este está saudável ou doente. Friedrich Nietzsche, o pai da pós-modernidade, é conhecido por muitos motivos, e um destes é sua brilhante análise da espécie humana introduzindo a relação entre o corpo e mente, pela alegoria do viajante e do filósofo, em A Gaia Ciência (1882).
O viajante descobre novos territórios físicos da mesma maneira em que um filósofo investiga os recônditos labirínticos da alma humana.
O viajante, caminhando por trilhas o dia inteiro, fatiga-se e entrega-se ao sono, sabendo que algo irá despertá-lo no outro dia. Enquanto dorme, o viajante sonha, ou seja, entrega-se ao inconsciente, ele afasta-se de si mesmo, desliga-se do real, adoece. Portanto, quando o corpo do viajante adormece, a mente adoece, escapa da sua missão primária de descobrir novos territórios reais e cria uma realidade imaginária.
Mesmo estando doente, há um instinto no próprio viajante que o faz acordar e continuar com a sua missão, de continuar aquilo que deve fazer.
O filósofo, tendo uma missão similar à do viajante, passará pelo processo reverso. Focando-se muito naquilo que é lógico, abstrato, perfeito, ideal, coerente, deixará de dar atenção aos seus instintos mais primitivos, daquilo que nos define não como seres humanos, mas como animais. Deixando de dar atenção aos seus instintos mais primitivos (como o exercício físico), a mente começa a vislumbrar realidades inexistentes, a um desejo de se separar do mundo, pois este é muito feio, incoerente, mentiroso e corrupto. Quando o corpo do filósofo adoece, a mente adormece, como Nietzsche eloquentemente, postulou.
Estar com transtornos psicológicos é um problema, e embora seja interessante analisar as causas sociológicas da depressão, por exemplo, isto não a tornará menos presente na vida de tantas pessoas que sofrem no dia-a-dia. O que pode ajudar a superar é começar a delimitar fatores sobre o que se pode mudar agora, e o sedentarismo é um grande fator. No final das contas, não se esqueça de que você é um animal, e precisamos agradar nossos instintos para manter nossa saúde mental.

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