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O incentivo das Universidades Públicas à emancipação empreendedora de seus alunos

INOVE-SE: NAS TRILHAS DA INOVAÇÃO EM SAÚDE

Humane Inovação em Saúde

No Brasil, existem cerca de 296 Instituições de Ensino Superior Públicas, entre elas 15 Instituições que corroboram com mais de 60% de toda ciência produzida em nosso país, representando mais da metade de todo conhecimento científico. A produção científica acadêmica nas áreas de Ciências da Saúde, Engenharia, Ciências Biológicas, Ciências Exatas e da Natureza e Ciências Agrícolas se concentra nas Universidades Públicas do Brasil.

No entanto, a produção científica deve ir além de artigos publicados em grandes periódicos e revistas nacionais e internacionais. O Brasil apresenta uma notável produção científica acumulada, e em comparação, o cenário não é o mesmo quanto à produção tecnológica para o desenvolvimento econômico do país, constatando uma lacuna na participação do país no patenteamento de novos insumos e tecnologias para o setor produtivo nacional e mundial.

Quanto maior a produção tecnológica de um país, maior é a modernização, expansão e valorização de sua economia. Entende-se então a necessidade de aumentar os recursos e incentivar uma cultura organizacional inovadora aos estudantes do ensino público superior, de maneira a possibilitar a transformação de conhecimento baseado em evidências científicas em soluções tecnológicas patenteáveis.

A patente é um título temporário de propriedade intelectual, concedido pelo Estado em que foi submetida, que objetiva proteger novos produtos, processos ou aperfeiçoamentos recém-descobertos que apresentem uma solução tecnológica para um problema específico. A patente é apenas um dos tipos de propriedade intelectual existentes, sendo que os outros são: marca, desenho industrial, indicação geográfica, direito autoral, programa de computador, e proteções sui generis (cultivares e topografias de circuito integrados).

Posto isso, surge o questionamento sobre o que as universidades vêm fazendo na prática para transformar a produção científica, desde seus trabalhos de conclusão de curso até projetos de mestrado e doutorado, em inovações de alto impacto.

De acordo com a pesquisa “Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras”, realizada pelo Instituto Endeavor e SEBRAE, em que buscou-se o nível de satisfação do binômio professor-aluno no processo de desenvolvimento de projetos de empreendedorismo, por mais que cerca de 65% dos professores estejam satisfeitos com iniciativas de empreendedorismo dentro da universidade, a média entre os alunos é de apenas 36%. Assim, um dos motivos é o fato das faculdades não terem um programa que apoia toda a jornada do aluno que quer empreender, algo que vá além da motivação e dos primeiros passos. Sendo assim, é notório que universidades têm em sua grade disciplinas sobre empreendedorismo, mas a maioria (54%) visa apenas inspirar o aluno a empreender. Ainda podemos analisar, segundo os dados, que estas disciplinas não estão presentes em todas as universidades, de modo que cerca de 50% dos cursos de engenharias e ciências sociais aplicadas possuem cursos de empreendedorismo, sendo que essa média, em outras áreas de conhecimento, cai para apenas 30%.

É possível então compreender a visão de que o relacionamento entre as instituições públicas de ensino superior e o empreendedorismo seja apenas pontual, fazendo com que as universidades muitas vezes não sejam vistas como um forte ponto de apoio para aqueles que desejam empreender.

Esses achados contribuem de forma direta para que as instituições possam repensar o processo de apoio e prospecção à cultura de empreendedorismo para bem mais que até o fim de um semestre letivo, de modo a oferecer suporte por meio do direcionamento às empresas juniores, startups, incubadoras, aceleradoras, cursos de instrução sobre propriedade intelectual e empoderamento dos alunos, pois não falamos de “simples ideias”, mas sim dos sonhos, do tempo e do processo criativo de milhares de pessoas que ousam recorrer ao empreendedorismo dentro da academia.

Por meio do estímulo à criatividade em conjunto ao uso de bases metodológicas já existentes, podemos apresentar soluções para necessidades e problemas atualmente existentes na sociedade. Reconhecemos então a importância da existência de iniciativas como as citadas no parágrafo anterior, que apresentem aos alunos a teoria e instrumentos práticos e fundamentais para o exercício da inovação e do empreendedorismo, e ainda os instiguem à invenção de projetos de negócios que podem vir a sair do papel e se tornarem grandes cases de sucesso.

Com esses exemplos de como universalizar o empreendedorismo nas instituições públicas de nível superior dentro de todas as áreas que contemplem a ciência, podemos incentivar a profissionalização e comercialização de ideias de futuros graduandos que beneficiarão o desenvolvimento econômico do país, aumentando as perspectivas, oportunidades e possibilidades para o futuro do jovem brasileiro!


Nós, da Humane Inovação em Saúde, grupo de pesquisa e extensão destinado ao empoderamento da inovação em saúde, viremos ao Jornal Ócios do Ofício uma vez ao mês com a coluna “Inove-se: nas trilhas da inovação em saúde” para abordarmos assuntos acerca da inovação e do empreendedorismo. Para esse primeiro texto decidimos levantar a discussão de maneira generalizada, e em seguida apresentaremos mais informações acerca das inovações na área da saúde, como uma forma de fomentar o empreendedorismo na assistência e gestão em saúde. Te convidamos então a conhecer nosso trabalho e acompanhar nossa coluna por aqui!


Referências:

BAGNATO, V. S. et al. Guia Prático 1: Introdução à Propriedade Intelectual. Agência USP de Inovação, 2017.

CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR. As universidades brasileiras representam 8% da rede, mas concentram 53% das matrículas. Portal INEP, 2018. Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/dados-do-censo-da-educacao-superior-as-universidades-brasileiras-representam-8-da-rede-mas-concentram-53-das-matriculas/21206&gt;. Acesso em: 24 de junho de 2021.

DIAS, C. G.; ALMEIDA, R. B. Produção científica e produção tecnológica: transformando um trabalho científico em pedidos de patente. Einstein – São Paulo, v. 11, n. 1, p. 1–10, 2013.ESCOBAR, H. 15 universidades públicas produzem 60% da ciência brasileira. Jornal da USP. São Paulo, 2019. Disponível em: <https://jornal.usp.br/?p=270700&gt;. Acesso em: 24 de junho de 2021.

ENDEAVOR. As universidades brasileiras apoiam o empreendedorismo? Veja o que alunos e professores pensam. Ná Prática, 2016. Disponível em: <https://www.napra tica.org.br/pesquisa-endeavor-empreendedorismo-na-universidade/>. Acesso em: 24 de junho de 2021.

ENDEAVOR BRASIL; SEBRAE. Empreendedorismo nas universidades brasileiras. São Paulo, 2016. Disponível em: <https://d335luupugsy2.cloudfront.net/cms%2Ffiles%2F 6588%2F1476473621Relatorio+Endeavor+digital+%283%29.pdf>. Acesso em: 24 de junho de 2021.

OLIVEIRA, R. M.; VELHO, L. M. L. S.. Patentes acadêmicas no Brasil: uma análise sobre as universidades públicas paulistas e seus inventores. Parcerias Estratégicas – Brasília, v. 14, p. 173 – 200, 2009. Disponível em: <http://seer.cgee.org.br/index.php/parcerias_estrateg icas/article/viewFile/355/348>. Acesso em: 24 de junho de 2021.

PARREIRA, P.; ALVES, L.; MÓNICO, L.; SAMPAIO, J.; PAIVA, T. Competências empreendedoras no Ensino Superior Politécnico: motivos, influências, serviços de apoio e educação. Instituto Politécnico da Guarda, 2018.

SILVA, R. B.; DAGNINO, R. Universidades públicas brasileiras produzem mais patentes que empresas: isso deve ser comemorado? Revista Economia & Tecnologia, v. 5, n. 2, 2009. Disponível em: <https://revistas.ufpr.br/ret/article/view/27269&gt;. Acesso em: 24 de junho de 2021.

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