Texto da semana

O dia Flicts

Quando eu era pequena ganhei um livro, Flicts de Ziraldo. Livro infantil, meio rimado, mas tenho boas memórias da sua história. Flicts é sobre uma cor que não se encaixa. Não está na caixa de lápis de cor, não está no arco-íris, não está em nenhuma bandeira.

Porém, Flicts queria muito encontrar o seu lugar. Então ele procura. Em todas as bandeiras, em todas as nações, em todas as coisas. Alguém para ser seu amigo, alguém para lhe fazer companhia.

As outraz cores dizem “Não há vagas”; “Não tem lugar para você”; “Temos um nome a zelar”; “Não quebre a tradição”; “Não queira quebrar a ordem natural das coisas”.

E o Flicts? Sempre é descrito como frágil, feio e aflito. Não tinha do quê se orgulhar, não se encontrava. Sozinho. Frágil. Feio. Aflito. Flicts.

Mas Flicts era uma cor rara. E um dia ele

para de tentar encontrar-se no mundo. Nas 7 cores definidas do arco-íris. Não, Flicts estava muito além disso. Flicts se encontra depois da atmosfera, cor rara, a cor da lua.

A lua. Amarela, as vezes lua azul, lua de sangue, vermelha. A lua em toda sua imensidão. Maior que o espectro de cores e bandeiras desse mundo.

Por muito tempo eu me senti como Flicts. Nesse dia 29, espero que todos os Flicts se encontrem, nesse mundo ou além dele. 

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