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O impacto do ensino híbrido nos cursos da saúde: perspectivas da Enfermagem

Ao traçar uma linha do tempo desde o início da pandemia de COVID-19 até a atual conjuntura, é possível refletir sobre o impacto desta crise sanitária em um contexto multidimensional. Em relação à educação, as instituições de ensino superior (IES) possuem diretrizes organizadas em três pilares: ensino, pesquisa e extensão, que se complementam e atuam no compromisso de contribuição técnico-científica à sociedade. O cenário pandêmico gera o desequilíbrio dos pilares que regem a universidade, em especial ao próprio ensino-aprendizagem, que devido ao distanciamento social, urge a necessidade de adaptação do modelo tradicional de ensino, implementando o modelo remoto emergencial. 

Torna-se imprescindível, evidenciar a saúde mental dos acadêmicos em um desgastante cenário marcado pela continuidade da crise sanitária envolvendo a COVID-19. Tal crise mostra inúmeros descasos com a população brasileira, desde o exacerbado número de óbitos, falta de leitos, de equipamentos de proteção, de respiradores e, mormente, de vacina para todos. Logo, isso corrobora o descaso pelo qual o governo vigente brasileiro exercita, afetando diretamente o setor acadêmico público nos cursos da área da Saúde, o qual se adaptou de forma abrupta com o fito de não haver prejuízo prévio aos alunos. 

Contudo, tal adaptação atingiu diretamente a saúde mental do corpo estudantil por efeito das extensas horas em frente ao computador, das excessivas atividades acadêmicas, muitas delas, requeridas fora do horário de aula, e consequentemente, dificultando a participação dos estudantes em atividades extracurriculares oferecidas pela Universidade. Mas também, torna propenso a ausência de socialização entre discentes e docentes, bem como, a conjuntura de incertezas sobre o retorno das aulas presenciais. 

Neste sentido, a fim de elucidar o impacto da COVID-19 na saúde mental dos alunos de Enfermagem no ensino, o CAMAR realizou um levantamento das opiniões dos alunos sobre o ensino remoto através de um formulário no Google Forms entre 28 de março a 31 de março de 2020. Desta forma, uma das perguntas questionava ao aluno “Você tem se sentido sobrecarregado com as tarefas implementadas neste período?”. Cerca de 237 respostas foram obtidas, sendo que 77% dos respondentes afirmaram que se sentiam muito sobrecarregados com as atividades acadêmicas no ensino remoto emergencial, prejudicando ainda mais a organização, o estudo, aprendizado e a saúde mental do indivíduo. 

Em relação ao ensino híbrido, é correto afirmar que este apresenta fragilidades em sua estruturação e organização, gerando dificuldades de adaptação e falta de acessibilidade aos dispositivos, visto que, a realidade em cada local é distinta e cada contexto individualizado. Além dos problemas relacionados à infraestrutura e escassez de recursos, considera-se que nem todos os discentes contam com condições socioeconômicas favoráveis para instalação de internet e, por vezes, computadores em suas dependências e/ou residem em um ambiente favorável que possa permitir o seguimento das aulas. 

Ademais, os docentes ajustaram inesperadamente suas didáticas de ensino, seus conteúdos e diversificaram os materiais utilizados, para que incluíssem ainda mais o meio tecnológico. Entretanto, foi notória a grande dificuldade dos docentes da Enfermagem no uso das ferramentas da esfera digital, ocorrendo várias interferências prejudiciais durante os encontros, bem como na dinâmica da aula, na fluidez da disciplina e na aprendizagem dos discentes.

Um dos pontos que os estudantes perceberam grande impacto foi na articulação do aprendizado teórico-prático, em que é relatado sentimentos de medo e de insegurança constante ao se deparar com situações que demandam o manejo da teoria abordada no ensino remoto com a prática. Por conseguinte, é imprescindível ressaltar que a Enfermagem é um curso complexo, que enfrenta constantemente contextos desafiadores, em meio à desvalorização da profissão, que exigem preparo e resiliência do estudante. 

A interrupção dos estágios em cenários práticos influenciaram negativamente na construção do vínculo interpessoal enfermeiro-usuário, considerando que a comunicação é parte integrante do cuidar na Enfermagem, insubstituíveis na formação de um futuro profissional do âmbito da Saúde, pela necessidade da capacitação para a atuação no campo hospitalar, clínico e laboratorial. 

Outro fator importante nesta conjuntura vivenciada foi o distanciamento do educador-educando, fortalecido pela não flexibilização dos horários das aulas, falta de planejamento e domínio das ferramentas tecnológicas, com relações limitadas, dificuldades de interação, gerando importantes prejuízos no encontro de subjetividades, tais fatores implicam no processo de ensino com qualidade. 

Nessa perspectiva, cresce o despertencimento à universidade e suas extensões, considerado um fenômeno multifacetado, relacionado com a falta de conscientização da universidade perante às incertezas, dificuldades e fragilidades impostas pela pandemia da covid-19, evidenciadas pela falta de integração, comunicação e suporte aos discentes ingressantes em tal quadro, reafirmando o despreparo e desorganização. 

Dito isto, uma das preocupações dos discentes é a incipiente iniciativa de discussões acerca da manutenção do ensino híbrido mesmo após cessar o período pandêmico, visto como passo fundamental para o processo de sucateamento dos moldes de ensino, por exemplo: a redução de aulas prático-laboratoriais, de vivências acadêmicas, sobretudo a extinção de disciplinas e escassez da contratualização para contenção de gastos, colocando em risco os pilares e a qualidade da universidade. 

Contudo, em relação às adaptações neste período, houve uma menor concentração de pessoas acessando os campus e tendo contato fora de seu círculo domiciliar, o que permite uma menor exposição de estudantes, funcionários e docentes, sem que haja uma paralisação da Educação de Ensino Superior Brasileira. Além disso, houve uma distorção da percepção do conceito de presença, pois embora as pessoas estejam distantes fisicamente, por meio do uso da tecnologia, houve a possibilidade de conectar-se fazendo uso de diferentes recursos. 

No meio acadêmico, essa situação ficou evidente, uma vez que emergiu uma nova modalidade de ensino com a expansão da disponibilidade de recursos audiovisuais, no qual estudantes de diferentes cursos tiveram a oportunidade de estar presente em eventos e atividades externas ao seu núcleo de ensino, de modo virtual, ampliando o conhecimento e a construção de novos saberes. Além disso, destaca-se a facilidade para a realização da educação continuada para profissionais já formados, onde esses conseguiriam estar presentes em eventos de sua área em diferentes locais, mesmo de forma virtual. 

Por fim, através deste relatório reflexivo é possível observar que a Enfermagem assume um papel imprescindível na representação da força de trabalho na saúde e é responsável pela promoção e educação em saúde, em uma assistência baseada em evidências científicas teórico-práticas. Portanto, as grades curriculares para a formação do enfermeiro

devem ser cuidadosamente planejadas e sistematizadas, prezando a valorização na categoria profissional e sua importância na saúde. 

Centro Acadêmico Marina de Andrade Rezende

 Redatores: Ana Luiza Brasileiro Nato Marques Assumpção

Carine Carvalho Brito

Gabriel Alberto Gouveia Franzon

Giulia Rovaris Dezordi

Juliana Pelegrino

Letícia de Freitas

Luana Kaori Suguimoto

Natacha Martins Ribeiro

Rebecca Romano Barbosa

Willie Otávio Bueno Bernardi.

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