Política Nacional e Internacional

O Agro é tudo?

Bárbara Rodrigues Gervásio, TXIX da BCI – FFCLRP

O Brasil de 2021, apesar de ter sua economia majoritariamente baseada no setor de serviços, tem um apreço muito grande pela exportação de commodities advindas do agronegócio, desempenhando sua função como “celeiro do mundo” desde os tempos de colônia. No último trimestre, por exemplo, o agro contribuiu com 44,2% do total de exportações do país, setor responsável por uma variação de +9,4 pontos percentuais no mesmo período.

Isso posto, temos as constantes propagandas de mídias hegemônicas apontando o Agronegócio como setor que alimenta o Brasil, praticamente como um ser supremo que, além de trazer supostos ganhos financeiros ao país, ainda trabalha arduamente para que nenhum cidadão brasileiro passe fome. Pois bem, tivemos nos últimos meses notícias de filas de pessoas à espera de doação de ossos e gordura de boi em açougues em alguns estados do país porque as pessoas já não tem mais como comprar comida, dada a alta dos preços de produtos alimentícios, somada a alta taxa de desemprego e informalidade que nos assombra.

No país do agronegócio, mais de 125,6 milhões de pessoas sofrem de algum nível de insegurança alimentar, das quais aproximadamente 20 milhões não têm absolutamente nada para comer, além de termos voltado a fixar lugar no mapa da fome da ONU, o qual já não mais fazíamos parte desde 2014. Isso posto, o atual Governo acreditou ser uma boa estratégia desmontar a CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), seguida do baixo investimento no PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e no PNAE (Programa de Alimentação Escolar) e acompanhada da declaração de Paulo Guedes sobre doar sobras de restaurantes de classe média para a população vulnerável, enquanto seu Ministério, junto do Ministério da Agricultura, comemoram a alta do dólar para exportação de carnes brasileiras.

Aparentemente o agronegócio “é tudo!” apenas para lobistas e a elite agrária do país que, independente de crises, lucram com a exportação dos seus produtos e com a mão de obra barata (quando não escrava) de seus empregados. Já para a grande maioria da população, o Agro é ônus, é morte é sujo. E, enquanto o Brasil não passar por uma Reforma Agrária e por algumas outras mudanças estruturais no modo de produção e reprodução da sociedade, o Agro vai continuar sendo tóxico. Até a última árvore, o último indígena e o último rio.

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