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INOVE-SE: NAS TRILHAS DA INOVAÇÃO EM SAÚDE

A Evolução da Telemedicina e a Ampliação da Telessaúde no Contexto da Pandemia

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) (1977), a Telemedicina pode ser definida como “…a oferta de serviços ligados aos cuidados com a saúde, nos casos em que a distância ou o tempo é um fator crítico… tais serviços são providos por profissionais da área de saúde, usando Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) para o intercâmbio de informações”. Com o advento das TICs (impulsionadas pela introdução e popularização da internet), expandiu-se o alcance da Telemedicina para além das barreiras de ordem técnica, legal, ética e regulatória, ampliando o cenário do contexto médico para todos os serviços relacionados à saúde, instituindo assim um novo conceito: a Telessaúde.

Atualmente, a Telessaúde tem como principal objetivo ampliar a esfera de ação da Telemedicina e promover a saúde para além dos aspectos clínicos e de atenção médica, buscando melhorar as condições dos processos clínicos (tratamento dos pacientes) e consumar as condições de custeio ao sistema de saúde, além de incluir em sua gama a vigilância, literatura, educação, conhecimento e pesquisa na área. Neste sentido, a utilização das TICs em conjunto com diversos meios digitais caracteriza o termo internacionalmente conhecido como “eHealth”.

À vista disso, sabe-se que os serviços de Telessaúde e eHealth mais conhecidos e utilizados pela população são: Teleconsultorias (consulta à distância entre profissionais de saúde para discussão de dúvidas ou casos clínicos); Telediagnóstico (serviço de emissão de laudos à distância); e Teleducação (serviço de educação permanente de alunos e profissionais que oferece cursos, aulas, treinamentos e capacitações à distância).

Com o surgimento da pandemia da COVID-19, a Telessaúde foi catapultada para o papel de um serviço essencial aos pacientes, a fim de ajudar a mitigar a disseminação do vírus e preservar a integridade física e emocional da população. Embora a Telessaúde não substitua o atendimento presencial, em certos casos, ela se mostra como uma alternativa para esse momento tão delicado. De acordo com uma pesquisa feita pela Johnson & Johnson Medical Devices, em parceria com o Instituto Ipsos, no Brasil, 51% das pessoas se dizem confortáveis usando o serviço e 8% muito confortáveis. Estes indicadores evidenciam a eficiência e relevância das novas tecnologias da comunicação junto à saúde, que podem contribuir potencialmente para a sociedade.

Em 2019, o Ministério da Saúde lançou o programa “Saúde Digital e Telessaúde” que possui como finalidade “…a expansão e melhoria da rede de serviços de saúde, sobretudo da Atenção Primária à Saúde (APS), e sua interação com os demais níveis de atenção fortalecendo as Redes de Atenção à Saúde (RAS) do SUS”- Governo Federal. O programa contempla Teleconsultoria, Telediagnóstico, Teleducação e ainda a promoção de uma nova tecnologia eHealth com o aplicativo “Conecte SUS”, uma tecnologia mobile para agendamento de consultas e acompanhamento de serviços. Em 2020, instituída devido à pandemia do Coronavírus, essa nova modalidade beneficiou, através do “Tele SUS” (serviço de teleconsulta do Sistema Único de Saúde) mais de 1 milhão de pessoas só no mês de abril deste mesmo ano.

O Brasil possui características que tornam o uso da Telessaúde potencialmente benéfico para o sistema de saúde, isto devido a sua extensão territorial, a precariedade e custo relativamente alto dos transportes. Dessa forma, essas novas tecnologias corroboram a democratização do acesso à saúde no país, levando-a até mesmo a lugares antes inacessíveis. Embora seja necessário o foco das políticas e investimento na área, o Brasil não possui uma política ampla e bem definida para eHealth nem uma legislação específica para uso de Telessaúde (assim como outros países de renda média e baixa). No entanto, nos últimos anos, devido às características do mercado brasileiro, o país se tornou um polo de atração de investimentos externos e das grandes multinacionais, tais como aquisições, fusões, parcerias e alianças estratégicas, buscando o lançamento de novos produtos e serviços cujo processo deverá ser intensificado no futuro próximo devido a busca por vantagens competitivas específicas de alguns players internacionais no mercado brasileiro, a exemplo da Unicare, Cisco, GE Healthcare, Intel, Siemens, entre outros.

A partir desses exemplos, é possível compreender o potencial das tecnologias em fornecer meios inovadores e eficientes no cuidado à saúde. É perceptível a migração de um contexto hospitalar precário de tecnologias no final do século XIX, em que os médicos utilizavam o telégrafo e a telegrafia para transmitir laudos de exames radiográficos para locais distantes para um cenário tecnológico e dotado de infinitas possibilidades. Infelizmente, esse novo mundo se depara com diversas barreiras relacionadas à escassez de pesquisas na área, baixo investimento por parte dos governos e burocracias (questões éticas e políticas envolvendo essa nova modalidade em saúde).

Em síntese, observa-se que a Telemedicina ampliada a Telessaúde oferece agilidade e eficiência jamais vistas na história dos serviços em saúde, haja vista sua capacidade de viabilizar serviços e facilitar o acesso à população. Destarte, é importante conhecer mais sobre o tema, vivenciar o uso dessas tecnologias e cobrar por novas legislações específicas na área, uma vez que é certo que as iniciativas desencadeadas nesse processo irão reconfigurar o futuro dos serviços da saúde no Brasil e no mundo.

Referências:


CALTON. B; ABEDINI. N; FRATKIN. M. Telemedicine in the Time of Coronavirus. Journal
of Pain and Symptom Management – Volume 60. Issue 1 – 2020.


EL KHOURI, S.G. Telemedicina análise de sua evolução no Brasil. São Paulo. 2003. 238p.
Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Medicina – Universidade de São Paulo.


MALDONADO. J.M.S.V; MARQUES. A.B; CRUZ, A. Telemedicina: desafios à sua difusão
no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 32, 2016.


MEDICINA S/. 2020. Pesquisa revela a importância da telemedicina durante pandemia.
Disponível em: https://medicinasa.com.br/pesquisa-telemedicina/. Acesso em: 28/08/21


MINISTÉRIO DA SAÚDE.Decreto nº 9795, de 17 maio de 2019 o Ministério da Saúde, por
meio do Departamento de Saúde Digital, estabelecerá as Diretrizes para a Telessaúde no
Brasil, no âmbito do SUS.


WORLD HEALTH ORGANIZATION. Telemedicine: opportunities and developments in
Member States: report on the second global survey on eHealth. Geneva: World Health
Organization; 2009. (Global Observatory for eHealth Series, 2).


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