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7 DE SETEMBRO: NOSSO FIASCO, NU

Luiz Ghiraldelli, FEARP | Economia XXIV

Bolsonaro e família são, em si, pequenos demais para serem o foco desse texto. Na realidade, busco agradecê-los pelo governo até aqui — logo entenderá o porquê. Já sobre esse feriado de 7 de setembro, devo dizer que foi diferente. Uma síntese do abismo brasileiro.

Começando pelo tempo em si: insuportavelmente quente e seco. Parte reflexo do período do ano, parte do processo de aniquilação do meio ambiente. O Brasil é um país construído aproveitando uma de suas maiores vantagens naturais — as constantes chuvas e rios perenes. Funcionamos bem com um frágil tripé água-energia-comida. Quando limitamos a capacidade de reposição de rios e represas — ao passar a boiada em prol de carne e soja para meia dúzia, num processo autodestrutivo —, a escassez de água se cobra na energia elétrica — majoritariamente hidráulica — e no preço dos alimentos. Quem diria? Excesso de desmatamento se converte em um tipo de “imposto inflacionário” — uma externalidade daquelas bem negativas —, algo para Paulo Guedes e demais papagaios de manuais de graduação em economia levarem em consideração nos próximos modelos — a finitude e o equilíbrio bioclimático dos recursos naturais.

Posteriormente, andando com a passeata, é fácil ver a franquia de maior sucesso no país, a “Alugue-se”. A suposta recuperação em “V” se tornou uma desgostosa barra “\”. Mesmo as vacinas não promoveram o milagre esperado de nos tirar do fundo do poço. Não é para menos, o poder de consumo dos brasileiros continua baixo, o desemprego nas alturas e faltam diretrizes para se alterar essa realidade. Nessa conjuntura, nem podemos culpar o investidor privado, o estrangeiro especialmente, pelo desinteresse no país por enquanto. A instabilidade promovida por uma presidência, em aparência, golpista, afugenta a maioria dos recursos. Mas, estranho mesmo seria nós não estarmos justamente aqui com uma escolha dessas. Jair, desde os tempos na ativa como militar, nunca foi brilhante, nunca foi sensato, nunca pacificou nada e sempre — Sempre! — foi corrupto. Nossa sorte, inclusive, está nisso. Fossem os Bolsonaros golpistas mais bem equipados — em termos de qualidade de córtex cerebral — e menos interessados em esquemas, a democracia já teria se desmontado. Agradeço pela incompetência, Bolsonaros! Por muito pouco não entregamos nossa liberdade para o milicianato carioca. 

Nós, como sociedade, alimentamos o bolsonarismo e hoje colhemos os frutos. Ainda bem, de manifestações vazias de uma seita barulhenta. Porém, nesse dia de luto, penso em como explicar para uma criança daqui algumas décadas como nos permitimos conviver com tamanha barbárie. Primeiro do preconceito — contra indígenas, pretos, gays, trans e tantos outros —, depois da fome, passando pela autodestruição do nosso meio ambiente e, por fim, mais de meio milhão de mortes evitáveis por um vírus cuja prevenção e vacina estavam logo ali. Todo esse fiasco já existia, desde as Capitanias, mas, agora, está aí nu naqueles que ainda apoiam esses valores no Brasil.

Se a carapuça da civilização lhe servir, vista-se. Caso contrário, junte-se aos animais e feliz 7 de setembro.

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