O Ócios de Ofício

Por Caio Morau

ócios

Reavivar na memória os primórdios do nosso “Ócios”, ao mesmo tempo em que dá profunda alegria, deixa a alma desassossegada, porque se sabe que não é mais possível voltar àqueles tempos profundamente marcantes.

A história do nosso querido jornal tem sido, desde o princípio, uma epopeia repleta de esforço de cada um dos seus membros, em cada época definida, e do conjunto tão coeso que sempre costumamos fazer, de modo que não o chamar de família constituiria grave atentado ao nosso vínculo.

Portanto, esses poucos, bons e incansáveis membros do “Ócios” chegaram longe. Pronunciaram com muita convicção aquele duc in altum, “mar adentro” que dizem os bravos antes de enfrentar as águas incertas.

E a pesca tem sido demasiado boa, frutífera. As nossas capas continuam sendo indiscutivelmente únicas. Os alunos continuam podendo se expressar da maneira que julgam adequado e continuamos todos a ser constantemente convidados a sair desse mundo hermético e perigoso que é o do Direito.

Pois bem. A prolixidade nunca foi virtude de quem se arrisca a escrever em um jornal. Vamos, portanto, ao nosso ponto de interesse. Gostaria de compartilhar uns tantos belos momentos que datam do ano de 2010, em que foi ganhando corpo a ideia de fundar um jornal dos estudantes.

Lembro-me de uma reunião capitaneada pelo CAAJA, na primeira gestão oficial, em que era presidente o Felipe Gironi (turma I), em que foi colocado o desejo de se criar o que viria a ser o nosso “Ócios”.

Coloquei-me à disposição para ajudar e acabei, ainda que em total informalidade, conduzindo as reuniões em que discutíamos o que queríamos para o nosso jornal. Nessa etapa, contei com a ajuda preciosíssima da Carol Yonamine e Mário Moreira (ambos da turma I), do Gabriel Caires (turma III) e, em seguida, do Leonardo Barbosa e da Bruna Castro (ambos também da turma III). Os dois últimos tiveram longa vida no nosso “Ócios” e foram extremamente importantes para o seu crescimento. Devo citar o André Dib e a Bruna de Sillos (tanto um como a outra da turma III), mas paro por aqui para que não cometa mais injustiças caso não cite outras tantas pessoas que certamente foram indispensáveis para a nossa história.

Veio à minha memória um fato curioso e talvez pouco conhecido. O nome do nosso jornal, a princípio, seria “Desagravo”, sugerido pelo Danilo Sérgio Borges (turma I). Em uma bela tarde durante a semana, sentamo-nos nos corredores que dão à biblioteca e lá fizemos uma votação para a escolha. O nome vencedor foi aquele. E, nos bastidores, apesar da apertada vitória, havia pessoas, como eu, que estavam descontentes com a escolha.

Eis que o Walfrido Vianna (turma I), também em um desses encontros agradáveis que só a nossa Faculdade proporciona, sugeriu o nome “Ócios de Ofício”. Et voilà. Maktub. Era o que tinha de ser.

Fato é que, ainda hoje, cada edição continua como um filho que acabamos de colocar no mundo. Pensamos no tema principal de debates e cobramos – como custa! – as pessoas que se dispuseram a escrever para que nos encaminhem logo o texto. Isso para não mencionar as ingratas tarefas administrativas, que acabam sendo absorvidas pelo parto, pelo nascimento da edição, que para nós não é dor, mas prazer.

Como orgulha o coração ter podido participar dessa história tão magnífica. E não há mérito nenhum em ter, junto com as pessoas que citei, dado os primeiros passos em um jornal que estava sendo concebido. Os que aqui estão e os que por aqui passaram certamente teriam dado um início mais digno.

Por fim, meus queridos colegas, não olvidemos nunca daqueles conselhos de Evandro Lins e Silva, um dos maiores juristas dos últimos séculos, que perguntado sobre como deveriam se portar os alunos de Direito, respondeu: “Recomendo aos jovens que leiam, leiam tudo o que lhes cair nas mãos, romance, história, poesia, tudo”.

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